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quero convidá-lo a acessar meu novo site leonardopalmeira.com.br. Lá você vai encontrar todo o conteúdo deste blog além de informações de utilidade pública, um manual prático para pacientes e muitas novidades.

O blog continuará no ar, porém novos artigos serão publicados somente no site oficial. Espero que gostem!

20 de outubro de 2010

Estado Misto: depressão que não melhora com antidepressivos


Já abordei aqui no blog a respeito dos estados mistos e de sua relação com a bipolaridade, mas decidi dar maior ênfase, pois tenho recebido muitos pacientes em uso de antidepressivos, com diagnóstico prévio de depressão ou ansiedade, mas sem benefício claro do uso prolongado desses medicamentos.

E quem são esses pacientes? Escolhi dois exemplos que marcam bem como esses pacientes chegam para uma primeira consulta:

Exemplo 1– paciente que já fez uso de diversos antidepressivos diferentes (mudou muitas vezes), teve uma melhora inicial, mas depois voltou a ter sintomas. Os sintomas, em geral, são de muito cansaço, vontade de permanecer na cama ou sono durante o dia, desânimo, falta de prazer, enfim, sintomas depressivos, mas também muita ansiedade, na forma de somatização (taquicardia, sudorese, aflição no peito, pânico) ou psicológica (inquietação, agitação, impaciência), pensamentos repetitivos, acelerados ou com muitas idéias ao mesmo tempo, percebidos como uma dificuldade de relaxar ou de desligar a mente, o que também vem acompanhado de insônia à noite, déficit de atenção e memória. Não raro observa-se aumento de apetite e/ou ganho de peso.

Exemplo 2 – paciente que começou um tratamento com antidepressivo, teve melhora inicial, permaneceu com o medicamento, mas depois voltou a sentir sintomas desagradáveis, muitos dos quais não ocorriam antes (sensação de que o “quadro mudou”). Tornou-se mais irritadiço, ansioso, com dificuldade de relacionamento em casa ou no trabalho. A percepção muitas vezes é de que a “depressão” melhorou, mas deu lugar a um estado crônico de mau humor. Os sintomas mencionados no exemplo 1 também são comuns neste caso. A diferença é que esses pacientes “responderam” ao tratamento antidepressivo, mas não conseguem mais viver sem ele, pois mesmo com ele não se sentem 100% (“imagine sem ele”).

Em ambos os casos percebe-se que o tratamento com antidepressivos não foi eficaz, pois não resolveu todos os sintomas, ou pode ser inclusive maléfico, mudando o perfil sintomático do quadro, gerando maior irritabilidade, intolerância ou comportamento explosivo/agressivo.

A dificuldade em identificar esta mudança está no fato de que elas ocorrem lentamente, depois de uma impressão inicial de que a resposta ao antidepressivo foi positiva. Há a tendência de o paciente achar que os sintomas mais ansiosos e irritadiços se devem aos fatores externos e é rara a percepção de que eles estão relacionados ao tratamento ou ao humor.

A grande preocupação é que este quadro pode se cronificar e a pessoa se tornar diferente, com características de temperamento e personalidade que antes não tinha. Sabemos que uma doença psiquiátrica crônica por si só já pode fazer isso, mas uma doença tratada de maneira errada pode tornar este processo ainda mais rápido. Os desgastes sociais e familiares são enormes!

É importante que o psiquiatra saiba identificar os quadros mistos, pois a mudança na forma de tratar pode não só recuperar o paciente de todos os sintomas que sente, como evitar que, a longo prazo, seu problema se torne crônico.

Manuais diagnósticos não dão importância devida

A maior dificuldade hoje é que os manuais diagnósticos atuais (CID-X e DSM-IV) não dão a ênfase necessária a esse problema. A CID-X, por exemplo, só fala em estado misto como um subtipo do transtorno bipolar, mas oferece um diagnóstico de transtorno misto de ansiedade e depressão (F41.2) junto aos demais diagnósticos de ansiedade, cuja a descrição em muito se assemelha aos estados mistos. O transtorno misto de ansiedade e depressão é uma das principais causas de afastamento pelo INSS por motivos psiquiátricos, mas a própria CID-X recomenda que este diagnóstico seja dado aos casos mais leves ou não persistentes, pois os casos mais graves e crônicos deveriam ser classificados como transtorno de humor.

A confusão diagnóstica não pára por aí. Como os estados mistos estão inseridos nos manuais diagnósticos como parte do transtorno bipolar, exige-se para o seu diagnóstico que o paciente tenha, além do episódio depressivo, ao menos um episódio de mania ou hipomania (euforia). Este é justamente o maior dos problemas, já que a grande maioria dos pacientes com estado misto nunca teve e nem terá um episódio de mania ou hipomania. O episódio misto já é, por definição, um estado do humor que mistura os extremos, de um lado a depressão (baixa do humor) e de outro a inquietação ou agitação (elevação do humor).

A ciclotimia, outro diagnóstico que deveria pertencer ao grupo da bipolaridade, foi considerada pelos atuais manuais diagnósticos como um transtorno persistente do humor, enquanto que a maior parte dos ciclotímicos experimenta estados mistos, pois como ciclam ou variam muito rapidamente de humor, os dois estados acabam se sobrepondo.

Os manuais diagnósticos acabam influenciando mais o cotidiano dos psiquiatras e de seus pacientes do que imaginamos. Como existe a dificuldade diagnóstica, protela-se muito o tratamento com os estabilizadores de humor e, por outro lado, pacientes resistem muito à idéia de tomar um estabilizador por rejeitarem a hipótese de possuírem uma forma de transtorno bipolar ou porque não compreendem como um estado predominantemente depressivo deve ser tratado sem antidepressivos ou com a combinação de outros medicamentos.

Isto sem falar da maioria dos pacientes, que estão se tratando com clínicos gerais e outros especialistas que não possuem esta compreensão dos transtornos de humor e não conseguem, portanto, diferenciar um estado misto de um estado depressivo.
As novas versões dos manuais de diagnóstico psiquiátrico precisarão dar conta desta demanda, que hoje pode ultrapassar 60% dos pacientes tratados com antidepressivos, segundo pesquisas recentes.

Pensando no futuro

O tratamento com estabilizadores de humor não só melhora os sintomas desses pacientes, como equilibra o humor ao longo do tempo, permitindo que eles tenham relacionamentos mais positivos em casa e no trabalho, sejam mais eficientes em suas atividades e tenham, portanto, melhor qualidade de vida.

Os sintomas cognitivos são muito comuns nos estados mistos, percebidos como uma falta persistente de concentração, esquecimentos, dificuldade de leitura, lentidão de raciocínio, levando à falta de persistência nas atividades. Estes sintomas podem cronificar da mesma forma que os sintomas do humor e se transformarem num problema maior à medida que a idade avança e o cérebro envelhece.

O estabilizador de humor carbonato de lítio, conhecido como lítio, considerado um dos tratamentos mais eficazes na bipolaridade, tem comprovada ação neuroprotetora, retardando o aparecimento de demências (doenças neurodegenerativas) na terceira idade em pacientes bipolares.

O que parece contribuir muito para o declínio cognitivo é a persistência de sintomas depressivos e ansiosos ao longo da vida, o que infelizmente é mais regra do que exceção nos estados mistos. Por isso a necessidade do tratamento adequado, pois além da melhoria de curto e médio prazo, é fundamental pensarmos preventivamente e zelarmos pela saúde mental dessas pessoas quando estiverem com mais de 60 anos de idade.

Da mesma forma que praticar exercícios e ter uma boa alimentação na idade adulta ajuda prevenir as doenças degenerativas, cuidar da saúde mental e do seu ambiente familiar e de trabalho também é de crucial importância para envelhecer com lucidez!

Os estabilizadores de humor são uma opção segura e eficaz

O tratamento indicado no estado misto é o estabilizador de humor. Esta classe compreende medicamentos com mecanismos de ação diferentes, com indicações também em outras áreas da medicina. Um exemplo comum é dos anti-convulsivantes, medicamentos indicados na epilepsia. Alguns deles, como a lamotrigina, o divalproato de sódio, a oxacarbazepina e a carbamazepina possuem eficácia comprovada na regulação do humor, sendo medicamentos classicamente utilizados no transtorno bipolar.

Outro estabilizador de humor por excelência é o carbonato de lítio, considerado ainda hoje o padrão-ouro, terminologia utilizada na medicina para indicar que um determinado medicamento é a referência no tratamento de uma doença.

Os estabilizadores de humor podem ser utilizados isoladamente, em associação entre eles (p.ex. dois estabilizadores em conjunto) ou em associação com outros medicamentos, como antidepressivos e ansiolíticos. Isto ocorre porque o perfil de ação dos estabilizadores é diferente, uns agindo melhor em sintomas depressivos e outros mais em sintomas como ansiedade, irritabilidade e inquietação. Porém todos têm como objetivo fundamental regular o humor, gerando estabilidade a longo prazo e evitando recaídas.

A dificuldade de alguns pacientes em aceitar o medicamento deve-se ao receio dos efeitos colaterais, em grande parte por se acreditar equivocadamente que medicamentos para epilepsia são “fortes”, podem provocar convulsões ou causam dependência. Pois é justamente o oposto. Os estabilizadores de humor costumam ser mais bem tolerados no início do tratamento, pois não causam os efeitos gastrointestinais comuns entre os antidepressivos, não causam os sintomas na hora de retirá-los ou dependência (sintomas da falta do medicamento, o que é mais comum com os antidepressivos e os ansiolíticos) e não trazem maiores riscos no longo prazo. O fato de alguns serem indicados para o tratamento da epilepsia, visto por muitos de forma preconceituosa, é análogo a se utilizar um anti-convulsivante para a prevenção da enxaqueca ou um diurético para o controle da pressão arterial. Isto é, independente da indicação principal ou classe a qual o medicamento pertença, ele pode ter outras indicações e ser muito eficaz nelas.

Um conceito importante é que o tempo de tratamento deve ser prolongado para que os efeitos reguladores de humor possam ser sentidos claramente. No caso do carbonato de lítio (mais estudado), existem relatos clínicos de melhora progressiva mesmo após 1 ano de uso.

Um estabilizador de humor dificilmente poderá ser avaliado antes de 3 meses de uso, pois neste período ainda se está fazendo ajustes na dosagem. A lamotrigina, por exemplo, só pode ser aumentada a cada 2 semanas, até se atingir a dose terapêutica, que varia entre 100 e 200mg/dia, o que ocorre geralmente após 4 a 8 semanas.

O tratamento deve ser seguido ao longo de alguns anos, pois é importante que o paciente experimente um tempo prolongado de estabilidade. Muitos procuram o tratamento após muitos anos (décadas às vezes) de instabilidade, portanto, é razoável supor que o período de estabilidade deva ser grande o suficiente para que a pessoa se desacostume ao ritmo de vida que levava no passado e passe a tomar medidas para seu próprio bem estar. É isto que conta muito na evolução a longo prazo e, por isso, indicamos a psicoterapia como um acompanhamento necessário. Sem as mudanças de hábitos e de padrões repetitivos de comportamento será muito difícil que um paciente consiga a estabilidade sem os medicamentos.

