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Caro Leitor,

quero convidá-lo a acessar meu novo site leonardopalmeira.com.br. Lá você vai encontrar todo o conteúdo deste blog além de informações de utilidade pública, um manual prático para pacientes e muitas novidades.

O blog continuará no ar, porém novos artigos serão publicados somente no site oficial. Espero que gostem!

6 de maio de 2010

Elyn Saks e a comovente história de quem superou a esquizofrenia

A partir deste mês o Blog do Dr Leonardo Figueiredo Palmeira irá abordar através de seus artigos mensais os principais temas da Segunda Conferência Internacional da Sociedade de Pesquisa em Esquizofrenia, realizada em abril deste ano em Florença, Itália.


O primeiro artigo é sobre a conferência de abertura, ministrada pela Doutora Elyn Saks (foto), professora de Direito da Universidade da Califórnia do Sul, autora do livro “The Center Cannot Hold: My Journey Through Madness*” (sem tradução para o português), onde ela conta sua batalha pessoal contra a esquizofrenia.

Elyn Saks adoeceu na adolescência, mas só veio a aceitar a doença vinte anos depois de tentar lutar sozinha contra as alucinações terríveis e as paranóias que tinha. Iniciava e parava os tratamentos, se recusava a tomar as medicações, que, segundo ela, lhe traziam muitos efeitos colaterais e a faziam se sentir artificial.

“Eu tinha um pensamento incontrolável de que meu terapeuta era o demônio e que poderia me matar. Era um delírio que me distanciava do tratamento”, recorda-se.

Na infância lembra-se que tinha algumas manias e obsessões, só podia se levantar da cama se seus chinelos estivessem virados para cima e postos lado a lado. Por muito tempo cismou que havia um homem que durante a noite ficava do lado de fora de sua casa, aguardando-a dormir para entrar e matar sua família.

“O primeiro sinal real de psicose, que eu me lembre, foi aos 15 ou 16 anos, quando eu matei a escola (coisa que eu jamais faria) e corri para casa. No caminho tinha a nítida impressão que as casas da rua me mandavam mensagens: você é má, você é o diabo, tome cuidado, nós vamos te pegar”, conta Elyn.

Ela emagreceu muito, ficou muito abatida, se isolou de todos na escola e, depois, na faculdade. “Eu não queria falar com ninguém, pois achava que assim eu espalharia minha maldade para todo mundo”, explica. “Quando cheguei ao hospital e me olhei no espelho, tomei um susto. Estava irreconhecível, muito abatida, descuidada. Pensei: qualquer um que olhasse para mim perceberia que estava louca”.

Somente aos 40 anos convenceu-se de que a doença não iria embora sozinha e que precisava da medicação e da psicoterapia. “Por 20 anos eu lutei com a aceitação. Ironicamente, quanto mais eu aceitava que tinha uma doença mental, menos a doença me dominava – até o ponto em que me libertei. É como se destrancasse uma porta que sempre esteve à minha frente, mas que, por medo, relutava abrir. Agora sinto que não tem mais volta. Desde então, passei a levar muito a sério a medicação e minha psicoterapia”, enfatiza.

Os médicos diziam lhe que alguém que sofria de esquizofrenia não tinha qualquer esperança de sucesso profissional e alguns lhe pediram que abandonasse a faculdade de direito. Mas Elyn continuou seus estudos, não só se formou, como hoje é uma renomada professora e pesquisadora de sua área. Em 2001 casou-se com Will, “que trouxe mais humor para a sua vida”. É o companheiro que a ajuda nos momentos mais difíceis e de maior estresse. “É ele quem me alerta de possíveis sinais e comportamentos que indiquem alguma recaída”, acrescenta.

Mesmo em tratamento e bem, ela não se descuida. “A psicose não é como um botão que você liga ou desliga, é como um dimmer, que você regula o nível de intensidade. Neste momento eu conheço minha doença muito bem e não é tão incomum assim eu ter algum tipo de pensamento psicótico. Então eu falo para mim mesma: é apenas a minha doença atuando. Mesmo nos períodos em que começo a acreditar nas minhas maluquices, penso no que as outras pessoas vão pensar e me controlo para não parecer louca. É a forma como procuro me livrar dos sintomas”.

Ela escreveu este livro para dar esperança às pessoas que sofrem de esquizofrenia e para que as outras pessoas compreendam melhor a doença. “Espero que esta história ajude a implodir os mitos que cercam a doença mental”, conclui.

Ao final de sua palestra, Elyn listou aquilo que considera ser fundamental na recuperação de uma pessoa que sofre de esquizofrenia:

1) Tomar a medicação corretamente
2) Viver com a família ou com animais de estimação: ela destaca o papel dos bichos de estimação, como cães e gatos, na recuperação de esquizofrênicos.
3) Evitar o isolamento
4) Envolver-se espiritualmente (igreja, religião)
5) Hábitos saudáveis de vida como exercícios físicos e alimentação saudável
6) Evitar drogas e álcool
7) Evitar atividades e ambientes superestimulantes ou estressantes
8) Evitar ambientes com muita gente e viagens muito longas
9) Trabalhar em um ambiente acolhedor
10) Participar de serviços ou grupos de recuperação/ressocialização
11) Fazer psicoterapia

* O livro de Elyn Saks ainda não foi traduzido para o português, mas pode ser encontrado em inglês em livrarias que vendem pela internet.

2 de abril de 2010

Congresso Mundial sobre Esquizofrenia


Especialistas do mundo inteiro se reúnem em Florença, Itália, para o segundo congresso da Sociedade Internacional de Pesquisa em Esquizofrenia, entre 10 e 14 de abril. Os maiores pesquisadores da área são esperados num evento que discutirá amplamente os avanços no campo da pesquisa, como promessas de novos medicamentos, estratégias de reabilitação psicossocial e de terapia familiar e novas descobertas da genética e da neurobiologia da esquizofrenia.


Estarei lá e enviarei as principais novidades através do Portal Entendendo a Esquizofrenia e do blog! Em função disso, peço desculpas por eventuais atrasos nas respostas às mensagens aqui postadas. Retorno em 25 de abril.

Notícia: Sibutramina agora só com a receita azul

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária decidiu que a Sibutramina, medicamento mais prescrito para emagrecer, só poderá ser vendida através da receita controlada azul (tipo B). Em dezembro de 2009 a substância foi proibida na comunidade européia e teve sua venda restingida nos EUA pelo FDA, órgão regulador norte-americano. Houve relatos e comprovação de que a sibutramina pode causar eventos cardiovasculares como isquemias e IAM em pessoas predispostas ou portadoras de doenças cardíacas ou diabetes. Todo o paciente com obesidade deve ser submetido à avaliação clínica antes de utilizar a sibutramina.

