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2 de fevereiro de 2010

O estresse posto à mesa: pessoas estressadas comem mais.



Leiam o artigo publicado no site sobre saúde e bem estar Vya Estelar, que aborda muito bem como o estresse pode estar associado à obesidade e compulsão alimentar.

Pessoas expostas ao estresse comem mais

Dentre as queixas mais comuns entre os pacientes que procuram tratamento médico e nutricional para a obesidade, cerca de 80% relacionam seu ganho de peso ao estresse. “Na verdade, algumas características da vida moderna podem estar intimamente relacionadas a um balanço energético positivo, levando ao ganho de peso.

Dentre elas, podemos citar alimentação inadequada, sedentarismo e mais recentemente, o estresse”, diz a endocrinologista Ellen Simone Paiva.

Os fatores estressores da sociedade moderna são frutos da rotina puxada das empresas, das relações familiares e sociais, além de fatores intrínsecos, como a privação de sono, por exemplo. Geralmente, o corpo humano responde ao estresse através de adaptações físicas ou comportamentais, aumentando o estado de alerta diante de novas situações, a tolerância à dor e a produção e liberação de substratos energéticos dos estoques corporais, principalmente sob a forma de glicose e gordura. “Esses substratos em excesso são conhecidos por causarem alterações metabólicas ligadas à obesidade e ao diabetes. Será esta a relação possível? Ou seja, será esse o elo que liga a obesidade ao estresse da vida moderna?”, questiona a médica.

A reação normal e a patológica ao estresse

Até certo ponto o estresse pode ser benéfico e conduzir o indivíduo a alcançar metas importantes no trabalho e na vida pessoal. A curto prazo, na maioria das vezes, o organismo se reequilibra, sem comprometimento da saúde física e mental. A reação normal esperada a um fator estressor pode se manifestar com enfretamento ou fuga. “Algumas vezes, a resposta não atende a nenhuma dessas condições e o indivíduo não consegue nem se engajar na luta, nem na fuga do agente estressor, sofrendo as consequências do estresse de maneira a gerar um estado de fragilidade a várias doenças, principalmente quando ele é intenso e prolongado”, afirma.

Exposição ao estresse e compulsão alimentar

O hábito de comer talvez seja um dos fatores que mais sofre as repercussões do estresse da vida moderna. “Os relatos são unânimes: as pessoas comem muito mais quando expostas a fatores estressores, podendo ocorrer queixas de fome excessiva, comportamento beliscador e até uma necessidade patológica de consumir grandes volumes de alimentos: a compulsão alimentar”, destaca a endocrinologista.

Um fato intrigante, relata Ellen Paiva, são os relatos de alguns pacientes, que não encontram explicação para o volume alimentar consumido e afirmam categoricamente que mesmo comendo pouco, ganham peso. Esse fato tem levantado a questão do papel do estresse na origem da obesidade, independentemente da alimentação.

Efeitos da privação do sono

Nos últimos 30 anos, a média de sono noturno das pessoas sofreu uma redução de 8/9 horas para 6/7 horas. Entre os americanos, a média de sono é ainda menor, uma vez que 30% deles dormem menos do que 6 horas por noite. Vários estudos recentes têm relacionado a privação do sono com a ocorrência aumentada de obesidade e de diabetes tipo 2. “A privação do sono pode estar relacionada à obesidade através de vários fatores. O primeiro deles trata-se de um estado de estresse crônico. Além disso, várias alterações hormonais induzidas pela privação de sono podem influenciar o ganho de peso, como é o caso da grelina e leptina, hormônios relacionados ao controle da fome e da saciedade”, diz.

Hormônios do estresse e o ganho de peso

Um fator importante na busca pelas causas da obesidade foi a constatação de que nos quadros de estresse, notamos um aumento de alguns hormônios relacionados à obesidade. Tratam-se dos corticoides, ou a conhecida cortisona, que tem a capacidade de aumentar o peso de pacientes, quanto utilizada sob a forma de medicamento, e até quando produzida em excesso pelo organismo, em algumas doenças. “Será que o estressado crônico poderia engordar pelo excesso de corticoide, mesmo sem comer muito?”, questiona a médica.

“Nossas dúvidas não estão sanadas a esse respeito, uma vez que muitos indivíduos estressados e com elevação da cortisona não engordam e, por outro lado, muitos obesos estressados não expressam aumento do seu corticoide endógeno. Por isso, muito provavelmente, a diferença entre esses pacientes é o volume de alimentos ingeridos”, afirma Ellen Paiva.