Na fase de retirada da medicação é importante que o desmame seja o mais lento possível. Em alguns casos podem ser necessários meses ou até um ano para a retirada da medicação. É importante que o paciente seja observado em cada dose intermediária antes que se interrompa definitivamente o tratamento. Este tempo permite a verificação de possíveis oscilações de humor ou padrões de reatividade que com doses mais altas não aconteciam. São pistas úteis ao psiquiatra para avaliar se o paciente de fato manterá a estabilidade sem a medicação. Este é um problema sério para a maioria dos pacientes, que quer resultados rápidos e alta precoce do tratamento.

A psiquiatria possui alguns paradoxos que são difíceis de explicar. Uma pessoa aceita usar uma pílula anticoncepcional por longos anos, que sabidamente traz efeitos colaterais e risco para sua saúde, mas não quer fazer um tratamento por 2 ou 3 anos com um medicamento que pode estabilizar seu lado emocional e melhorar significativamente sua qualidade de vida, sem trazer maiores malefícios ao seu corpo. Ao contrário, este medicamento pode ajudá-la a reduzir os radicais livres e substâncias oxidantes acumuladas pelo estresse e proteger seu cérebro para a terceira idade. Isto por si só já seria um bom argumento!

Mas se a decisão de fazer ou não o tratamento fosse racional, a adesão seria de 100%. A pessoa precisa trabalhar internamente seus preconceitos e medos, se informar e conhecer melhor seu problema e refletir sobre o que será melhor para seu futuro para, então, tomar a decisão de se tratar. E mais: precisa manter este pensamento convicto diante dos primeiros sinais de recuperação, em que a inevitável sensação de cura pode demovê-la do tratamento, adiando sua estabilidade para daqui a dezenas de anos.

Possíveis complicações clínicas ou comorbidades

Algumas complicações, principalmente quando não há tratamento adequado, são bem conhecidas e devem despertar tanto para o diagnóstico como para o tratamento:

- dependência ou abuso de substâncias como álcool, café, cigarro, drogas ilícitas
- impulsos suicidas e impulsos auto-destrutivos (ferir-se, cortar-se, arranhar-se)
- compulsão alimentar
- ataques de pânico
- fobias
- psicose
- compulsão por compras, pelo jogo, por sexo, por computador
- déficit cognitivo e demências

Algumas doenças clínicas estão associadas com maior freqüência:

- Enxaqueca
- TPM
- Hipotireoidismo
- Hipertensão
- Síndrome metabólica (dislipidemia, diabetes)
- Obesidade
- Fibromialgia
- CA de mama

Diferentes apresentações clínicas

O estado misto de humor deve ser suspeitado diante dos seguintes quadros depressivos:

- Depressão ansiosa
- Depressão agitada ou hiperativa
- Depressão irritável
- Depressão psicótica
- Depressão com abuso ou dependência de substâncias
- Depressão com qualquer tipo de compulsão
- Depressão de curta duração (poucos dias) que se alterna com humor irritadiço ou eufórico/excitado: um exemplo comum – a pessoa está deprimida, mas tem dias ou determinadas horas em que se sente muito disposta, sai arrumando a casa toda, ou tem um rendimento superior à média dos dias anteriores. Depois volta a se sentir deprimida.

Portanto, se você se identificou com o artigo, não deixe de conversar com seu médico ou procurar um psiquiatra para ter uma avaliação do seu estado e iniciar um tratamento adequado. Boa sorte e que você alcance sua estabilidade em breve!

14 de outubro de 2010

Uma lição para todos!


O mundo emocionou-se com o resgate dos mineiros que ficaram presos na mina San José no Chile após 70 longos dias de espera. Foi um exemplo de superação, de fé e esperança e da solidariedade humana, que lamentavelmente anda esquecida nos dias de hoje.


Provavelmente a vida desses mineiros não será mais a mesma após este acidente. Conviverão com a lembrança dos dias de terror que passaram confinados a 620 metros de profundidade, passando por privações que nenhum ser humano imagina passar um dia. E de ter convivido constantemente com a possibilidade de morte, que nos primeiros dias parecia ser muito mais provável do que a sobrevivência.


Mas mesmo com todos os problemas físicos e psicológicos pelos quais ainda possam passar, o maior presente que tiveram foi ter a vida de volta. Isto faz com que tudo tenha um significado relativo. Eles mostraram ao mundo que a fé e a esperança são capazes de prolongar a vida e mudar o futuro. Certamente manterão o mesmo estado de espírito para superar as dificuldades, agora mais corriqueiras.


Acho que todos precisamos refletir mais a respeito. Do valor e do significado da vida, mesmo que passemos por turbulências, problemas e doenças, manter a fé e a esperança num futuro melhor é o ingrediente fundamental para a recuperação. Que a história dos mineiros possa nos ensinar muito a respeito da essência do homem, de seu poder de superação e, sobretudo, de fazer o bem ao próximo. A máxima (que já anda meio piegas) de que onde há vida ainda há esperança faz todo o sentido!
Veja o vídeo do momento mais emocionante do resgate:


29 de setembro de 2010

Presidenciáveis ignoram a saúde mental


Leiam a carta da Associação Brasileira de Psiquiatria sobre a omissão dos candidatos a presidente em relação aos temas da Saúde Mental. Em agosto o Portal Entendendo a Esquizofrenia enviou carta aos candidatos e somente Plínio Sampaio (PSOL) respondeu às perguntas sobre a assistência psiquiátrica no Brasil. A entrevista dele está aqui no blog e também no Portal!


Provocados pela ABP, os candidatos à presidência mais bem colocados nas pesquisas se omitiram em relação aos seus planos para a saúde mental.

Prestes a eleger um novo Presidente da República, a população brasileira tem o direito de conhecer as propostas de quem se apresenta como seu possível representante durante os próximos quatro anos. Dentro deste raciocínio e para garantir que os seus associados tenham o maior número de informações no que diz respeito às ideias referentes às políticas públicas de saúde mental, a Associação Brasileira de Psiquiatria entrou em contato com os três candidatos que atualmente lideram as pesquisas de intenção de votos: Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva.

Ciente dos compromissos que envolvem os candidatos em uma campanha presidencial foi elaborada uma entrevista com perguntas diretas para, ao mesmo tempo, abordar os principais temas de interesse da Psiquiatria e permitir ao candidato praticidade para atender à solicitação da ABP. O questionário indagou sobre os planos de cada um para melhorar a assistência em saúde mental em geral, suas propostas específicas para o tratamento do crescente número de dependentes em drogas (lícitas e ilícitas), além da avaliação sobre o atual cenário do setor.

Mesmo com a insistência, nenhum candidato se prontificou a abordar o tema. Silenciar-se sobre a omissão destes candidatos, que pretendem liderar o Brasil em seu crescimento em todas as esferas sociais, seria tão, ou mais, preocupante que o silêncio dos presidenciáveis. É obrigação da Associação Brasileira de Psiquiatria representar seus 6 mil associados e fazer valer a sua voz para contribuir para a elaboração e aperfeiçoamento de uma política pública eficaz à prática profissional dos médicos psiquiatras e aos doentes mentais.

Cumprindo com o seu papel, o presidente da ABP, João Alberto Carvalho, se posicionou quanto a insensibilidade dos candidatos com relação ao tema. "A falta de resposta dos candidatos é apenas um sinalizador de como a assistência em saúde mental recebe pouca atenção do Estado. Esta não é a atitude esperada por aqueles que almejam alcançar uma posição de cunho democrático", lamentou.

"Faz parte da nossa consciência que o papel de uma instituição médica não se limita a defender interesses profissionais. É nossa obrigação também atuar para a melhoria da saúde da população. Infelizmente, como é possível perceber, os verdadeiros responsáveis por oferecer cidadania aos brasileiros estão menos preocupados do que os psiquiatras com o bem-estar da sociedade", diz João Alberto Carvalho.

Contudo, o presidente da ABP garante que a instituição não pode se afastar do debate político e insistir em sua permanente luta para aperfeiçoar as políticas públicas relacionadas à saúde mental.

Ele lembra que nos últimos anos a instituição tem lutado pela construção de uma rede de atendimento integrada, balanceada e hierarquizada, como a preconizada pela Organização Mundial de Saúde. Alerta para a importância da atenção primária, aponta equívocos e soluções no tratamento de dependes químicos e discute meios mais efetivos de financiamento, entre outros pontos. Essa discussão, aliás, foi levada ao Ministério Público diante da indiferença do Governo. "Sobretudo sempre procuramos restabelecer o debate pautado por critérios técnicos", resume o presidente da ABP.

Infelizmente, a omissão dos principais candidatos à presidência sobre o assunto não é um bom sinal.
Fonte: Associação Brasileira de Psiquiatria

http://www.abpcomunidade.org.br/clipping/exibClipping/?clipping=12475

Distúrbios durante o sono prejudicam a vida de pacientes


Muito boa a reportagem sobre os distúrbios do sono, vale a pena ler!


Insônia, apneia e parassonias são os mais comuns.

Depois de um dia corrido, nada mais justo que uma boa noite de sono para recuperar as energias. Mas nem sempre dormir é sinônimo de descanso. Muitos motivos atrapalham o repouso: de obstáculos que impedem a passagem de ar pela garganta a distúrbios psicológicos, a insônia pode ter origem das mais variadas.

Ao se deitar, alguns não conseguem dormir. Outros até conseguem, mas, mesmo sem perceber, despertam diversas vezes durante a noite - o que prejudica o descanso e, consequentemente, causa sonolência durante o dia. Os distúrbios são vários, assim como as causas. A insônia, um dos mais comuns, é uma consequência de outros problemas que atrapalham o sono.

Normalmente [a doença] é causada pela correria do dia a dia, que leva à ansiedade, tensões e preocupações que tiram o sono da pessoa – afirma o médico Shigeu Yonekura, neurologista e coordenador do Instituto do Sono, em São Paulo.

Além dos problemas psicológicos relacionados ao estresse, os distúrbios do sono podem também ter origem neurológica ou otorrinolaringológica – especialidade que trata das doenças de ouvido, nariz e garganta.

Problemas psicológicos

Os problemas de ordem psicológica são de diferentes origens, normalmente decorrentes de depressão, ansiedade e/ou estresse. A depressão, por exemplo, pode afetar o sono de duas formas distintas. No frio, a 'depressão de inverno' é uma doença recorrente em muitas pessoas. A temperatura diminui e, também, o ânimo das pessoas, que recorrerem ao sono com maior frequência para se refugiar das infelicidades.

Na depressão 'comum' a dificuldade é em pregar os olhos. Os problemas, assim como quando atingidas por estresse e ansiedade, levam as pessoas a não conseguirem dormir. A preocupação toma conta dos pensamentos, impedindo que o paciente consiga relaxar.