Achado gene relacionado à esquizofrenia

Uma mutação genética que bloqueia a comunicação entre duas áreas do cérebro responsáveis pela memória seria uma das causas da esquizofrenia, segundo revelou estudo publicado ontem na “Nature”

O trabalho mostrou que a alteração conhecida como 22q11, comum em pacientes esquizofrênicos, impede o fluxo de informação entre o hipocampo e o córtex pré-frontal.

— Mostramos que essa mutação específica atrapalha a comunicação entre essas duas regiões cerebrais, provocando problemas cognitivos — afirmou Joshua Gordon, da Universidade de Columbia. — Este é o primeiro passo. Com um pouco mais de estudo e compreensão sobre o que ocorre nessas áreas, poderemos desenvolver terapias que ajudem a restabelecer a comunicação entre essas regiões.

Caracterizada por alucinações e pensamentos desordenados, a esquizofrenia é bem mais comum em homens do que em mulheres e, normalmente, é diagnosticada no fim da adolescência ou início da idade adulta. Estima-se que a condição afete uma em cada 100 pessoas.

Embora existam drogas no mercado capazes de controlar a doença, elas não curam a desordem e podem ainda provocar efeitos colaterais severos, como ganho de peso excessivo.

O estudo foi feito com camundongos — metade deles com a mutação comumente presente nos pacientes esquizofrênicos.

Os cientistas registraram a atividade mental dos roedores submetidos a um teste de memória. O sucesso na tarefa dependia diretamente da comunicação entre as duas regiões do cérebro. Os registros feitos revelaram que os animais portadores da mutação não conseguiam realizar o teste.

Fonte: Jornal O Globo (01/04/10)

13 de fevereiro de 2010

Entrevista no Portal Consulte sobre Esquizofrenia


Leiam a primeira parte da entrevista com Dr. Leonardo Palmeira sobre "O que é, Causas e Sintomas da Esquizofrenia" no Portal Consulte em www.portalconsulte.com ou CLIQUE AQUI

11 de fevereiro de 2010

A vulnerabilidade ao estresse: onde começa e onde termina a doença mental?



Por: Dr. Leonardo Palmeira

Pouco se sabe sobre a origem dos transtornos mentais, mas já é bem estabelecido que fatores genéticos e ambientais convergem para o adoecimento. A hereditariedade é um aspecto importante, já que muitos pacientes apresentam um histórico familiar positivo para distúrbios mentais. Entretanto, é comum que os transtornos mentais na família sejam diferentes, por exemplo, um tem depressão, o outro tem Transtorno do Pânico e um terceiro é bipolar.

Estudos genéticos têm associado diversos genes a diferentes distúrbios mentais, mas têm encontrado genes comuns a mais de um transtorno. No caso da esquizofrenia e do transtorno Bipolar (TBH), onde se tem maior robustez científica, vários genes (disbindina, DISC I, COMT, neuroregulina, dentre outros) foram encontrados tanto em pacientes esquizofrênicos como bipolares.

Isto nos leva a um questionamento: seriam os genes específicos para o transtorno A ou B ou eles predisporiam a pessoa ao adoecimento qualquer que fosse a síndrome? E sendo esta segunda hipótese verdadeira, o que faria com que a pessoa desenvolvesse depressão e a outra esquizofrenia?

Isso poderia explicar também porque familiares com a mesma carga genética não adoecem, enquanto outros desenvolvem transtornos mentais graves. Ou seja, embora a genética seja importante, ela não é preponderante. Entram em jogo fatores ambientais, o temperamento e a personalidade da pessoa, que podem tanto protegê-la, como empurrá-la para uma síndrome.

É neste contexto que entra um conceito da década de 70, a vulnerabilidade da pessoa ao estresse, ou seja, sua incapacidade de resistir às pressões, traumas e desgostos da vida, aos quais todos estamos expostos. Naquela época já se dizia que o que poderia ser inato não era a doença mental, mas a vulnerabilidade pessoal de desencadeá-la. E que ter ou não a doença dependeria de inúmeras variáveis, como criação, temperamento, personalidade, posturas e hábitos de vida, traumas, etc.
Pelo conceito de vulnerabilidade, um dos princípios fundamentais para a saúde de um organismo, é manter sua homeostase, seu equilíbrio fisiológico. Se estamos com sede ou precisamos saciar nossa fome, é porque nosso organismo detectou alguma ameaça à nossa homeostase e nos alertou a prontamente agirmos para seu reequilíbrio. As células do nosso corpo também agem sob este princípio. Este seria uma espécie de pulsão vital.

Quando algo de estressante ou desagradável nos ocorre, também agimos para buscar um alívio e restabelecer as condições de felicidade. Experimentamos, nestes momentos, mesmo que seja por um breve período, uma sensação de angústia ou aflição, perdemos algumas noites de sono, ficamos sem apetite, mas logo nos recuperamos e estabelecemos o status quor.

Nessa hora entram em cena o que psiquiatras chamam de disposição e capacidade de enfrentamento. São ferramentas que utilizamos para resolver assertivamente os problemas da vida. O que ocorre em pessoas vulneráveis, é que a disposição e sua capacidade para solucionar seus problemas não são suficientes para recuperar a homeostase, seja porque o trauma ou o infortúnio da vida é muito grande, difícil de transpor, seja porque sua disposição e capacidade de enfrentamento não estão adequadas. O sofrimento psíquico, então, se prolonga e ganha contornos dramáticos, uma vez que a pessoa não vê saída.

A genética pode explicar, em parte, porque alguns são mais vulneráveis, porque uns surtam diante de um problema e outros apenas se abalam, mas conseguem se reequilibrar. Mas certamente que a genética não atua isoladamente. As influências do temperamento (também inato) e da personalidade (adquirida através da criação, das experiências emocionais no início da vida) são de suma importância. Algumas pessoas têm verdadeiro tropismo para problemas, envolvem-se em relacionamentos conturbados, têm condutas de risco, expõem-se a drogas, enfim, criam consciente ou inconscientemente uma atmosfera propícia para o estresse e se colocam em risco o tempo todo para o adoecimento psíquico. É como se colocassem em cheque toda a sua capacidade de enfrentamento, mas se esquecem que o estresse crônico mina sua própria resistência.