A conclusão é que o estresse pode sim ser um fator favorecedor da obesidade, principalmente pelo aumento da resistência insulínica, pelas alterações dos hormônios relacionados à fome e à saciedade, pela privação do sono e até mesmo pelo excesso de corticoide. “Mas o maior fator associado ao ganho de peso é comportamental. O que engorda é o balanço energético desfavorável: a associação da ingestão excessiva de calorias somada ao sedentarismo”, conclui a endocrinologista.

Fonte: Vya Estelar

4 comentários:

Anônimo disse...

Dr.Leonardo,

Outro dia estava lendo um texto interessante de conteúdo espírita sobre suicídio moral. Neste caso, o que me chamou atenção é que consciente ou inconscientemente as pessoas procuram arranjar uma maneira de aliviar o sofrimento, de maneira que levados pelo sentimento de depressão e ansiedade vão se desgastando aos poucos e definhando nas suas angústias através de vícios que se apresentam de forma compulsiva em diversas atitudes seja através da comida, de jogos, da bebida, do fumo, da droga, do sexo, da direção perigosa. Enfim, de todos os vícios que levam a riscos à saúde, ou que praticados de forma excessiva nos causam lesões física . Como é o caso de atividade de atividade física praticada de forma excessiva. Eu caminhava todos os dias na praia 50 minutos por dia, porque havia lido que médicos recomendavam a caminhada para diminuir a ansiedade e para manter a forma. Acontece que caminhei de maneira excessiva e fiquei com fascite plantar e agora estou fazendo um tratamento médico prolongado para corrigir a lesão. A minha conclusão é que se tem procurar uma atividade física adaptada a sua condição física, se você estiver com excesso de peso não adianta correr. Outra opção é procurar um psicólogo para saber a razão que está o levando a agir dessa forma prejudicial a si próprio e tb está comprovado que mesmo que as pessoas tenham hábitos sadios pode ter um enfarte caso viva constantemente sob estresse.A minha pergunta é, até que ponto a depressão e ansiedade não são coadjuvantes ao estresse para causar a compulsão a vícios prejudiciais?
De forma que é preciso que o médico trabalhe com uma equipe multidisciplinar composta de psicólogo, nutricionista e demais profissionais, para que assim o paciente consiga alcançar de modo consciente seu bem estar físico e mental.

Dr. Leonardo Figueiredo Palmeira disse...

É claro que a depressão e a ansiedade podem ser desencadeadas pelo estresse crônico ou por traumas de vida, mas é preciso compreender que quando a pessoa adoece, pois depressão é uma doença, ela não consegue sair sozinha desta condição. Existem por trás dos sintomas processos químicos cerebrais que prolongam o sofrimento e impedem sua recuperação. Por isso, a necessidade do tratamento e concordo que seja com uma equipe multidisciplinar. As compulsões podem ser comportamentos secundários, em que a pessoa procura alguma forma de prazer e compensação para as suas angústias. É importante notar que existem pessoas mais vulneráveis psicologicamente para a depressão e que adoecem diante de situações em que outras não desenvolvem a doença. Um abraço!

Me disse...

Doutor qual a melhor medicação para a compilsão alimentar? Cipralex + topiromato ou fluoxetina + topiromato?

Dr. Leonardo Figueiredo Palmeira disse...

Me,

sua pergunta parece bem simples, mas a resposta é muito complexa. Em primeiro lugar é preciso considerar se a compulsão alimentar ocorre como condição primária (única doença) ou se é secundária, como comumente ocorre no Transtorno Bipolar, em que a pessoa tem a compulsão como consequência de um humor alterado. Neste último caso, antidepressivos como os que cita podem ser devastadores, piorando muito o estado mental da pessoa. Mas considerando a compulsão como única doença, eles podem ser eficazes. O topiramato é uma medicação com ação anti-compulsiva comprovada por alguns estudos e tem sua indicação nas compulsões, não sendo prejudicial aos que possuem um transtorno de humor de base. Porém, na minha experiência, a eficácia desses medicamentos não ultrapassa a casa dos 60%, sendo necessário o tratamento psicoterápico, através da Terapia Cognitivo-comportamental, para mudança dos padrões de comportamento e da sua relação com a sensação de prazer e recompensa. Terapias em grupo também têm sua validade. Enfim, a metade é com os medicamentos, a outra metade depende de você! Um abraço.