Problemas neurológicos:

Disfunções neurológicas também podem afetar o sono. Alguns distúrbios, como a parassonia, a narcolepsia e a síndrome das pernas inquietas, são os mais comuns.

A parassonia, por exemplo, se dá pela ativação do sistema nervoso central, que pode causar um despertar confuso, sonambulismo, enurese noturna – falta de controle urinário – e terror noturno que, durante a noite, pode provocar reações como agitação extrema, gritos, gemidos, falta de ar e comportamento agressivo e destrutivo.

São situações normais na infância, até os 12 anos mais ou menos, mas depois disso, quando o paciente sente que os sintomas continuam e começam a atrapalhar a vida da pessoa, ela deve procurar tratamento – ressalta o médico.

Outro distúrbio, a narcolepsia, é um tipo de dissonia caracterizada pela falta de controle em se manter acordado. A sonolência diurna chega a tal ponto que a pessoa acaba caindo no sono involuntariamente. É considerada perigosa por afetar o paciente até em tarefas cotidianas, como dirigir, podendo provocar sérios acidentes.

Já a Síndrome das Pernas Inquietas, também de ordem neurológica, causa sensações angustiantes, principalmente na região da panturrilha. O distúrbio - causado normalmente por uma carência de vitaminas, cálcio e magnésio - faz com que as pernas se movimentem muito durante a noite, atrapalhando, assim, o repouso. Em consequência disso, o paciente pode apresentar além de insônia, angústia, sonolência excessiva, cansaço e irritabilidade durante o dia.

Outros Problemas:

Um dos distúrbios mais comuns, a apnéia do sono causa pausas respiratórias que acontecem exclusivamente no sono. Ronco, cansaço e sonolência diurnos e déficit de atenção e memória são alguns dos sintomas, originados por diferentes causas.

Disfunções no sistema nervoso central – a Apnéia Central –, obesidade e hipertrofia da adenóide ou amígdala são os motivos pelos quais a respiração pára. O tratamento pode se dar de forma cirúrgica – com remoção de gordura ou redução dos obstáculos que impedem a passagem do ar – ou métodos alternativos, com aparelhos intra-orais que posicionam a mandíbula mais pra frente.

Outra saída é a utilização da máscara CPAP, um aparelho que estimula a respiração durante o sono – ressalta Yonekura.

Exame:

Para diagnosticar qual problema está afetando o paciente, deve-se fazer a polisonografia, um exame que monitora o sono da pessoa durante uma noite inteira – afirma o médico.

O teste permite verificar potenciais elétricos da atividades cerebral, dos batimentos cardíacos, os movimentos dos olhos, a atividade muscular, o esforço respiratório, a saturação do oxigênio no sangue, os movimentos das pernas e outros parâmetros que vão identificar de qual distúrbio a pessoa sofre.

Fonte: Jornal de Santa Catarina


http://www.clicrbs.com.br/especial/sc/jsc/19,0,3054322,Disturbios-durante-o-sono-prejudicam-a-vida-de-pacientes.html

18 de setembro de 2010

Eleições 2010 - Entrevista com os candidatos - Plínio Sampaio

O Portal Entendendo a Esquizofrenia enviou aos candidatos a Presidente da República uma carta com perguntas sobre as suas propostas para a área de Saúde Mental (leia a carta enviada por e-mail). O Blog do Dr Leonardo Figueiredo Palmeira publica a entrevista com o candidato do PSOL.



Plínio Arruda Sampaio - PSOL

Portal: O Brasil enfrenta uma crise na rede hospitalar especializada (hospitais psiquiátricos), com redução de leitos que possam atender à população nos casos de urgência. Os hospitais gerais estão longe de suprir esta carência, pois a grande maioria não conta com alas psiquiátricas. Qual a sua proposta quanto aos leitos psiquiátricos?

Plínio: A situação da falta de leitos está diretamente ligada com o descompromisso das prefeituras, estados e do governo federal que com a criação dos CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) passaram a desativar os hospitais psiquiátricos sem, no entanto, abrir vagas suficientes nos CAPS para atender a esta demanda. Resultado disso é que hoje temos muitas pessoas que não tem acesso a um tratamento adequado por descompromisso público.

Neste sentido pretendo promover a construção de CAPS como política mais humana para aqueles que sofrem de doenças mentais, reservando os hospitais públicos para aqueles casos mais graves, onde o paciente corre o risco de se automutilar, cometer suicídio ou matar outras pessoas.

Entendo que se constituem como uma alternativa ao modelo centrado no hospital psiquiátrico, caracterizado por internações de longa permanência e regime asilar. Os Centros de Atenção, ao contrário, permitem que os usuários permaneçam junto às suas famílias e comunidades.
Portal: Os CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) estão sobrecarregados e muitos perderam sua característica inicial de espaço para reabilitação psicossocial de pacientes com transtornos mentais graves, funcionando como grandes ambulatórios. Qual a sua proposta para os CAPS e para os ambulatórios especializados?

Plínio: A criação dos CAPS foi um avanço na legislação brasileira, fruto de muita luta do movimento da luta anti-manicomial. No entanto, como já citei na resposta anterior, nenhuma das esferas do poder público criaram CAPS suficientes. É claro que o CAPS também tem suas contradições, por isso também pretendo junto com os movimentos e intelectuais da área avançar sempre em uma política de saúde mental que trate o doente como pessoa que não precisa ser privada do convívio social.

Portal: Sabemos que o tratamento da esquizofrenia e de outros transtornos mentais graves muitas vezes requer medicamentos modernos e de alto custo. O governo federal desenvolveu um programa de dispensação de medicamentos especiais, mas sabemos que a sua abrangência ainda está longe da ideal, poucas pessoas têm acesso e em alguns estados existe uma burocracia imensa para consegui-los. Qual a sua proposta no que diz respeito aos medicamentos de alto custo?

Plínio: Minha proposta no que diz respeito ao acesso a medicamentos é a mesma com relação a todo o sistema de saúde. O que acontece hoje é que a maioria dos remédios é muito caro e o estado não provem esses medicamentos para quem não pode pagar. Cria-se então um muro que por muitas vezes determina quem morre e quem vive.

Para acabar com essa divisão defendo um sistema socializado de medicina, onde tanto o pobre quanto o rico tenham acesso a mesma medicina e aos mesmos medicamentos providos pelo Estado e isso vale para os medicamentos de transtornos mentais graves, independente do preço. Saúde é um direito de todos e não pode servir para obtenção de lucro.

Portal: Sabemos que a recuperação de uma pessoa com transtorno mental grave depende também do combate ao estigma e ao preconceito na sociedade, para que eles possam ter maior oportunidade em sua comunidade, como trabalho e vida social. Outros países têm uma participação mais ativa no sentido de promover campanhas sociais antiestigma, informando a população e combatendo os muros do preconceito. Qual a sua proposta no combate ao estigma e ao preconceito da doença mental?

Plínio: O manicômio é expressão de uma estrutura, presente nos diversos mecanismos de opressão desse tipo de sociedade. A opressão nas fábricas, nas instituições de adolescentes, nos cárceres, a discriminação contra negros, homossexuais, índios, mulheres. Lutar pelos direitos de cidadania dos doentes mentais significa incorporar-se à luta de todos os trabalhadores por seus direitos mínimos à saúde, justiça e melhores condições de vida.
Portal: Por fim, como o senhor avalia a atual situação da assistência psiquiátrica no Brasil?

Plínio: Como já expressei em minhas repostas anteriores a assistência psiquiátrica é muito precária no Brasil, precisamos evoluir muito nessa área e pretendo junto com conselhos da área, o movimento de luta anti-manicomial travar um luta contra e exclusão dessa população, promovendo a inclusão desses cidadãos na sociedade.

24 de agosto de 2010

Intervenção precoce: esforços para evitar o primeiro surto


Reconhecer precocemente se uma pessoa irá desenvolver a esquizofrenia é um desafio para a ciência e para os médicos, pois existem evidências robustas de que evitar ou retardar um primeiro surto pode aumentar muito as chances de recuperação de uma pessoa com esquizofrenia. No encontro mundial de especialistas em esquizofrenia, realizado em abril de 2010 em Florença, Itália, muito se debateu sobre intervenção precoce, desde como reconhecer se um adolescente está em risco maior de adoecimento até que estratégias utilizar para aperfeiçoar a resposta ao tratamento e aumentar as chances de recuperação.

Dr. William Carpenter, da Universidade de Maryland, EUA, defendeu que os sistemas diagnósticos em psiquiatria, particularmente o Manual Diagnóstico e Estatístico das Doenças Mentais, a DSM, da Associação Americana de Psiquiatria, incluíssem no roll de diagnósticos as pessoas que apresentassem um estado mental de risco para psicose, também conhecido como Síndrome Prodrômica de Risco (Prodromal Risk Syndrome).

Segundo ele, as pessoas com sintomas leves, como retraimento/isolamento social e emocional, distorções leves da realidade, ilusões ou falsas percepções do meio, falta de vontade e persistência nas atividades laborativas, acadêmicas ou sociais, possuem um risco de desenvolver um surto psicótico maior do que a população geral. As taxas de conversão para psicose podem chegar a 40% em 1 ano. Para Carpenter, é fundamental reconhecer este grupo para oferecer um tratamento rápido e eficaz, capaz de frear a progressão para um estado de doença. “As chances de recuperação para as pessoas que começam um tratamento antes de uma crise são muito superiores àqueles que já experimentaram a ruptura emocional e social que o surto psicótico gera”, conclui.

Dr. Ashok Malla, da Universidade de McGill, Canadá, preconiza que as pessoas em estado de risco para psicose sejam acompanhadas em serviços especializados em intervenção precoce. “Esses pacientes precisam de um tratamento intensivo com uma equipe treinada e disponível para atender às suas demandas, utilizando técnicas de psicoeducação de família e de terapia cognitivo-comportamental, além de medicação quando necessária”, explica. A psicoeducação de família procura informar melhor a família e orientá-la sobre como agir em situações de conflito, reduzindo assim a sobrecarga em casa, que pode ser prejudicial e precipitar um primeiro surto, e a terapia cognitivo-comportamental vai reforçar a tolerância do indivíduo ao estresse e auxiliá-lo na solução dos seus conflitos. “Os pacientes devem ser acompanhados por no mínimo 5 anos, já que temos a evidência de que até 82% surtam após este período quando não recebem nenhum tipo de tratamento. Nos dois primeiros anos os encontros devem ser semanais, nos três anos seguintes é possível reduzir a freqüência da intervenção, dependendo da evolução de cada caso”, afirma Dr Malla.