O tratamento psiquiátrico, através de medicamentos, procura aliviar os sintomas para aguçar a percepção e permitir que a pessoa possa recuperar suas habilidades de enfrentamento para lidar com a situação adversa. Muitos quadros psiquiátricos vêm acompanhados de alterações cognitivas, como da atenção e da memória, que dificultam à pessoa planejar sua vida e tomar decisões acertadas para reestruturá-la. Neste sentido, a manutenção dos sintomas aprisiona a pessoa em seu marasmo atual, impedindo que ela evolua e saia do quadro.

A psicoterapia é outro ponto fundamental. Medicações podem atuar a curto prazo e devolver à pessoa alguma estabilidade, mas é através da psicoterapia, compreendendo seus pontos fracos e trabalhando para aperfeiçoar suas habilidades de enfrentamento, que a pessoa reunirá condições psicológicas para um dia interromper os medicamentos e seguir sua vida.

Mas as medicações podem ser essenciais para que a psicoterapia de fato aconteça. É comum que num quadro agudo a pessoa circule em círculo, sem conseguir perceber e elaborar suas questões, impedindo, assim, a progressão do tratamento. Por isso o tratamento aliado (medicação e psicoterapia) é comprovadamente mais eficaz do que os tratamentos isolados.

Um aspecto que considero fundamental na recuperação de longo prazo é a mudança de hábitos, comportamentos e atitudes diante das situações de vida, como trabalho, relacionamento, família. Muitos pacientes perceberão, através do tratamento, erros que podem predispô-los a um novo episódio e imprimirão mudanças em seus comportamentos para evitar a repetição.

A maior parte das recaídas ocorrem por fatores sociais ou biológicos que se repetem ao longo dos anos. No caso dos fatores biológicos, a identificação é importante para determinar se aquela pessoa precisa de um tratamento preventivo, inclusive através de medicamentos. É o caso das depressões sazonais, em que a pessoa desenvolve um episódio depressivo sempre no inverno e isso independe de outros fatores sociais. É o caso de algumas apresentações de transtornos cíclicos, como o transtorno bipolar e a esquizofrenia, em que a pessoa, p.ex, tem um episódio uma ou duas vezes por ano. Quando se percebe um padrão de recorrência claro, talvez seja negócio tratar continuamente a fim de se evitar a próxima recaída.

Mas grande parte dos quadros psiquiátricos não apresenta um padrão claro de recorrência (embora possa ser recorrente) que sugira um gatilho biológico para uma nova crise. Eles recorrem muitas vezes por repetição ou manutenção de fatores psicossociais geradores de estresse. A esquizofrenia, doença mental mais consolidada pelas pesquisas científicas, sofre fortes influências do meio em que a pessoa vive. Tem sido comprovado que o estresse proveniente da convivência familiar pode determinar se um paciente terá mais ou menos crises psicóticas. Esquizofrênicos com famílias compreensivas e colaborativas com o tratamento e a reabilitação tem até 70% menos recaídas e hospitalizações do que aqueles que possuem famílias críticas ou hostis. O mesmo pode ser aplicado a pacientes com outros transtornos, como TBH, TOC, Borderline, entre outros.

Então, um dos enfoques do tratamento é mudar os fatores do ambiente sócio-familiar que estão interferindo no processo de adoecimento. Ambientes como trabalho, círculos sociais, amizades prejudiciais seguem o mesmo raciocínio. Sempre que houver uma sobrecarga emocional ou estresse, pode ocorrer um desequilíbrio da homeostase, aumentando a vulnerabilidade da pessoa a um novo episódio da doença.

E porque muitas pessoas tomam remédios a vida toda? Primeiro é preciso separar aquelas que precisarão da medicação por apresentarem doença mais grave, crônica ou recorrente, sendo a medicação um fator preventivo de suma importância. Mas mudar comportamentos, hábitos, estilos de vida não é simples e muitos relutam e, por isso, agarram-se às medicações. É como emagrecer. A maioria quer tratamentos de resultados rápidos, como medicamentos, cirurgias, em detrimento de dietas demoradas e atividades físicas. Porém, qual resultado durará mais tempo? Emagrecimentos rápidos estão relacionados a ganho posterior de peso, enquanto àqueles com mudança real dos hábitos alimentares e do estilo de vida mantém-se magros para a vida toda. Vinte anos após o surgimento da cirurgia bariátrica (para redução de peso) já assistimos a pacientes operados que recuperaram seu peso antes da cirurgia.

Em suma, a transformação pessoal para uma vida mais feliz e sem episódios psiquiátricos precisa partir de dentro para fora, com a ajuda de medicamentos e psicoterapia, mas não pode se furtar de mudar o meio em que a pessoa vive. A cura está na capacidade de reduzir a sua vulnerabilidade e de aumentar sua capacidade de enfrentamento às situações da vida.

Para entender mais sobre a biologia dos transtornos mentais CLIQUE AQUI

10 de fevereiro de 2010

Ômega 3 previne doenças mentais, inclusive esquizofrenia



Pesquisa diz que a gordura ômega 3 de espécies como o salmão previne psicoses


Um novo estudo mostra que consumir cápsulas de óleo de peixes de água fria, como salmão, atum e sardinha, ricos em ácidos graxos ômega 3, ajudaria a prevenir problemas mentais. Em artigo publicado na revista especializada “Arquivos de Psiquiatria Geral”, os autores afirmam que o uso desses suplementos por três meses parece ser tão eficaz quanto remédios. Este tipo de gordura reduziu em 25% o índice de doenças psicóticas, incluindo esquizofrenia.

Os cientistas realizaram a experiência com 81 indivíduos, de 13 a 25 anos, com um alto risco para transtornos psicóticos. Eles já apresentavam sintomas moderados de psicoses ou tinham história familiar de transtornos mentais, como esquizofrenia. Metade tomou suplementos de óleo de peixe (1,2g de ácidos graxos ômega 3) durante 12 semanas.

A outra parte recebeu apenas placebo (substância inócua). Os grupos foram acompanhados por um ano pela equipe de Paul Amminger, principal autor do estudo.

Embora o número de participantes não seja muito alto, o resultado foi significativo.

No grupo que ingeriu suplementos, dois manifestaram transtorno psicótico. No grupo placebo, este número chegou a 11. Para os autores, o ômega 3 interfere de forma positiva, restaurando os neurônios no cérebro, e a descoberta oferece esperança de ter opções além de fármacos, que causam efeitos adversos importantes, como aumento de peso e disfunção sexual.

Estudo brasileiro tem resultado semelhante No início deste mês, um estudo com ratos, no laboratório da Disciplina de Neurologia Experimental da Unifesp, revelou que o ômega 3 é capaz de regenerar neurônios, o que pode abrir caminho para o desenvolvimento de drogas para regenerar o cérebro de pessoas com epilepsia e alguns tipos de demência. Os resultados são promissores, mas precisam ser confirmados.

