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11 de janeiro de 2010

Nem tudo é depressão.

Vale a pena ler o texto do juiz Afif Simões Neto, publicado no jornal Zero Hora do dia 05/01/10, que aborda como a depressão caiu no senso comum das pessoas.


Tristeza já era. Agora tudo é depressão


Afif Simões Neto, juiz de Direito.

Faleceu a estimada tristeza, uma senhora de gestos comedidos, vestimenta adequada às circunstâncias, exemplo de sobriedade. Não se dá mais o direito ao necessário exílio voluntário, à espera de que o desencanto decorrente de algum infortúnio pessoal vá embora tal como de manso se chegou. Antes, quando os anos transcorriam a passo de boi de canga, a melancolia era encarada como um estado de espírito variável, influenciado inclusive pela mudança da lua, das estações, da chegada esguia do vento norte.

Agora tem sempre por perto um entendido em curto-circuito mental para sentenciar: o que tu tens é um profundo quadro de depressão. Pra quê! Começa aí, caso o veredicto seja aceito sem o esboço da reação, a vagarosa caminhada em direção ao autoaniquilamento, triste fim para quem estava apenas triste com determinado fim.

Nos memoráveis tempos da brilhantina, se um sujeito levava da namorada um bicudo bem dado no traseiro, recolhia-se em copas, tomava de dois a três porres bem tomados e partia pra outra, sem muita encucação ou crises existenciais. Era bola pra frente e zero a zero no placar do jogo temerário do amor. Hoje, a perda da mulher amada exige acompanhamento psicológico e psiquiátrico, como se dor de guampa pudesse ser curada com antidepressivos ou conversa no divã. Virou chiquérrimo estar deprimido. Coisa de gente endinheirada, dos famosos da televisão, de quem tem café no bule. Ou vocês conhecem um único auxiliar de pedreiro – também conhecido nas hostes da construção civil como meia-colher – que padeça desse mal? Pobre tem outras preocupações, incuráveis todas elas sob o ponto de vista da medicina ortodoxa. Pagar a conta da água, da luz, de arrumar comida pra miuçalha que berra de fome, isso quando ainda existe gás no bujão.

Mas é nos velórios que aflora toda a tristeza geneticamente escandalosa daquela gente humilde que o Chico cantou como perito. Grita, sapateia, abraça o morto com caixão e tudo. Na hora de fechar a tampa, acena com a possibilidade de ir junto, ainda que o espaço na condução seja reduzido. Passada a fase do luto fechado, a vida vai adquirindo aos poucos o seu tranco rotineiro, dispensada a ajuda da indústria farmacêutica. Já o esnobe abonado emergente – ou o que se acha como tal – sai direto do cemitério para a sala de espera dos consultórios médicos, devidamente “paleteado” por algum membro da família. E, então, dê-lhe se entupir de remédios de tarja preta, cujos efeitos colaterais transformam-se lentamente na própria depressão que se pretende combater. É a degradação causada pela cura. Troço meio doido, mas é assim mesmo que funciona, embora simplória a comparação.

Sobre isso, a propósito, li um comentário na internet muito interessante. Um cara deu a ideia – coisa de gênio – de que a sociedade politicamente organizada bem que poderia treinar pobres para ajudar ricos deprimidos a ficarem curados! Assim, pelo menos criaria emprego e geraria renda para a penúria dos casebres. Além do bolsa-família e do vale-pílula, haveria o bolsa-banzo!

Sem querer me tornar presunçoso, a figura do violão é capaz de explicar essas diferenças anímicas. Qualquer música pode-se tirar das cordas tangidas, desde a valsa dolente até um limpa-banco, de acordo com a vontade de quem a faz ressoar. Enquanto a corda estiver inteira, haverá ruído, harmonioso ou desagradável ao ouvido, divertido ou tristonho. Mas quando a corda explodir, não adianta nem tentar amarrar a parte rompida, pois a sonoridade foi pro saco. Isso seria a depressão. A corda que se rompe sem conserto. O som que se cala. Antes que tal aconteça, toca a vida como se fosse a corda que ainda vibra. Não esperes que ela arrebente nos teus dedos...

6 comentários:

Anônimo disse...

A depressão é considerada hoje em dia o mal do século, não distingue etnias,sexo e classe social.Contudo o ideário espírita nos permite entender tais manifestaçoes por conta de afliçoes passageiras, provaçoes naturais passíveis de serem solucionadas na medida do esforço adaptativo de cada um as novas situaçoes e da certeza de que nada acontece na existencia ao sabor do acaso.Logo as vicissitudes da vida derivam de uma causa e, pois que Deus é justo, justa há de ser essa causa (EE,capV, item 3).Por isso, muitos profissionais de saude na atualidade reconhecem o valor profilático da auto-conscientizaçao e no esforço dispensado na busca do amadurecimento do senso de moralidade.Há que se destacar neste processo, a importancia do cultivo do otimismo, do espirito de cooperaçao, da boa-vontade,da fé em Deus, e da vontade de ser útil aos seus semelhantes.

Eloisa Maranhão disse...

Realmente o juiz escreveu aquilo que o senso comum entende por depressão, a famosa "falta do que fazer", Efrecuras" e que tais... Mas no finalzinho do texto ele quase consegue chegar lá: a corda que se rompe sem conserto, o som que se cala... Quem tem depressão sabe diferenciar muitíssimo bem tristeza de depressão... E alguns médicos também...

camila disse...

bom..e bem intereçante a historia dos pobres aprenderem a curar os ricos de sua ´´depressao``...mais e verdade nem tudu e depressao. consequentemente so quem pasa por isso concegue entender..alguem precisava tocar nesse assunto de que NEM TUDU E DEPRESSAO.

Anônimo disse...

Não achei nada de interessante neste artigo, é uma interpretação muito mal equivocada do que seria depressão e o que não seria. Está mais para uma anedota de folhetim do que um artigo de jornal.

SMM disse...

Os tempos mudam ,mas mudam os sentimentos humanos ? Se puder me visite, http://sindromemm.blogspot.com

Anônimo disse...

Achei interessante este texto, como o tempo muda os sentimentos tb mudam!

"Tudo muda, exceto a própria mudança.
Tudo flui e nada permanece, tudo se afasta e nada fica parado...Você não consegue se banhar duas vezes no mesmo rio, pois outras águas e ainda outras sempre vão fluindo...É na mudança que as coisas acham repouso...(Heráclito)
Mudanças são inevitáveis, muitas vezes necessárias. Nem boas, nem más, apenas mudanças, nós é que imprimimos sentimentos a elas. Mudam-se os gostos, pensamentos, vontades...Nós mudamos. O que foi triste é feliz;o amigo, hoje, um mero conhecido.O que foi um lar, se tornou apenas um lugar.O amor...Apenas saudade.E do que um dia achamos ser o certo, importante, já não o é mais. Mudar é bom, melhor ainda, se for para melhor.

Fonte: http://br.answers.yahoo.com