Dra. Merete Nordentoft, da Universidade de Copenhagen, uma das pesquisadoras-chefe da pesquisa conhecida por OPUS, que estuda a intervenção precoce da psicose na Dinamarca desde 1998, afirma que é importante engajar pacientes e familiares através da integração das questões médicas e das demandas sociais de cada caso e que, para maior efetividade do programa, é fundamental que a relação terapeuta-paciente não seja maior do que 1:10. Entre as atividades que propõe estão a terapia de família, o treinamento das habilidades sociais dos pacientes em grupo e a terapia cognitivo-comportamental. “Uma das abordagens que fazemos com o paciente é a elaboração de um plano de crise, conversando com cada um como deve agir quando está ouvindo vozes ou se sentindo ameaçado: ele deve tentar se distrair, ouvir uma música ou conversar com algum familiar, p.ex. Isso o deixa menos vulnerável e com uma sensação maior de proteção”, exemplifica. A estratégia de intervenção precoce mostrou-se mais eficaz do que outros tratamentos, com maior adesão por parte do paciente e da família, melhora dos sintomas, redução do uso e abuso de drogas e menos internações.

Uma questão que permanece ainda sem resposta é se de fato conseguimos prevenir a psicose ou a esquizofrenia. Alguns estudos, em fases mais avançadas, não viram diferença expressiva entre o grupo de pacientes que freqüentavam os programas de intervenção precoce após 5 anos e os que faziam o tratamento convencional. Para o Dr José Luiz Vazquez-Barquero, da Universidade de Santander, Espanha, e um dos responsáveis pelo estudo de Cantábria, também focado na intervenção precoce, cerca de 40% dos pacientes não apresentam recaída após 5 anos e para eles a alta é uma realidade possível. “É preciso conhecer bem os preditores de alta, para não dispensar um paciente que possa recair depois de interrompido o tratamento”, alerta. Porém, para 60% dos pacientes o tratamento precisa ser mantido.

23 de agosto de 2010

Alguém ainda duvida dos efeitos do estresse II ?


Estresse pode diminuir chances de mulher engravidar, diz estudo

Um estudo científico mostrou, pela primeira vez, que altos níveis de estresse podem diminuir as chances de uma mulher engravidar.

Especialistas da Universidade de Oxford, na Inglaterra, mediram a quantidade de hormônios associados ao estresse em mulheres que tentavam engravidar naturalmente e concluíram que as mais estressadas tinham mais dificuldade em ficar grávidas.

Técnicas de relaxamento talvez ajudem alguns casais, mas são necessárias mais pesquisas sobre o assunto, diz a equipe.

O estudo, publicado na revista científica Fertility and Sterility, monitorou 274 mulheres saudáveis com idades entre 18 e 40 anos que tentavam ficar grávidas.

Especialistas já sabem que idade, hábito de fumar, obesidade e consumo de álcool interferem nas chances de gravidez, mas a influência do estresse é menos clara.

A equipe da Universidade de Oxford mediu dois hormônios vinculados ao estresse, a adrenalina e o cortisol, a partir de exames da saliva das participantes.

A adrenalina é liberada pelo organismo quando a pessoa está, ou julga estar, em situações ameaçadoras ou perigosas. O cortisol está associado ao estresse crônico.

As mulheres que tinham índices maiores de alfa-amilase na saliva (uma proteína que pode servir como indicador na medição de índices de adrenalina) apresentaram uma redução de 12% nas suas chances de engravidar nos dias férteis em comparação às que tinham os níveis menores do indicador.

Os pesquisadores não encontraram associações entre chances de engravidar e a presença do hormônio cortisol.

Ioga

Uma das integrantes da equipe responsável pelo estudo, a cientista Cecilia Pyper, da National Perinatal Epidemiology Unit da Universidade de Oxford, disse que o objetivo do trabalho é melhorar a compreensão dos fatores que influenciam a gravidez em mulheres saudáveis.

"Este é o primeiro estudo a revelar que um medidor biológico do estresse está associado às chances de uma mulher ficar grávida naquele mês", explicou Pyper.

"A descoberta reforça a ideia de que casais que estão tentando ter um bebê devem procurar ficar tão relaxados quanto possível".

"Em alguns casos, pode ser importante procurar técnicas de relaxamento, terapia e até ioga e meditação".

A pesquisa foi feita em colaboração com o Eunice Kennedy Shriver National Institute for Child Health and Human Development, nos Estados Unidos.

Ela é parte de um estudo maior, que tenta avaliar os efeitos do fumo, álcool e cafeína sobre as chances de gravidez.


Fonte: BBC Brasil

Alguém ainda duvida dos efeitos do estresse?

Adversidades e estresse na infância levam a problemas de saúde no futuro, dizem estudos

Segundo pesquisas, estresse provocado por pobreza ou abusos pode levar a doenças cardíacas e envelhecimento celular precoce.


Adversidades e estresse no início da vida podem levar a problemas de saúde no futuro e até mesmo à morte prematura, segundo uma série de estudos apresentados em um encontro da Associação Americana de Psicologia, na Califórnia.

Os estudos sugerem que o estresse na infância provocado pela pobreza ou por abusos pode levar a doenças cardíacas, inflamação e acelerar o envelhecimento celular.

Segundo os responsáveis pelas pesquisas, as experiências no início da vida podem deixar "marcas duradouras" sobre a saúde no longo prazo.

Em um dos estudos, pesquisadores da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, analisaram a relação entre viver em pobreza e os sinais iniciais de doenças cardíacas em 200 adolescentes saudáveis.

Eles verificaram que aqueles que vinham de famílias mais pobres tinham artérias mais endurecidas e uma pressão sanguínea mais elevada.

Situações ameaçadoras
Uma segunda pesquisa do mesmo grupo mostrou que as crianças dos lares mais pobres eram mais propensas a interpretar uma série de situações sociais simuladas como ameaçadoras.

Elas também tinham pressão e batimentos cardíacos mais altos e apresentaram sinais mais fortes de hostilidade e raiva em três testes de laboratório.

Os resultados apoiam outras pesquisas que mostram uma ligação entre uma infância com alto nível de estresse e futuras doenças cardiovasculares, segundo a coordenadora dos estudos, Karen Matthews.

Segundo ela, ambientes imprevisíveis e com estresse levam as crianças a ficarem "hipervigilantes" em relação a percepções de ameaças.

"Interações com outros se tornam então uma fonte de estresse, que pode elevar o nível de estimulação, a pressão sanguínea e os níveis de inflamação e esgotar as reservas do corpo. Isso estabelece o risco para doenças cardiovasculares", disse.

Expectativa de vida
Outro estudo apresentado na conferência mostrou que eventos na infância como a morte de um dos pais ou abusos podem tornar as pessoas mais vulneráveis aos efeitos do estresse na vida posterior e até mesmo reduzir a expectativa de vida.

Pesquisadores da Universidade de Ohio State analisaram um grupo de adultos mais velhos, alguns dos quais cuidavam de pessoas com demência.

Eles avaliaram diversos indicadores de inflamação no sangue que podem ser sinais de estresse, assim como o comprimento dos telômeros - fitas de DNA que se encurtam a cada vez que as células se dividem e que podem ter relação com doenças relacionadas à idade.

Os 132 participantes também responderam a um questionário sobre depressão e sobre abusos ou negligências sofridos na infância.

O estudo relacionou abusos físicos, emocionais ou sexuais durante a infância com telômeros mais curtos e níveis mais altos de inflamação mesmo após serem descartados outros fatores como idade, sexo, índice de massa corporal, exercícios, sono e se a pessoa era responsável por cuidar de alguém.

"Nossa pesquisa mostra que as adversidades na infância deixam uma sombra longa sobre a saúde da pessoa e podem levar a inflamações e envelhecimento celular muito antes do que em aqueles que não passaram por isso", disse a coordenadora do estudo, Janice Kiecolt-Glaser.

"Aqueles que sofrem diversas adversidades podem encurtar sua expectativa de vida entre 7 e 15 anos", afirmou.


Fonte: BBC Brasil

18 de agosto de 2010

Novo clipe do grupo Harmonia Enlouquece: Homem-Robô

O grupo Harmonia Enlouquece é formado por pacientes e técnicos do Centro Psiquiátrico Rio de Janeiro - CPRJ, hospital do Governo do Estado do Rio de Janeiro, onde tive orgulho de trabalhar por muitos anos. Eles se tornaram mais conhecidos após a exposição na novela Caminho das Índias, da TV Globo, mas eles têm um repertório grande e muito interessante, que vale a pena conhecer. O clipe abaixo é do novo trabalho deles, "Homem Robô". Vale a pena assistir e visitar o Youtube, onde existem outras músicas do grupo.


13 de agosto de 2010

Transtornos Mentais Graves

Abaixo você assiste à minha palestra sobre Transtornos Mentais Graves apresentada no Congresso da Sociedade Médica da Ilha do Governador, em 14/08/2010.



21 de junho de 2010

Short-cuts: metade dos doentes bipolares sofre de hipertensão

Metade das pessoas que sofrem de doença bipolar é hipertensa, concluiu um estudo da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.

O estudo adianta ainda que quanto mais novos forem os indivíduos que sofrem da doença mental mais probabilidades têm de desenvolver hipertensão.

Para este estudo foram analisados pacientes internados que ajudaram a entender que a doença bipolar não está apenas relacionada com problemas cardiovasculares e diabetes como se pensava anteriormente.

“Há uma forte relevância clínica para a descoberta de que a hipertensão pode estar relacionada com a gravidade da doença bipolar”, garantiu Dale D’Mello, o psiquiatra que coordenou a investigação.

D’Mello explicou ainda que “há uma certa semelhança nas duas condições: ambas podem ser desencadeadas por stress e estão vinculadas à excreção de noradrenalina, uma hormona que afecta a forma como o cérebro reage ao stress” e influencia o humor, a ansiedade, o sono e a alimentação.

Diagnóstico e tratamento

O coordenador da investigação acredita que estes resultados mostram que se deve prestar mais atenção à questão da hipertensão arterial em pacientes bipolares.

“Há também indicações de que a hipertensão pode conduzir a lesões cerebrais. Diagnosticar o problema e tratá-lo precocemente permite alterar os resultados médicos em pessoas que lutam contra a doença bipolar”, explica D’Mello.

Este estudo pode ajudar a desenvolver tratamentos mais eficazes como por exemplo, substituir substâncias como o lítio no tratamento de doentes bipolares e obesos que não respondem bem às terapias mais comuns.

Iniciativas que priorizam o trabalho na recuperação da esquizofrenia


O trabalho é um dos pilares na recuperação da esquizofrenia e um dos objetivos mais almejados por terapeutas, familiares e pacientes. Por isso ele foi tema de diferentes mesas redondas nesta Segunda Conferência Internacional da Sociedade de Pesquisa em Esquizofrenia, em Florença, Itália, realizada em maio de 2010.

Um consenso entre os especialistas é que o trabalho deve ser pensado caso a caso, ou seja, existem pacientes que podem retornar ou ingressar no mercado de trabalho, mas para outros isto pode significar maior instabilidade e risco de recaídas. Outro ponto fundamental é a vontade e a capacidade do próprio paciente. Se voltar a trabalhar é factível e um desejo, isto precisa ser considerado como uma das prioridades do tratamento e o paciente deve ser preparado para retornar tão logo tenha condições clínicas para isso. Não é necessário, contudo, que ele esteja totalmente recuperado ou livre de sintomas. Seu estado deve permitir que ele possa assumir suas responsabilidades, ainda que com algum grau de dificuldade, mas que o trabalho seja mais uma forma dele se recuperar da doença.