Fonte: O Globo (03/02/10)

2 de fevereiro de 2010

O estresse posto à mesa: pessoas estressadas comem mais.



Leiam o artigo publicado no site sobre saúde e bem estar Vya Estelar, que aborda muito bem como o estresse pode estar associado à obesidade e compulsão alimentar.

Pessoas expostas ao estresse comem mais

Dentre as queixas mais comuns entre os pacientes que procuram tratamento médico e nutricional para a obesidade, cerca de 80% relacionam seu ganho de peso ao estresse. “Na verdade, algumas características da vida moderna podem estar intimamente relacionadas a um balanço energético positivo, levando ao ganho de peso.

Dentre elas, podemos citar alimentação inadequada, sedentarismo e mais recentemente, o estresse”, diz a endocrinologista Ellen Simone Paiva.

Os fatores estressores da sociedade moderna são frutos da rotina puxada das empresas, das relações familiares e sociais, além de fatores intrínsecos, como a privação de sono, por exemplo. Geralmente, o corpo humano responde ao estresse através de adaptações físicas ou comportamentais, aumentando o estado de alerta diante de novas situações, a tolerância à dor e a produção e liberação de substratos energéticos dos estoques corporais, principalmente sob a forma de glicose e gordura. “Esses substratos em excesso são conhecidos por causarem alterações metabólicas ligadas à obesidade e ao diabetes. Será esta a relação possível? Ou seja, será esse o elo que liga a obesidade ao estresse da vida moderna?”, questiona a médica.

A reação normal e a patológica ao estresse

Até certo ponto o estresse pode ser benéfico e conduzir o indivíduo a alcançar metas importantes no trabalho e na vida pessoal. A curto prazo, na maioria das vezes, o organismo se reequilibra, sem comprometimento da saúde física e mental. A reação normal esperada a um fator estressor pode se manifestar com enfretamento ou fuga. “Algumas vezes, a resposta não atende a nenhuma dessas condições e o indivíduo não consegue nem se engajar na luta, nem na fuga do agente estressor, sofrendo as consequências do estresse de maneira a gerar um estado de fragilidade a várias doenças, principalmente quando ele é intenso e prolongado”, afirma.

Exposição ao estresse e compulsão alimentar

O hábito de comer talvez seja um dos fatores que mais sofre as repercussões do estresse da vida moderna. “Os relatos são unânimes: as pessoas comem muito mais quando expostas a fatores estressores, podendo ocorrer queixas de fome excessiva, comportamento beliscador e até uma necessidade patológica de consumir grandes volumes de alimentos: a compulsão alimentar”, destaca a endocrinologista.

Um fato intrigante, relata Ellen Paiva, são os relatos de alguns pacientes, que não encontram explicação para o volume alimentar consumido e afirmam categoricamente que mesmo comendo pouco, ganham peso. Esse fato tem levantado a questão do papel do estresse na origem da obesidade, independentemente da alimentação.

Efeitos da privação do sono

Nos últimos 30 anos, a média de sono noturno das pessoas sofreu uma redução de 8/9 horas para 6/7 horas. Entre os americanos, a média de sono é ainda menor, uma vez que 30% deles dormem menos do que 6 horas por noite. Vários estudos recentes têm relacionado a privação do sono com a ocorrência aumentada de obesidade e de diabetes tipo 2. “A privação do sono pode estar relacionada à obesidade através de vários fatores. O primeiro deles trata-se de um estado de estresse crônico. Além disso, várias alterações hormonais induzidas pela privação de sono podem influenciar o ganho de peso, como é o caso da grelina e leptina, hormônios relacionados ao controle da fome e da saciedade”, diz.

Hormônios do estresse e o ganho de peso

Um fator importante na busca pelas causas da obesidade foi a constatação de que nos quadros de estresse, notamos um aumento de alguns hormônios relacionados à obesidade. Tratam-se dos corticoides, ou a conhecida cortisona, que tem a capacidade de aumentar o peso de pacientes, quanto utilizada sob a forma de medicamento, e até quando produzida em excesso pelo organismo, em algumas doenças. “Será que o estressado crônico poderia engordar pelo excesso de corticoide, mesmo sem comer muito?”, questiona a médica.

“Nossas dúvidas não estão sanadas a esse respeito, uma vez que muitos indivíduos estressados e com elevação da cortisona não engordam e, por outro lado, muitos obesos estressados não expressam aumento do seu corticoide endógeno. Por isso, muito provavelmente, a diferença entre esses pacientes é o volume de alimentos ingeridos”, afirma Ellen Paiva.

A conclusão é que o estresse pode sim ser um fator favorecedor da obesidade, principalmente pelo aumento da resistência insulínica, pelas alterações dos hormônios relacionados à fome e à saciedade, pela privação do sono e até mesmo pelo excesso de corticoide. “Mas o maior fator associado ao ganho de peso é comportamental. O que engorda é o balanço energético desfavorável: a associação da ingestão excessiva de calorias somada ao sedentarismo”, conclui a endocrinologista.

Fonte: Vya Estelar

26 de janeiro de 2010

Notícia: remédio mais popular para emagrecimento, a sibutramina, tem sua venda proibida na Europa

A notícia saiu no jornal O Globo de hoje (26/01/10) e alerta para riscos de infarto e derrame causados pela sibutramina. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) irá analisar até o final desta semana se também proibe a venda da substância no Brasil, atualmente a lider de vendas para emagrecimento. Nos EUA, o FDA, órgão regulador, restringiu a prescrição de sibutramina e alertou os médicos sobre possíveis riscos à saúde.

Leiam a notícia do site O Globo:

A Agência Europeia de Medicamentos proibiu esta semana a venda da sibutramina, atualmente a droga para emagrecer mais usada no Brasil e nos Estados Unidos, de acordo com informações do British Medical Journal (BMJ). Nos EUA, o medicamento teve sua venda restrita em dezembro após uma avaliação da Food and Drug Administration (FDA), que observou que a droga aumenta o risco de infartos e derrames.

Segundo a agência europeia, os riscos da sibutramina superam seus benefícios. Junto com a proibição, foram divulgados dados do estudo "sibutramine cardiovascular outcomes trial (SCOUT)", que mostrou que o risco de infarto do miocárdio aumenta 16% em pessoas que tomam o medicamento. Em artigo publicado no BMJ, os pesquisadores da Agência Europeia de Medicamentos afirmam que "médicos não devem mais prescrever este medicamento, e farmacêuticos não devem tê-lo em estoque. Pacientes que tomam a sibutramina devem consultar um médico e discutir formas alternativas de perder peso".