Incluir o trabalho no hall de terapias psicossociais parece, então, fundamental para que este objetivo seja finalmente alcançado. Dr. Keith Nuchterlein, da Universidade da Califórnia, enfatizou o programa conhecido por IPS (Individual Placement and Support), ou Suporte e Colocação Individual. Por ele, o paciente recebe treinamento e suporte contínuo, enquanto trabalha, através de um treinador de trabalho (job coach). Este profissional é capaz de orientá-lo e ajudá-lo nas necessidades que surgirem, avaliando junto à equipe médica cada etapa. Apesar do treinamento prévio, 60% do tempo do programa é com o paciente na comunidade e enfrentando os desafios do dia-a-dia. Entre os especialistas existe, inclusive, a percepção de que uma etapa de treinamento muito longa e exaustiva prejudica o retorno.

“Antes do retorno é preciso investigar os estressores e a relação do paciente no ambiente de trabalho. O treinamento ajuda a reforçar os pontos fracos e a preparar o paciente para os conflitos identificados pelo treinador”, afirma Dr. Keith. Este programa recebeu 74% de aprovação entre os pacientes, 86% retornaram ao trabalho dentro de um prazo de seis meses e 90% permanecem trabalhando 18 meses depois. A eficácia é quase duas vezes superior ao grupo que voltou a trabalhar sem participar do programa. “Isto mostra a necessidade de metodologias voltadas para a reinserção no mercado de trabalho e isto precisa ser incorporado no arsenal terapêutico da esquizofrenia se quisermos recuperar melhor nossos pacientes para uma vida mais produtiva”, conclui.

Dr. Barnaby Major, da Universidade de Londres, reforça que o objetivo final não é o trabalho em si, mas a qualidade de vida e a auto-estima dos pacientes, e que o melhor momento de voltar ao trabalho deve ser decidido por eles. “Eles participam de grupos de psicoeducação e de treinamento para o trabalho até sentirem-se preparados e aptos”. O programa de volta ao trabalho inclui pacientes que participam de programas de intervenção precoce, ou seja, aqueles que tiveram um único surto ou que apresentam sintomas da esquizofrenia, mas ainda não surtaram. “Quanto mais cedo nos preocuparmos com a reabilitação vocacional, maiores serão as taxas de retorno ao trabalho e menores os índices de cronificação, pois o trabalho contribui para o sentimento de valor e inserção social, elevando a auto-estima, reduzindo o estigma e ampliando o sentido de recuperação”, conclui.

Dr. Eion Killackey, da Universidade de Melbourne, enfatizou que programas de intervenção precoce e trabalho em saúde mental devem ser uma prioridade de governo e citou o plano de estratégias em Saúde Mental traçado pelo Governo Australiano até 2019. O Victorian Mental Health Reform Strategy 2009-2019 foi desenvolvido por consumidores, profissionais e autoridades do sistema de saúde australiano e reúne os compromissos para ampliar a participação das pessoas portadoras de doenças mentais graves na comunidade na próxima década. Projeto semelhante e conhecido por RAISE (Recovery After na Initial Schizophrenia Episode) foi desenvolvido pelo Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA e preocupa-se em melhorar a participação social e a recuperação dos pacientes portadores de esquizofrenia.

6 de maio de 2010

Professores dizem que psiquiatria transformou depressão em doença da moda


Os norte-americanos Jerome Wakefield e Allan Horwitz são professores de universidades e especialistas em diagnósticos de transtornos mentais

A partir de suas pesquisas, escrevem "A Tristeza Perdida", livro em que esmiúçam a forma como a depressão vem sendo tratada por médicos e psicólogos.

Para os autores, a psiquiatria contemporânea confunde tristeza normal com transtorno mental depressivo. E o faz porque ignora a relação entre os sintomas e o contexto em que eles aparecem. O subtítulo do livro --"como a psiquiatria transformou a depressão em moda"-- marca a posição dos professores em relação ao tema.

Wakefield e Horwitz analisam, ao longo de 11 capítulos, questões como o conceito de depressão e de depressão no século 20, o aumento significativo do consumo de antidepressivos e o impacto da patologia na sociedade.

Examinando evidências históricas, filosóficas e psicologias, ambos questionam se a psiquiatria atual distingue com ética e eficácia o que é normal e o que é patológico.


CLIQUE AQUI e leia o prefácio e as primeiras páginas do livro


Fonte: Associação Brasileira de Psiquiatria

Elyn Saks e a comovente história de quem superou a esquizofrenia

A partir deste mês o Blog do Dr Leonardo Figueiredo Palmeira irá abordar através de seus artigos mensais os principais temas da Segunda Conferência Internacional da Sociedade de Pesquisa em Esquizofrenia, realizada em abril deste ano em Florença, Itália.


O primeiro artigo é sobre a conferência de abertura, ministrada pela Doutora Elyn Saks (foto), professora de Direito da Universidade da Califórnia do Sul, autora do livro “The Center Cannot Hold: My Journey Through Madness*” (sem tradução para o português), onde ela conta sua batalha pessoal contra a esquizofrenia.

Elyn Saks adoeceu na adolescência, mas só veio a aceitar a doença vinte anos depois de tentar lutar sozinha contra as alucinações terríveis e as paranóias que tinha. Iniciava e parava os tratamentos, se recusava a tomar as medicações, que, segundo ela, lhe traziam muitos efeitos colaterais e a faziam se sentir artificial.

“Eu tinha um pensamento incontrolável de que meu terapeuta era o demônio e que poderia me matar. Era um delírio que me distanciava do tratamento”, recorda-se.

Na infância lembra-se que tinha algumas manias e obsessões, só podia se levantar da cama se seus chinelos estivessem virados para cima e postos lado a lado. Por muito tempo cismou que havia um homem que durante a noite ficava do lado de fora de sua casa, aguardando-a dormir para entrar e matar sua família.

“O primeiro sinal real de psicose, que eu me lembre, foi aos 15 ou 16 anos, quando eu matei a escola (coisa que eu jamais faria) e corri para casa. No caminho tinha a nítida impressão que as casas da rua me mandavam mensagens: você é má, você é o diabo, tome cuidado, nós vamos te pegar”, conta Elyn.

Ela emagreceu muito, ficou muito abatida, se isolou de todos na escola e, depois, na faculdade. “Eu não queria falar com ninguém, pois achava que assim eu espalharia minha maldade para todo mundo”, explica. “Quando cheguei ao hospital e me olhei no espelho, tomei um susto. Estava irreconhecível, muito abatida, descuidada. Pensei: qualquer um que olhasse para mim perceberia que estava louca”.

Somente aos 40 anos convenceu-se de que a doença não iria embora sozinha e que precisava da medicação e da psicoterapia. “Por 20 anos eu lutei com a aceitação. Ironicamente, quanto mais eu aceitava que tinha uma doença mental, menos a doença me dominava – até o ponto em que me libertei. É como se destrancasse uma porta que sempre esteve à minha frente, mas que, por medo, relutava abrir. Agora sinto que não tem mais volta. Desde então, passei a levar muito a sério a medicação e minha psicoterapia”, enfatiza.

Os médicos diziam lhe que alguém que sofria de esquizofrenia não tinha qualquer esperança de sucesso profissional e alguns lhe pediram que abandonasse a faculdade de direito. Mas Elyn continuou seus estudos, não só se formou, como hoje é uma renomada professora e pesquisadora de sua área. Em 2001 casou-se com Will, “que trouxe mais humor para a sua vida”. É o companheiro que a ajuda nos momentos mais difíceis e de maior estresse. “É ele quem me alerta de possíveis sinais e comportamentos que indiquem alguma recaída”, acrescenta.

Mesmo em tratamento e bem, ela não se descuida. “A psicose não é como um botão que você liga ou desliga, é como um dimmer, que você regula o nível de intensidade. Neste momento eu conheço minha doença muito bem e não é tão incomum assim eu ter algum tipo de pensamento psicótico. Então eu falo para mim mesma: é apenas a minha doença atuando. Mesmo nos períodos em que começo a acreditar nas minhas maluquices, penso no que as outras pessoas vão pensar e me controlo para não parecer louca. É a forma como procuro me livrar dos sintomas”.

Ela escreveu este livro para dar esperança às pessoas que sofrem de esquizofrenia e para que as outras pessoas compreendam melhor a doença. “Espero que esta história ajude a implodir os mitos que cercam a doença mental”, conclui.

Ao final de sua palestra, Elyn listou aquilo que considera ser fundamental na recuperação de uma pessoa que sofre de esquizofrenia:

1) Tomar a medicação corretamente
2) Viver com a família ou com animais de estimação: ela destaca o papel dos bichos de estimação, como cães e gatos, na recuperação de esquizofrênicos.
3) Evitar o isolamento
4) Envolver-se espiritualmente (igreja, religião)
5) Hábitos saudáveis de vida como exercícios físicos e alimentação saudável
6) Evitar drogas e álcool
7) Evitar atividades e ambientes superestimulantes ou estressantes
8) Evitar ambientes com muita gente e viagens muito longas
9) Trabalhar em um ambiente acolhedor
10) Participar de serviços ou grupos de recuperação/ressocialização
11) Fazer psicoterapia

* O livro de Elyn Saks ainda não foi traduzido para o português, mas pode ser encontrado em inglês em livrarias que vendem pela internet.

2 de abril de 2010

Congresso Mundial sobre Esquizofrenia


Especialistas do mundo inteiro se reúnem em Florença, Itália, para o segundo congresso da Sociedade Internacional de Pesquisa em Esquizofrenia, entre 10 e 14 de abril. Os maiores pesquisadores da área são esperados num evento que discutirá amplamente os avanços no campo da pesquisa, como promessas de novos medicamentos, estratégias de reabilitação psicossocial e de terapia familiar e novas descobertas da genética e da neurobiologia da esquizofrenia.


Estarei lá e enviarei as principais novidades através do Portal Entendendo a Esquizofrenia e do blog! Em função disso, peço desculpas por eventuais atrasos nas respostas às mensagens aqui postadas. Retorno em 25 de abril.

Notícia: Sibutramina agora só com a receita azul

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária decidiu que a Sibutramina, medicamento mais prescrito para emagrecer, só poderá ser vendida através da receita controlada azul (tipo B). Em dezembro de 2009 a substância foi proibida na comunidade européia e teve sua venda restingida nos EUA pelo FDA, órgão regulador norte-americano. Houve relatos e comprovação de que a sibutramina pode causar eventos cardiovasculares como isquemias e IAM em pessoas predispostas ou portadoras de doenças cardíacas ou diabetes. Todo o paciente com obesidade deve ser submetido à avaliação clínica antes de utilizar a sibutramina.