Fonte:

http://oglobo.globo.com/vivermelhor/mat/2010/01/25/sibutramina-remedio-de-emagrecimento-mais-popular-no-mundo-tem-venda-proibida-na-europa-915698597.asp

EM TEMPO: A ANVISA DECIDIU NÃO PROIBIR A SIBUTRAMINA NO BRASIL, MAS PROPÔS ALGUMAS RESTRIÇÕES:

A partir da análise do estudo, a Anvisa recomenda a contra indicação do uso de medicamentos à base de sibutramina para pacientes com perfil semelhante aos incluídos no estudo SCOUT:

a) Pacientes que apresentem obesidade associada à existência, ou antecedentes pessoais, de doenças cardio e cerebrovasculares;


b) Pacientes que apresentem Diabetes Mellitus tipo 2, com sobrepeso ou obesidade e associada a mais um fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

A Anvisa, por meio da Câmara Técnica de Medicamentos (Cateme) fará nova avaliação do estudo, com o objetivo de investigar os níveis de segurança do medicamento em pacientes com perfis distintos dos já estudados. Essa avaliação poderá levar a Agência a determinar outras medidas restritivas ao uso da substância.

Fonte: site ANVISA

22 de janeiro de 2010

Leite materno previne problemas mentais em crianças


Sempre é bom lermos estudos que comprovam aquilo que todos já imaginavam. A amamentação é fundamental para a saúde psíquica de uma criança, inclusive com repercussões positivas para a vida adulta. A Organização Mundial de Saúde recomenda a amamentação exclusiva até os 6 meses de idade e depois até os 2 anos de idade.


Bebês amamentados por mais de seis meses apresentam melhor saúde mental

Estudo feito por pesquisadores australianos diz que o leite materno protege as crianças de transtornos mentais, como depressão, ansiedade, problemas de comportamento, entre outros. Eles afirmam que bebês amamentados por mais de seis meses apresentam melhor saúde mental.

Uma hipótese é que o contato com a mãe tem um efeito positivo no desenvolvimento de aspectos neuroendócrinos necessários à resposta ao estresse (fator de risco para danos psiquiátricos). Outra explicação é que o leite materno tem ácidos graxos e componentes bioativos essenciais para o desenvolvimento.

A equipe de Wendy Oddy, do Instituto Telethon de Investigação da Saúde Infantil, iniciou a pesquisa em 1989, acompanhado 2.900 mulheres na metade da gestação. Os autores anotaram todos os dados da família e a forma de alimentação dos bebês (leite materno ou artificial) e período de amamentação. De 2.366, 11% não receberam leite do peito; 28% tomaram leite materno de seis meses a 12 meses, e 24% mais de um ano.

As mães mais jovens, com 12 anos ou menos de estudos, mais estressadas e que fumaram durante a gravidez estão no grupo que deram o peito por menos de seis meses. E, segundo os autores, um curto período de amamentação está relacioanado com aumento da incidência de doenças mentais.


Fonte: O Globo, 19/01/10

18 de janeiro de 2010

Entendendo a Esquizofrenia agora no Twitter


Você pode acompanhar o blog e o Portal Entendendo a Esquizofrenia agora também pelo Twitter. Basta acessar:




12 de janeiro de 2010

Avalie seu temperamento e participe da pesquisa online.

Esta é uma pesquisa séria do grupo do Dr. Diogo Lara, da PUC de Porto Alegre, e que quer avaliar o temperamento dos brasileiros para relacioná-lo aos principais distúrbios mentais.

Foi baseado em um de seus livros, Modelo de Raiva e Medo, que desenvolvi o teste de temperamento deste blog. É muito útil na prática clínica conhecer melhor o temperamento do paciente. Isso ajuda no tratamento, tanto psiquiátrico como psicoterápico, como orienta o paciente quanto aos pontos fortes e fracos que precisam ser melhorados para uma vida mais tranquila e feliz.

A pesquisa está disponível pela internet e recomendo a todos que participem. Basta acessar www.temperamento.com.br

Veja abaixo a reportagem que foi ao ar hoje no Jornal Hoje, da TV Globo.



Médicos brasileiros estão desenvolvendo uma pesquisa que pode ajudar no tratamento de doenças comportamentais, como depressão, ansiedade e estresse. O estudo procura voluntários em todo país. Você pode participar de casa porque as informações são colhidas pela internet. E você recebe, de graça, a avaliação de uma equipe médica.

Os médicos já sabem: de 35% a 50% da população têm algum tipo de transtorno psiquiátrico. O problema é que a maioria não procura ajuda por falta de informação ou preconceito.

“Cada vez mais estão surgindo evidências de que o comportamento da pessoa, seu jeito de ser, está relacionado com as doenças mentais que a pessoa pode vir a manifestar e também com a forma que essa doença se manifesta na pessoa”, esclarece Gustavo Ottini, psiquiatra.

E há vários tipos de transtornos. Por exemplo, 10% da população já teve ou terá depressão ao longo da vida. Mulheres, pessoas com stress provocado por doenças ou que tiveram perdas em geral, como relacionamentos ou trabalho são as mais afetadas. Elas apresentam sintomas como falta de vontade, tristeza e perdem o prazer em atividades que antes gostavam de realizar.

Entre os homens a irritabilidade também chama a atenção e para saber como o temperamento influencia ou é influenciado pelos transtornos psiquiátricos um grupo de pesquisadores da PUC, de Porto Alegre, criou uma pesquisa na internet.

Qualquer pessoa com mais de 18 anos pode participar. Bastar ter um computador ligado à internet e um endereço eletrônico. O voluntário não precisa se identificar. E depois de responder o questionário, ele recebe na hora uma avaliação psicológica.

Uma espécie de mapa comportamental. A pessoa fica sabendo como estão os níveis de medo, sensibilidade, controle, vontade, se está ansioso, apático. Um diagnóstico rápido que pode servir para o início de um tratamento. A ideia é coletar os dados de 50 mil voluntários. Para os médicos, a estatística final pode ajudar nos consultórios.

“A escala de temperamento que a gente desenvolveu pode ser útil depois para consultórios de psicólogos e psiquiatras para antecipar o perfil do paciente e de que maneira aquela pessoa pode ter mais ou menos chances de desenvolver os transtornos psiquiátricos. Então abreviaria e ao mesmo tempo deixaria mais completa a avaliação, em pouco tempo”, diz Diogo Lara, psiquiatra.

Heloísa comemora os avanços que teve depois que descobriu e começou a tratar a depressão. Para ela, se conhecer é o primeiro e mais importante passo para viver melhor. “Tem coisas que são do temperamento, que de repente é normal. E outras que seriam transtornos psiquiátricos e a pessoa já vai se encaixar nisso e talvez procurar ajuda. Fica muito mais fácil”, comenta Heloísa Galvão, aposentada.

Fonte: Site G1 - Jornal Hoje - 12/01/2010

11 de janeiro de 2010

Nem tudo é depressão.

Vale a pena ler o texto do juiz Afif Simões Neto, publicado no jornal Zero Hora do dia 05/01/10, que aborda como a depressão caiu no senso comum das pessoas.


Tristeza já era. Agora tudo é depressão


Afif Simões Neto, juiz de Direito.

Faleceu a estimada tristeza, uma senhora de gestos comedidos, vestimenta adequada às circunstâncias, exemplo de sobriedade. Não se dá mais o direito ao necessário exílio voluntário, à espera de que o desencanto decorrente de algum infortúnio pessoal vá embora tal como de manso se chegou. Antes, quando os anos transcorriam a passo de boi de canga, a melancolia era encarada como um estado de espírito variável, influenciado inclusive pela mudança da lua, das estações, da chegada esguia do vento norte.

Agora tem sempre por perto um entendido em curto-circuito mental para sentenciar: o que tu tens é um profundo quadro de depressão. Pra quê! Começa aí, caso o veredicto seja aceito sem o esboço da reação, a vagarosa caminhada em direção ao autoaniquilamento, triste fim para quem estava apenas triste com determinado fim.

Nos memoráveis tempos da brilhantina, se um sujeito levava da namorada um bicudo bem dado no traseiro, recolhia-se em copas, tomava de dois a três porres bem tomados e partia pra outra, sem muita encucação ou crises existenciais. Era bola pra frente e zero a zero no placar do jogo temerário do amor. Hoje, a perda da mulher amada exige acompanhamento psicológico e psiquiátrico, como se dor de guampa pudesse ser curada com antidepressivos ou conversa no divã. Virou chiquérrimo estar deprimido. Coisa de gente endinheirada, dos famosos da televisão, de quem tem café no bule. Ou vocês conhecem um único auxiliar de pedreiro – também conhecido nas hostes da construção civil como meia-colher – que padeça desse mal? Pobre tem outras preocupações, incuráveis todas elas sob o ponto de vista da medicina ortodoxa. Pagar a conta da água, da luz, de arrumar comida pra miuçalha que berra de fome, isso quando ainda existe gás no bujão.

Mas é nos velórios que aflora toda a tristeza geneticamente escandalosa daquela gente humilde que o Chico cantou como perito. Grita, sapateia, abraça o morto com caixão e tudo. Na hora de fechar a tampa, acena com a possibilidade de ir junto, ainda que o espaço na condução seja reduzido. Passada a fase do luto fechado, a vida vai adquirindo aos poucos o seu tranco rotineiro, dispensada a ajuda da indústria farmacêutica. Já o esnobe abonado emergente – ou o que se acha como tal – sai direto do cemitério para a sala de espera dos consultórios médicos, devidamente “paleteado” por algum membro da família. E, então, dê-lhe se entupir de remédios de tarja preta, cujos efeitos colaterais transformam-se lentamente na própria depressão que se pretende combater. É a degradação causada pela cura. Troço meio doido, mas é assim mesmo que funciona, embora simplória a comparação.

Sobre isso, a propósito, li um comentário na internet muito interessante. Um cara deu a ideia – coisa de gênio – de que a sociedade politicamente organizada bem que poderia treinar pobres para ajudar ricos deprimidos a ficarem curados! Assim, pelo menos criaria emprego e geraria renda para a penúria dos casebres. Além do bolsa-família e do vale-pílula, haveria o bolsa-banzo!

Sem querer me tornar presunçoso, a figura do violão é capaz de explicar essas diferenças anímicas. Qualquer música pode-se tirar das cordas tangidas, desde a valsa dolente até um limpa-banco, de acordo com a vontade de quem a faz ressoar. Enquanto a corda estiver inteira, haverá ruído, harmonioso ou desagradável ao ouvido, divertido ou tristonho. Mas quando a corda explodir, não adianta nem tentar amarrar a parte rompida, pois a sonoridade foi pro saco. Isso seria a depressão. A corda que se rompe sem conserto. O som que se cala. Antes que tal aconteça, toca a vida como se fosse a corda que ainda vibra. Não esperes que ela arrebente nos teus dedos...

Drogas contra depressão são pouco eficazes em caso leve a moderado

Esta notícia foi publicada no último dia 7 por alguns jornais e na internet. A fonte que cito é o Globo Online. Serve de alerta à população que faz uso indiscriminado de antidepressivos, com certeza não se refere às pessoas que estão se tratando adequadamente com seus médicos. Mas vamos abordar mais este tema aqui no blog este mês. São muitos os pacientes que me procuram após anos de antidepressivos sem uma melhora clara e isto merece mais reflexão de nós profissionais.

Nova investigação é a primeira a analisar as respostas de centenas de pessoas em tratamento de sintomas moderados

Veículo: O Globo Online
Seção: Viver Melhor
Data: 07/01/2010
Estado: RJ

NOVA YORK - Algumas drogas amplamente receitadas para aliviar os sintomas de depressão não são mais eficazes do que placebos na maioria dos casos, segundo uma nova pesquisa publicada na revista da Associação Médica Americana.

Os resultados do estudo, realizado nos EUA, podem ajudar a esclarecer o longo debate sobre o uso de antidepressivos, embora os autores não afirmem que esses medicamentos são inúteis para indivíduos com depressão moderada a grave. Porém, a nova investigação é a primeira a analisar as respostas de centenas de pessoas em tratamento de sintomas moderados.

- O estudo pode diminuir o entusiasmo com relação a antidepressivos, o que pode ser uma coisa boa - diz o psiquiatra Erick H. Turner, da Universidade de Ciência e Saúde do Oregon. - As expectativas das pessoas para as drogas não serão tão elevadas, e os médicos não serão surpreendidos se não conseguirem curar todos os pacientes com medicamentos.

Foram revistos seis grandes estudos sobre o tema
Mas Turner diz que os resultados não devem desestimular pacientes, a ponto de se recusarem a tentar tratamento com esse tipo de droga. A equipe - incluindo psicólogos que defendem a terapia e médicos ligados a fabricantes de medicamentos - avaliou seis grandes estudos clínicos, feitos com 728 homens e mulheres; metade deles com depressão grave e a outra parte com sinais moderados.