Achado gene relacionado à esquizofrenia

Uma mutação genética que bloqueia a comunicação entre duas áreas do cérebro responsáveis pela memória seria uma das causas da esquizofrenia, segundo revelou estudo publicado ontem na “Nature”

O trabalho mostrou que a alteração conhecida como 22q11, comum em pacientes esquizofrênicos, impede o fluxo de informação entre o hipocampo e o córtex pré-frontal.

— Mostramos que essa mutação específica atrapalha a comunicação entre essas duas regiões cerebrais, provocando problemas cognitivos — afirmou Joshua Gordon, da Universidade de Columbia. — Este é o primeiro passo. Com um pouco mais de estudo e compreensão sobre o que ocorre nessas áreas, poderemos desenvolver terapias que ajudem a restabelecer a comunicação entre essas regiões.

Caracterizada por alucinações e pensamentos desordenados, a esquizofrenia é bem mais comum em homens do que em mulheres e, normalmente, é diagnosticada no fim da adolescência ou início da idade adulta. Estima-se que a condição afete uma em cada 100 pessoas.

Embora existam drogas no mercado capazes de controlar a doença, elas não curam a desordem e podem ainda provocar efeitos colaterais severos, como ganho de peso excessivo.

O estudo foi feito com camundongos — metade deles com a mutação comumente presente nos pacientes esquizofrênicos.

Os cientistas registraram a atividade mental dos roedores submetidos a um teste de memória. O sucesso na tarefa dependia diretamente da comunicação entre as duas regiões do cérebro. Os registros feitos revelaram que os animais portadores da mutação não conseguiam realizar o teste.

Fonte: Jornal O Globo (01/04/10)

13 de fevereiro de 2010

Entrevista no Portal Consulte sobre Esquizofrenia


Leiam a primeira parte da entrevista com Dr. Leonardo Palmeira sobre "O que é, Causas e Sintomas da Esquizofrenia" no Portal Consulte em www.portalconsulte.com ou CLIQUE AQUI

11 de fevereiro de 2010

A vulnerabilidade ao estresse: onde começa e onde termina a doença mental?



Por: Dr. Leonardo Palmeira

Pouco se sabe sobre a origem dos transtornos mentais, mas já é bem estabelecido que fatores genéticos e ambientais convergem para o adoecimento. A hereditariedade é um aspecto importante, já que muitos pacientes apresentam um histórico familiar positivo para distúrbios mentais. Entretanto, é comum que os transtornos mentais na família sejam diferentes, por exemplo, um tem depressão, o outro tem Transtorno do Pânico e um terceiro é bipolar.

Estudos genéticos têm associado diversos genes a diferentes distúrbios mentais, mas têm encontrado genes comuns a mais de um transtorno. No caso da esquizofrenia e do transtorno Bipolar (TBH), onde se tem maior robustez científica, vários genes (disbindina, DISC I, COMT, neuroregulina, dentre outros) foram encontrados tanto em pacientes esquizofrênicos como bipolares.

Isto nos leva a um questionamento: seriam os genes específicos para o transtorno A ou B ou eles predisporiam a pessoa ao adoecimento qualquer que fosse a síndrome? E sendo esta segunda hipótese verdadeira, o que faria com que a pessoa desenvolvesse depressão e a outra esquizofrenia?

Isso poderia explicar também porque familiares com a mesma carga genética não adoecem, enquanto outros desenvolvem transtornos mentais graves. Ou seja, embora a genética seja importante, ela não é preponderante. Entram em jogo fatores ambientais, o temperamento e a personalidade da pessoa, que podem tanto protegê-la, como empurrá-la para uma síndrome.

É neste contexto que entra um conceito da década de 70, a vulnerabilidade da pessoa ao estresse, ou seja, sua incapacidade de resistir às pressões, traumas e desgostos da vida, aos quais todos estamos expostos. Naquela época já se dizia que o que poderia ser inato não era a doença mental, mas a vulnerabilidade pessoal de desencadeá-la. E que ter ou não a doença dependeria de inúmeras variáveis, como criação, temperamento, personalidade, posturas e hábitos de vida, traumas, etc.
Pelo conceito de vulnerabilidade, um dos princípios fundamentais para a saúde de um organismo, é manter sua homeostase, seu equilíbrio fisiológico. Se estamos com sede ou precisamos saciar nossa fome, é porque nosso organismo detectou alguma ameaça à nossa homeostase e nos alertou a prontamente agirmos para seu reequilíbrio. As células do nosso corpo também agem sob este princípio. Este seria uma espécie de pulsão vital.

Quando algo de estressante ou desagradável nos ocorre, também agimos para buscar um alívio e restabelecer as condições de felicidade. Experimentamos, nestes momentos, mesmo que seja por um breve período, uma sensação de angústia ou aflição, perdemos algumas noites de sono, ficamos sem apetite, mas logo nos recuperamos e estabelecemos o status quor.

Nessa hora entram em cena o que psiquiatras chamam de disposição e capacidade de enfrentamento. São ferramentas que utilizamos para resolver assertivamente os problemas da vida. O que ocorre em pessoas vulneráveis, é que a disposição e sua capacidade para solucionar seus problemas não são suficientes para recuperar a homeostase, seja porque o trauma ou o infortúnio da vida é muito grande, difícil de transpor, seja porque sua disposição e capacidade de enfrentamento não estão adequadas. O sofrimento psíquico, então, se prolonga e ganha contornos dramáticos, uma vez que a pessoa não vê saída.

A genética pode explicar, em parte, porque alguns são mais vulneráveis, porque uns surtam diante de um problema e outros apenas se abalam, mas conseguem se reequilibrar. Mas certamente que a genética não atua isoladamente. As influências do temperamento (também inato) e da personalidade (adquirida através da criação, das experiências emocionais no início da vida) são de suma importância. Algumas pessoas têm verdadeiro tropismo para problemas, envolvem-se em relacionamentos conturbados, têm condutas de risco, expõem-se a drogas, enfim, criam consciente ou inconscientemente uma atmosfera propícia para o estresse e se colocam em risco o tempo todo para o adoecimento psíquico. É como se colocassem em cheque toda a sua capacidade de enfrentamento, mas se esquecem que o estresse crônico mina sua própria resistência.

O tratamento psiquiátrico, através de medicamentos, procura aliviar os sintomas para aguçar a percepção e permitir que a pessoa possa recuperar suas habilidades de enfrentamento para lidar com a situação adversa. Muitos quadros psiquiátricos vêm acompanhados de alterações cognitivas, como da atenção e da memória, que dificultam à pessoa planejar sua vida e tomar decisões acertadas para reestruturá-la. Neste sentido, a manutenção dos sintomas aprisiona a pessoa em seu marasmo atual, impedindo que ela evolua e saia do quadro.

A psicoterapia é outro ponto fundamental. Medicações podem atuar a curto prazo e devolver à pessoa alguma estabilidade, mas é através da psicoterapia, compreendendo seus pontos fracos e trabalhando para aperfeiçoar suas habilidades de enfrentamento, que a pessoa reunirá condições psicológicas para um dia interromper os medicamentos e seguir sua vida.

Mas as medicações podem ser essenciais para que a psicoterapia de fato aconteça. É comum que num quadro agudo a pessoa circule em círculo, sem conseguir perceber e elaborar suas questões, impedindo, assim, a progressão do tratamento. Por isso o tratamento aliado (medicação e psicoterapia) é comprovadamente mais eficaz do que os tratamentos isolados.

Um aspecto que considero fundamental na recuperação de longo prazo é a mudança de hábitos, comportamentos e atitudes diante das situações de vida, como trabalho, relacionamento, família. Muitos pacientes perceberão, através do tratamento, erros que podem predispô-los a um novo episódio e imprimirão mudanças em seus comportamentos para evitar a repetição.

A maior parte das recaídas ocorrem por fatores sociais ou biológicos que se repetem ao longo dos anos. No caso dos fatores biológicos, a identificação é importante para determinar se aquela pessoa precisa de um tratamento preventivo, inclusive através de medicamentos. É o caso das depressões sazonais, em que a pessoa desenvolve um episódio depressivo sempre no inverno e isso independe de outros fatores sociais. É o caso de algumas apresentações de transtornos cíclicos, como o transtorno bipolar e a esquizofrenia, em que a pessoa, p.ex, tem um episódio uma ou duas vezes por ano. Quando se percebe um padrão de recorrência claro, talvez seja negócio tratar continuamente a fim de se evitar a próxima recaída.

Mas grande parte dos quadros psiquiátricos não apresenta um padrão claro de recorrência (embora possa ser recorrente) que sugira um gatilho biológico para uma nova crise. Eles recorrem muitas vezes por repetição ou manutenção de fatores psicossociais geradores de estresse. A esquizofrenia, doença mental mais consolidada pelas pesquisas científicas, sofre fortes influências do meio em que a pessoa vive. Tem sido comprovado que o estresse proveniente da convivência familiar pode determinar se um paciente terá mais ou menos crises psicóticas. Esquizofrênicos com famílias compreensivas e colaborativas com o tratamento e a reabilitação tem até 70% menos recaídas e hospitalizações do que aqueles que possuem famílias críticas ou hostis. O mesmo pode ser aplicado a pacientes com outros transtornos, como TBH, TOC, Borderline, entre outros.

Então, um dos enfoques do tratamento é mudar os fatores do ambiente sócio-familiar que estão interferindo no processo de adoecimento. Ambientes como trabalho, círculos sociais, amizades prejudiciais seguem o mesmo raciocínio. Sempre que houver uma sobrecarga emocional ou estresse, pode ocorrer um desequilíbrio da homeostase, aumentando a vulnerabilidade da pessoa a um novo episódio da doença.

E porque muitas pessoas tomam remédios a vida toda? Primeiro é preciso separar aquelas que precisarão da medicação por apresentarem doença mais grave, crônica ou recorrente, sendo a medicação um fator preventivo de suma importância. Mas mudar comportamentos, hábitos, estilos de vida não é simples e muitos relutam e, por isso, agarram-se às medicações. É como emagrecer. A maioria quer tratamentos de resultados rápidos, como medicamentos, cirurgias, em detrimento de dietas demoradas e atividades físicas. Porém, qual resultado durará mais tempo? Emagrecimentos rápidos estão relacionados a ganho posterior de peso, enquanto àqueles com mudança real dos hábitos alimentares e do estilo de vida mantém-se magros para a vida toda. Vinte anos após o surgimento da cirurgia bariátrica (para redução de peso) já assistimos a pacientes operados que recuperaram seu peso antes da cirurgia.

Em suma, a transformação pessoal para uma vida mais feliz e sem episódios psiquiátricos precisa partir de dentro para fora, com a ajuda de medicamentos e psicoterapia, mas não pode se furtar de mudar o meio em que a pessoa vive. A cura está na capacidade de reduzir a sua vulnerabilidade e de aumentar sua capacidade de enfrentamento às situações da vida.