Três dos ensaios foram com o Paxil, da GlaxoSmithKline, um inibidor seletivo da recaptação da serotonina (SSRI, sigla em inglês), como o Lexapro e o Prozac etc, e os outros três com imipramina, genérico mais antigo da classe dos triíclicos. O grupo, liderado por Jay C. Fournier e J. Robert DeRubeis, da Universidade da Pensilvânia, descobriu que, comparados com placebos, as drogas causaram alívio mais acentuado nos sintomas de depressão grave, com pontuação de 25 ou mais na escala padrão de gravidade. Pacientes com pontuação inferior a 25 tiveram pouco ou nenhum benefício adicional.

10 de dezembro de 2009

Campanhas na TV em Portugal combatem o estigma contra as doenças mentais

A Associação Encontrar+se está empenhada em combater o estigma da doença mental em Portugal. Este ano, incomodada com a repetida utilização da palavra autista pelos políticos portugueses, desenvolveu uma campanha contra a utilização do termo através de anúncios na televisão, estimulando um acordo entre os líderes parlamentares para coibir o mau uso da palavra. A associação é conhecida também por outras campanhas, como sobre a esquizofrenia. No Brasil não assistimos na TV anúncios como estes, mas deveríamos, pois não se combate o estigma sem mobilização social. Por aqui, no Congresso e na mídia em geral é comum ouvir o termo esquizofrenia aplicado de forma pejorativa quando se quer dar a conotação de algo ruim ou "sem pé nem cabeça". Vale a pena assistir aos vídeos.


7 de dezembro de 2009

Short-cuts: Solidão pode ser contagiosa como gripe

Essa pesquisa é muito interessante e mostra como a rede social é crucial tanto para manter nossa saúde mental como no desencadeamento de processos mórbidos, como a depressão. Agora, o surpreendente desta pesquisa é a conclusão de que pessoas solitárias transmitem a solidão umas às outras, tornando-se progressivamente mais isoladas. Imaginem isso numa família, num grupo de amigos. Tenho certeza de que todos nós já presenciamos isso e, muitas vezes, nos afastamos para evitar que o ânimo do outro nos "contamine".

Fonte: BBC Brasil
Notícia de: 01/12/2009

A pesquisa da Universidade da Califórnia San Diego, Universidade de Chicago e de Harvard descobriu que as pessoas solitárias tendem a dividir a solidão com outras pessoas. Gradativamente, durante um período de tempo, essas pessoas acabam, em grupo, se afastando dos seus círculos socias.
"Detectamos um padrão extraordinário de contágio, que leva as pessoas à fronteira da rede social quando ficam solitárias", afirmou o psicólogo John Cacioppo, da Universidade de Chicago, um dos pesquisadores que participou do estudo. "Na periferia (da rede social) as pessoas tem menos amigos, e a solidão destas pessoas ainda as leva a perder os poucos laços que ainda tem."No entanto, antes de cortar as relações, as pessoas que já estão na periferia das redes de contato social transmitem os sentimentos de solidão para os amigos que restaram, que também se transformam em pessoas solitárias."Estes efeitos significam que nosso tecido social pode se desgastar nas pontas, como um fio que está solto na ponta de uma blusa de malha", acrescentou Cacioppo.
O artigo foi publicado na revista especializada Journal of Personality and Social Psychology. Os cientistas americanos examinaram os registros de um estudo realizado no Estado de Massachusetts, desde 1948. Esta pesquisa foi realizada originalmente em Framingham para acompanhar um grupo de 5.209 pessoas, para avaliar o risco de doenças cardiovasculares. Desde então o estudo se expandiu para incluir cerca de 12 mil pessoas, filhos e netos do grupo original e outras pessoas, para diversificar a amostra populacional e também para incluir testes com objetivo de medir a solidão e depressão. Os pesquisadores entravam em contato com os voluntários a cada dois a quatro anos e coletavam os nomes de amigos que conheciam os pesquisados. Estes registros se transformaram em uma fonte de informação sobre a rede social dos pesquisados. Os pesquisadores elaboraram gráficos com a história das amizades dos pesquisados e sobre seus relatos de solidão. Com isso, conseguiram estabelecer uma forma de mensurar a solidão. As informações mostravam que os solitários "infectavam" as pessoas à sua volta com a solidão, e que estas pessoas se moviam para as periferias do tecido social. Por exemplo, os pesquisadores descobriram que a solidão se espalhou entre vizinhos que eram amigos próximos. A pesquisa também mostrou que, quando as pessoas ficam solitárias, elas confiam menos nas outras e dão início a um ciclo que torna ainda mais difícil para estas pessoas iniciarem uma amizade.
Segundo Cacioppo, "a sociedade poderá se beneficiar ao cuidar das pessoas que se afastaram dos círculos sociais, para ajudar a reparar suas redes sociais e criar uma barreira protetora contra a solidão, que possa evitar que toda a rede seja prejudicada". Richard Suzman, diretor da Divisão de Pesquisa Comportamental e Social do Instituto Nacional de Envelhecimento dos EUA, um dos que financiou a pesquisa, lembrou que "pesquisas anteriores mostraram que a solidão e a falta de conexão social podem ter um efeito negativo na saúde e bem-estar de pessoas idosas".

5 de dezembro de 2009

Erros e acertos da reforma da assistência psiquiátrica brasileira: para onde vamos?



A reforma psiquiátrica brasileira transformou a assistência à saúde mental no país, fechando leitos em hospitais psiquiátricos e criando dispositivos alternativos na comunidade, como os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) e as residências terapêuticas, com objetivo de aproximar portadores de transtornos mentais graves da sociedade, permitindo maior integração social e resgatando sua cidadania. Inspirado no modelo de reforma italiana por Franco Basaglia, que praticamente acabou com os hospitais psiquiátricos naquele país, a reforma brasileira é hoje motivo de polêmica e de muita discussão acerca de seus erros e acertos.


Em 1941, o Brasil possuía 5,8 leitos para cada 10 mil habitantes. No período da ditadura houve uma grande ampliação do número de leitos com a criação de clínicas privadas e conveniadas ao SUS, chegando a 8,8 leitos para cada 10 mil habitantes. Com a reforma psiquiátrica, iniciada na década de 80, houve redução dramática de leitos para 4,4 por 10 mil habitantes em 1998 e, posteriormente, para 2,5 leitos por 10 mil habitantes em 2005 (pouco mais de 40 mil leitos em todo país). Um programa de avaliação hospitalar criado pelo governo federal (PNASH) avaliou os hospitais psiquiátricos em todo o país e fechou clínicas que não tinham os pré-requisitos necessários ao seu funcionamento e restringiu leitos em outras que precisavam se adequar às novas normas. Paralelamente a isso, foram implantados CAPS e residências terapêuticas, que seriam os serviços substitutivos ao fechamento dos hospitais, porém em velocidade muito inferior. Em 2002 existiam no país apenas 424 CAPS e este ano são 1394, responsáveis por apenas 57% da cobertura populacional, ou seja, quase metade dos brasileiros não tem acesso aos serviços, continuam recorrendo aos hospitais, sendo que há grande carência de profissionais e de leitos.