Para entender mais sobre a biologia dos transtornos mentais CLIQUE AQUI

10 de fevereiro de 2010

Ômega 3 previne doenças mentais, inclusive esquizofrenia



Pesquisa diz que a gordura ômega 3 de espécies como o salmão previne psicoses


Um novo estudo mostra que consumir cápsulas de óleo de peixes de água fria, como salmão, atum e sardinha, ricos em ácidos graxos ômega 3, ajudaria a prevenir problemas mentais. Em artigo publicado na revista especializada “Arquivos de Psiquiatria Geral”, os autores afirmam que o uso desses suplementos por três meses parece ser tão eficaz quanto remédios. Este tipo de gordura reduziu em 25% o índice de doenças psicóticas, incluindo esquizofrenia.

Os cientistas realizaram a experiência com 81 indivíduos, de 13 a 25 anos, com um alto risco para transtornos psicóticos. Eles já apresentavam sintomas moderados de psicoses ou tinham história familiar de transtornos mentais, como esquizofrenia. Metade tomou suplementos de óleo de peixe (1,2g de ácidos graxos ômega 3) durante 12 semanas.

A outra parte recebeu apenas placebo (substância inócua). Os grupos foram acompanhados por um ano pela equipe de Paul Amminger, principal autor do estudo.

Embora o número de participantes não seja muito alto, o resultado foi significativo.

No grupo que ingeriu suplementos, dois manifestaram transtorno psicótico. No grupo placebo, este número chegou a 11. Para os autores, o ômega 3 interfere de forma positiva, restaurando os neurônios no cérebro, e a descoberta oferece esperança de ter opções além de fármacos, que causam efeitos adversos importantes, como aumento de peso e disfunção sexual.

Estudo brasileiro tem resultado semelhante No início deste mês, um estudo com ratos, no laboratório da Disciplina de Neurologia Experimental da Unifesp, revelou que o ômega 3 é capaz de regenerar neurônios, o que pode abrir caminho para o desenvolvimento de drogas para regenerar o cérebro de pessoas com epilepsia e alguns tipos de demência. Os resultados são promissores, mas precisam ser confirmados.

Fonte: O Globo (03/02/10)

2 de fevereiro de 2010

O estresse posto à mesa: pessoas estressadas comem mais.



Leiam o artigo publicado no site sobre saúde e bem estar Vya Estelar, que aborda muito bem como o estresse pode estar associado à obesidade e compulsão alimentar.

Pessoas expostas ao estresse comem mais

Dentre as queixas mais comuns entre os pacientes que procuram tratamento médico e nutricional para a obesidade, cerca de 80% relacionam seu ganho de peso ao estresse. “Na verdade, algumas características da vida moderna podem estar intimamente relacionadas a um balanço energético positivo, levando ao ganho de peso.

Dentre elas, podemos citar alimentação inadequada, sedentarismo e mais recentemente, o estresse”, diz a endocrinologista Ellen Simone Paiva.

Os fatores estressores da sociedade moderna são frutos da rotina puxada das empresas, das relações familiares e sociais, além de fatores intrínsecos, como a privação de sono, por exemplo. Geralmente, o corpo humano responde ao estresse através de adaptações físicas ou comportamentais, aumentando o estado de alerta diante de novas situações, a tolerância à dor e a produção e liberação de substratos energéticos dos estoques corporais, principalmente sob a forma de glicose e gordura. “Esses substratos em excesso são conhecidos por causarem alterações metabólicas ligadas à obesidade e ao diabetes. Será esta a relação possível? Ou seja, será esse o elo que liga a obesidade ao estresse da vida moderna?”, questiona a médica.

A reação normal e a patológica ao estresse

Até certo ponto o estresse pode ser benéfico e conduzir o indivíduo a alcançar metas importantes no trabalho e na vida pessoal. A curto prazo, na maioria das vezes, o organismo se reequilibra, sem comprometimento da saúde física e mental. A reação normal esperada a um fator estressor pode se manifestar com enfretamento ou fuga. “Algumas vezes, a resposta não atende a nenhuma dessas condições e o indivíduo não consegue nem se engajar na luta, nem na fuga do agente estressor, sofrendo as consequências do estresse de maneira a gerar um estado de fragilidade a várias doenças, principalmente quando ele é intenso e prolongado”, afirma.

Exposição ao estresse e compulsão alimentar

O hábito de comer talvez seja um dos fatores que mais sofre as repercussões do estresse da vida moderna. “Os relatos são unânimes: as pessoas comem muito mais quando expostas a fatores estressores, podendo ocorrer queixas de fome excessiva, comportamento beliscador e até uma necessidade patológica de consumir grandes volumes de alimentos: a compulsão alimentar”, destaca a endocrinologista.

Um fato intrigante, relata Ellen Paiva, são os relatos de alguns pacientes, que não encontram explicação para o volume alimentar consumido e afirmam categoricamente que mesmo comendo pouco, ganham peso. Esse fato tem levantado a questão do papel do estresse na origem da obesidade, independentemente da alimentação.

Efeitos da privação do sono

Nos últimos 30 anos, a média de sono noturno das pessoas sofreu uma redução de 8/9 horas para 6/7 horas. Entre os americanos, a média de sono é ainda menor, uma vez que 30% deles dormem menos do que 6 horas por noite. Vários estudos recentes têm relacionado a privação do sono com a ocorrência aumentada de obesidade e de diabetes tipo 2. “A privação do sono pode estar relacionada à obesidade através de vários fatores. O primeiro deles trata-se de um estado de estresse crônico. Além disso, várias alterações hormonais induzidas pela privação de sono podem influenciar o ganho de peso, como é o caso da grelina e leptina, hormônios relacionados ao controle da fome e da saciedade”, diz.

Hormônios do estresse e o ganho de peso

Um fator importante na busca pelas causas da obesidade foi a constatação de que nos quadros de estresse, notamos um aumento de alguns hormônios relacionados à obesidade. Tratam-se dos corticoides, ou a conhecida cortisona, que tem a capacidade de aumentar o peso de pacientes, quanto utilizada sob a forma de medicamento, e até quando produzida em excesso pelo organismo, em algumas doenças. “Será que o estressado crônico poderia engordar pelo excesso de corticoide, mesmo sem comer muito?”, questiona a médica.

“Nossas dúvidas não estão sanadas a esse respeito, uma vez que muitos indivíduos estressados e com elevação da cortisona não engordam e, por outro lado, muitos obesos estressados não expressam aumento do seu corticoide endógeno. Por isso, muito provavelmente, a diferença entre esses pacientes é o volume de alimentos ingeridos”, afirma Ellen Paiva.

A conclusão é que o estresse pode sim ser um fator favorecedor da obesidade, principalmente pelo aumento da resistência insulínica, pelas alterações dos hormônios relacionados à fome e à saciedade, pela privação do sono e até mesmo pelo excesso de corticoide. “Mas o maior fator associado ao ganho de peso é comportamental. O que engorda é o balanço energético desfavorável: a associação da ingestão excessiva de calorias somada ao sedentarismo”, conclui a endocrinologista.

Fonte: Vya Estelar

26 de janeiro de 2010

Notícia: remédio mais popular para emagrecimento, a sibutramina, tem sua venda proibida na Europa

A notícia saiu no jornal O Globo de hoje (26/01/10) e alerta para riscos de infarto e derrame causados pela sibutramina. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) irá analisar até o final desta semana se também proibe a venda da substância no Brasil, atualmente a lider de vendas para emagrecimento. Nos EUA, o FDA, órgão regulador, restringiu a prescrição de sibutramina e alertou os médicos sobre possíveis riscos à saúde.

Leiam a notícia do site O Globo:

A Agência Europeia de Medicamentos proibiu esta semana a venda da sibutramina, atualmente a droga para emagrecer mais usada no Brasil e nos Estados Unidos, de acordo com informações do British Medical Journal (BMJ). Nos EUA, o medicamento teve sua venda restrita em dezembro após uma avaliação da Food and Drug Administration (FDA), que observou que a droga aumenta o risco de infartos e derrames.

Segundo a agência europeia, os riscos da sibutramina superam seus benefícios. Junto com a proibição, foram divulgados dados do estudo "sibutramine cardiovascular outcomes trial (SCOUT)", que mostrou que o risco de infarto do miocárdio aumenta 16% em pessoas que tomam o medicamento. Em artigo publicado no BMJ, os pesquisadores da Agência Europeia de Medicamentos afirmam que "médicos não devem mais prescrever este medicamento, e farmacêuticos não devem tê-lo em estoque. Pacientes que tomam a sibutramina devem consultar um médico e discutir formas alternativas de perder peso".

Fonte:

http://oglobo.globo.com/vivermelhor/mat/2010/01/25/sibutramina-remedio-de-emagrecimento-mais-popular-no-mundo-tem-venda-proibida-na-europa-915698597.asp

EM TEMPO: A ANVISA DECIDIU NÃO PROIBIR A SIBUTRAMINA NO BRASIL, MAS PROPÔS ALGUMAS RESTRIÇÕES:

A partir da análise do estudo, a Anvisa recomenda a contra indicação do uso de medicamentos à base de sibutramina para pacientes com perfil semelhante aos incluídos no estudo SCOUT:

a) Pacientes que apresentem obesidade associada à existência, ou antecedentes pessoais, de doenças cardio e cerebrovasculares;


b) Pacientes que apresentem Diabetes Mellitus tipo 2, com sobrepeso ou obesidade e associada a mais um fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

A Anvisa, por meio da Câmara Técnica de Medicamentos (Cateme) fará nova avaliação do estudo, com o objetivo de investigar os níveis de segurança do medicamento em pacientes com perfis distintos dos já estudados. Essa avaliação poderá levar a Agência a determinar outras medidas restritivas ao uso da substância.

Fonte: site ANVISA

22 de janeiro de 2010

Leite materno previne problemas mentais em crianças


Sempre é bom lermos estudos que comprovam aquilo que todos já imaginavam. A amamentação é fundamental para a saúde psíquica de uma criança, inclusive com repercussões positivas para a vida adulta. A Organização Mundial de Saúde recomenda a amamentação exclusiva até os 6 meses de idade e depois até os 2 anos de idade.


Bebês amamentados por mais de seis meses apresentam melhor saúde mental

Estudo feito por pesquisadores australianos diz que o leite materno protege as crianças de transtornos mentais, como depressão, ansiedade, problemas de comportamento, entre outros. Eles afirmam que bebês amamentados por mais de seis meses apresentam melhor saúde mental.

Uma hipótese é que o contato com a mãe tem um efeito positivo no desenvolvimento de aspectos neuroendócrinos necessários à resposta ao estresse (fator de risco para danos psiquiátricos). Outra explicação é que o leite materno tem ácidos graxos e componentes bioativos essenciais para o desenvolvimento.

A equipe de Wendy Oddy, do Instituto Telethon de Investigação da Saúde Infantil, iniciou a pesquisa em 1989, acompanhado 2.900 mulheres na metade da gestação. Os autores anotaram todos os dados da família e a forma de alimentação dos bebês (leite materno ou artificial) e período de amamentação. De 2.366, 11% não receberam leite do peito; 28% tomaram leite materno de seis meses a 12 meses, e 24% mais de um ano.

As mães mais jovens, com 12 anos ou menos de estudos, mais estressadas e que fumaram durante a gravidez estão no grupo que deram o peito por menos de seis meses. E, segundo os autores, um curto período de amamentação está relacioanado com aumento da incidência de doenças mentais.


Fonte: O Globo, 19/01/10

18 de janeiro de 2010

Entendendo a Esquizofrenia agora no Twitter


Você pode acompanhar o blog e o Portal Entendendo a Esquizofrenia agora também pelo Twitter. Basta acessar:




12 de janeiro de 2010

Avalie seu temperamento e participe da pesquisa online.

Esta é uma pesquisa séria do grupo do Dr. Diogo Lara, da PUC de Porto Alegre, e que quer avaliar o temperamento dos brasileiros para relacioná-lo aos principais distúrbios mentais.

Foi baseado em um de seus livros, Modelo de Raiva e Medo, que desenvolvi o teste de temperamento deste blog. É muito útil na prática clínica conhecer melhor o temperamento do paciente. Isso ajuda no tratamento, tanto psiquiátrico como psicoterápico, como orienta o paciente quanto aos pontos fortes e fracos que precisam ser melhorados para uma vida mais tranquila e feliz.

A pesquisa está disponível pela internet e recomendo a todos que participem. Basta acessar www.temperamento.com.br

Veja abaixo a reportagem que foi ao ar hoje no Jornal Hoje, da TV Globo.



Médicos brasileiros estão desenvolvendo uma pesquisa que pode ajudar no tratamento de doenças comportamentais, como depressão, ansiedade e estresse. O estudo procura voluntários em todo país. Você pode participar de casa porque as informações são colhidas pela internet. E você recebe, de graça, a avaliação de uma equipe médica.

Os médicos já sabem: de 35% a 50% da população têm algum tipo de transtorno psiquiátrico. O problema é que a maioria não procura ajuda por falta de informação ou preconceito.

“Cada vez mais estão surgindo evidências de que o comportamento da pessoa, seu jeito de ser, está relacionado com as doenças mentais que a pessoa pode vir a manifestar e também com a forma que essa doença se manifesta na pessoa”, esclarece Gustavo Ottini, psiquiatra.

E há vários tipos de transtornos. Por exemplo, 10% da população já teve ou terá depressão ao longo da vida. Mulheres, pessoas com stress provocado por doenças ou que tiveram perdas em geral, como relacionamentos ou trabalho são as mais afetadas. Elas apresentam sintomas como falta de vontade, tristeza e perdem o prazer em atividades que antes gostavam de realizar.

Entre os homens a irritabilidade também chama a atenção e para saber como o temperamento influencia ou é influenciado pelos transtornos psiquiátricos um grupo de pesquisadores da PUC, de Porto Alegre, criou uma pesquisa na internet.

Qualquer pessoa com mais de 18 anos pode participar. Bastar ter um computador ligado à internet e um endereço eletrônico. O voluntário não precisa se identificar. E depois de responder o questionário, ele recebe na hora uma avaliação psicológica.

Uma espécie de mapa comportamental. A pessoa fica sabendo como estão os níveis de medo, sensibilidade, controle, vontade, se está ansioso, apático. Um diagnóstico rápido que pode servir para o início de um tratamento. A ideia é coletar os dados de 50 mil voluntários. Para os médicos, a estatística final pode ajudar nos consultórios.

“A escala de temperamento que a gente desenvolveu pode ser útil depois para consultórios de psicólogos e psiquiatras para antecipar o perfil do paciente e de que maneira aquela pessoa pode ter mais ou menos chances de desenvolver os transtornos psiquiátricos. Então abreviaria e ao mesmo tempo deixaria mais completa a avaliação, em pouco tempo”, diz Diogo Lara, psiquiatra.

Heloísa comemora os avanços que teve depois que descobriu e começou a tratar a depressão. Para ela, se conhecer é o primeiro e mais importante passo para viver melhor. “Tem coisas que são do temperamento, que de repente é normal. E outras que seriam transtornos psiquiátricos e a pessoa já vai se encaixar nisso e talvez procurar ajuda. Fica muito mais fácil”, comenta Heloísa Galvão, aposentada.

Fonte: Site G1 - Jornal Hoje - 12/01/2010

11 de janeiro de 2010

Nem tudo é depressão.

Vale a pena ler o texto do juiz Afif Simões Neto, publicado no jornal Zero Hora do dia 05/01/10, que aborda como a depressão caiu no senso comum das pessoas.


Tristeza já era. Agora tudo é depressão


Afif Simões Neto, juiz de Direito.

Faleceu a estimada tristeza, uma senhora de gestos comedidos, vestimenta adequada às circunstâncias, exemplo de sobriedade. Não se dá mais o direito ao necessário exílio voluntário, à espera de que o desencanto decorrente de algum infortúnio pessoal vá embora tal como de manso se chegou. Antes, quando os anos transcorriam a passo de boi de canga, a melancolia era encarada como um estado de espírito variável, influenciado inclusive pela mudança da lua, das estações, da chegada esguia do vento norte.

Agora tem sempre por perto um entendido em curto-circuito mental para sentenciar: o que tu tens é um profundo quadro de depressão. Pra quê! Começa aí, caso o veredicto seja aceito sem o esboço da reação, a vagarosa caminhada em direção ao autoaniquilamento, triste fim para quem estava apenas triste com determinado fim.

Nos memoráveis tempos da brilhantina, se um sujeito levava da namorada um bicudo bem dado no traseiro, recolhia-se em copas, tomava de dois a três porres bem tomados e partia pra outra, sem muita encucação ou crises existenciais. Era bola pra frente e zero a zero no placar do jogo temerário do amor. Hoje, a perda da mulher amada exige acompanhamento psicológico e psiquiátrico, como se dor de guampa pudesse ser curada com antidepressivos ou conversa no divã. Virou chiquérrimo estar deprimido. Coisa de gente endinheirada, dos famosos da televisão, de quem tem café no bule. Ou vocês conhecem um único auxiliar de pedreiro – também conhecido nas hostes da construção civil como meia-colher – que padeça desse mal? Pobre tem outras preocupações, incuráveis todas elas sob o ponto de vista da medicina ortodoxa. Pagar a conta da água, da luz, de arrumar comida pra miuçalha que berra de fome, isso quando ainda existe gás no bujão.

Mas é nos velórios que aflora toda a tristeza geneticamente escandalosa daquela gente humilde que o Chico cantou como perito. Grita, sapateia, abraça o morto com caixão e tudo. Na hora de fechar a tampa, acena com a possibilidade de ir junto, ainda que o espaço na condução seja reduzido. Passada a fase do luto fechado, a vida vai adquirindo aos poucos o seu tranco rotineiro, dispensada a ajuda da indústria farmacêutica. Já o esnobe abonado emergente – ou o que se acha como tal – sai direto do cemitério para a sala de espera dos consultórios médicos, devidamente “paleteado” por algum membro da família. E, então, dê-lhe se entupir de remédios de tarja preta, cujos efeitos colaterais transformam-se lentamente na própria depressão que se pretende combater. É a degradação causada pela cura. Troço meio doido, mas é assim mesmo que funciona, embora simplória a comparação.

Sobre isso, a propósito, li um comentário na internet muito interessante. Um cara deu a ideia – coisa de gênio – de que a sociedade politicamente organizada bem que poderia treinar pobres para ajudar ricos deprimidos a ficarem curados! Assim, pelo menos criaria emprego e geraria renda para a penúria dos casebres. Além do bolsa-família e do vale-pílula, haveria o bolsa-banzo!

Sem querer me tornar presunçoso, a figura do violão é capaz de explicar essas diferenças anímicas. Qualquer música pode-se tirar das cordas tangidas, desde a valsa dolente até um limpa-banco, de acordo com a vontade de quem a faz ressoar. Enquanto a corda estiver inteira, haverá ruído, harmonioso ou desagradável ao ouvido, divertido ou tristonho. Mas quando a corda explodir, não adianta nem tentar amarrar a parte rompida, pois a sonoridade foi pro saco. Isso seria a depressão. A corda que se rompe sem conserto. O som que se cala. Antes que tal aconteça, toca a vida como se fosse a corda que ainda vibra. Não esperes que ela arrebente nos teus dedos...

Drogas contra depressão são pouco eficazes em caso leve a moderado

Esta notícia foi publicada no último dia 7 por alguns jornais e na internet. A fonte que cito é o Globo Online. Serve de alerta à população que faz uso indiscriminado de antidepressivos, com certeza não se refere às pessoas que estão se tratando adequadamente com seus médicos. Mas vamos abordar mais este tema aqui no blog este mês. São muitos os pacientes que me procuram após anos de antidepressivos sem uma melhora clara e isto merece mais reflexão de nós profissionais.

Nova investigação é a primeira a analisar as respostas de centenas de pessoas em tratamento de sintomas moderados

Veículo: O Globo Online
Seção: Viver Melhor
Data: 07/01/2010
Estado: RJ

NOVA YORK - Algumas drogas amplamente receitadas para aliviar os sintomas de depressão não são mais eficazes do que placebos na maioria dos casos, segundo uma nova pesquisa publicada na revista da Associação Médica Americana.

Os resultados do estudo, realizado nos EUA, podem ajudar a esclarecer o longo debate sobre o uso de antidepressivos, embora os autores não afirmem que esses medicamentos são inúteis para indivíduos com depressão moderada a grave. Porém, a nova investigação é a primeira a analisar as respostas de centenas de pessoas em tratamento de sintomas moderados.

- O estudo pode diminuir o entusiasmo com relação a antidepressivos, o que pode ser uma coisa boa - diz o psiquiatra Erick H. Turner, da Universidade de Ciência e Saúde do Oregon. - As expectativas das pessoas para as drogas não serão tão elevadas, e os médicos não serão surpreendidos se não conseguirem curar todos os pacientes com medicamentos.

Foram revistos seis grandes estudos sobre o tema
Mas Turner diz que os resultados não devem desestimular pacientes, a ponto de se recusarem a tentar tratamento com esse tipo de droga. A equipe - incluindo psicólogos que defendem a terapia e médicos ligados a fabricantes de medicamentos - avaliou seis grandes estudos clínicos, feitos com 728 homens e mulheres; metade deles com depressão grave e a outra parte com sinais moderados.

Três dos ensaios foram com o Paxil, da GlaxoSmithKline, um inibidor seletivo da recaptação da serotonina (SSRI, sigla em inglês), como o Lexapro e o Prozac etc, e os outros três com imipramina, genérico mais antigo da classe dos triíclicos. O grupo, liderado por Jay C. Fournier e J. Robert DeRubeis, da Universidade da Pensilvânia, descobriu que, comparados com placebos, as drogas causaram alívio mais acentuado nos sintomas de depressão grave, com pontuação de 25 ou mais na escala padrão de gravidade. Pacientes com pontuação inferior a 25 tiveram pouco ou nenhum benefício adicional.