A redução de leitos psiquiátricos ocorreu também em outros países. Após a Segunda Grande Guerra, com o advento dos medicamentos antipsicóticos e dos movimentos pelos direitos humanos, muitos governos criaram serviços comunitários para substituírem o modelo de assistência centrado nos hospitais. Entretanto, como a internação continuava sendo necessária em muitos casos, como nas crises agudas, em que os recursos para tratamento extra-hospitalar não são suficientes, foram criados novos leitos em hospitais gerais. Em vários países ocorreu reestruturação da rede hospitalar geral para receber alas psiquiátricas, como nos EUA, Canadá, Inglaterra, Alemanha, França e Itália, inclusive. Este processo é mais moroso em países em desenvolvimento, como Brasil, Uruguai e Argentina. No Brasil, o número de leitos psiquiátricos em hospitais gerais não ultrapassa 5% do total de leitos (0,12 leitos/10 mil habitantes). Veja a tabela comparativa com a proporção de leitos para tratamento de transtornos mentais em alguns países.


O que muitos se perguntam é se a reforma psiquiátrica no Brasil tem gerado mais desassistência do que melhorado a atenção à saúde daqueles que sofrem de doenças mentais. A resposta a essa pergunta não é simples. Oferecer serviços abertos, próximos a comunidade e com a participação ativa de seus usuários é um inegável avanço. No caso da esquizofrenia, as internações prolongadas agravam os sintomas negativos e crônicos da doença e dificultam a recuperação do paciente, que para isso depende também da retomada de suas atividades sociais. Porém, no caso de crises agudas, a demora para um tratamento adequado, que inclui a dificuldade em internar alguém quando necessário, pode ser tão ou mais agravante para a sua saúde. A ciência tem demonstrado que numa crise psicótica ocorre liberação de moléculas inflamatórias (semelhante ao que ocorre na sepse – estado infeccioso generalizado), gerando um ambiente tóxico às células nervosas, provocando a perda de conexões sinápticas e a morte de neurônios. Isso torna o quadro mais grave, com muitas recaídas e pior recuperação. Por isso, especialistas do mundo todo têm enfatizado a necessidade de resposta rápida à crise, com providências imediatas que restaurem os tratamentos e possibilitem a recuperação plena.


A ênfase em dispositivos comunitários de tratamento, como os CAPS, é correta, pois possibilita a reabilitação social das pessoas em sua comunidade, porém os serviços precisam ser ampliados para uma maior cobertura e estar preparados para lidar com toda a complexidade da crise, o que requer leitos para internações curtas e profissionais qualificados. Por outro lado, é urgente criar novos leitos em hospitais gerais e na comunidade, através das residências terapêuticas, para assistir as pessoas em surto ou que não possam voltar às suas casas pela falta do suporte familiar ou porque se recusam a morar com a família. A saúde mental também não avançará se não forem criados incentivos para que pacientes em condições possam retornar ao mercado de trabalho e ter uma vida mais autônoma e independente. O Brasil não possui uma legislação específica que contemple o trabalho para portadores de transtornos mentais crônicos, com incentivos fiscais às empresas, como o que ocorre na deficiência física e mental.


Tanto se fala em reabilitação psicossocial, mas é necessário criar uma atmosfera social favorável a isso, para combater o estigma e o preconceito. E isto parte do princípio de termos serviços de qualidade e que acolham a totalidade de pacientes que deles necessitam, mostrando que a doença mental pode ser tratada, que as pessoas podem se recuperar e ocupar seus espaços na sociedade. A transformação desta realidade exige um investimento muito maior do que é feito hoje, quando os gastos com saúde mental não ultrapassam 2,5% do total de gastos do Governo com a saúde pública.


Assista ao programa Sem Censura especial sobre a reforma psiquiátrica no Brasil!

3 de dezembro de 2009

Programa Sem Censura Especial (01/12/09) - Esquizofrenia e Assistência Psiquiátrica no Brasil


Fui convidado pela jornalista Leda Nagle para participar de um debate sobre assistência psiquiátrica no Brasil. Ela decidiu dedicar um programa inteiro ao assunto e convidou também o poeta Ferreira Gullar, que tem um filho esquizofrênico e já escreveu diversos artigos sobre o tema em jornais e revistas, o deputado federal Germano Bonow, conhecedor da política de saúde mental e que tem sido uma das poucas vozes a respeito na Câmara dos Deputados, e o artista plástico Vitório Gheno, cuja a filha é esquizofrênica e está internada há vários anos em uma clínica em Porto Alegre com um quadro grave. É um debate de alto nível, enriquecedor para aqueles que querem conhecer melhor a política de saúde mental do Brasil. Assista!



1ª Parte






2ª Parte






3ª Parte





E você, o que pensa sobre a reforma da assistência psiquiátrica no Brasil? Deixe aqui seu comentário e acesse o Portal Entendendo a Esquizofrenia, participando também do nosso Fórum! CLIQUE AQUI

26 de novembro de 2009

Short-cuts: maconha afeta fertilidade masculina


Vejam a matéria que foi publicada na Folha de São Paulo no último dia 19. Mais uma evidência de que a maconha não é uma droga tão inócua como muitos pregam por aí. Já discutimos aqui no blog o papel que a maconha tem na psicose, em particular na esquizofrenia. Este estudo da USP mostra outra consequência danosa à saúde, mesmo para aqueles que usam a droga de forma recreativa. Leiam!


Folha de S Paulo
19/11/2009

A maconha altera a produção de espermatozoides e tem impacto na fertilidade do homem, aponta uma pesquisa da USP (Universidade de São Paulo) que ainda está em andamento. Os dados preliminares, baseados na análise de 32 homens, foram divulgados durante o Congresso Brasileiro de Urologia, que aconteceu na semana passada em Goiânia.

Segundo o urologista Jorge Hallak, coordenador da Unidade de Toxicologia Reprodutiva e de Andrologia da USP, com o consumo de maconha os espermatozoides mudam de formato e perdem a mobilidade, dificultando a fecundação.

"Basta consumir a droga uma vez por semana para ocorrer a alteração dos gametas", alerta o médico, que acompanha um grupo de usuários de maconha há sete anos.

Uma linha de pesquisa parecida tem sido desenvolvida pela Universidade Queen, de Belfast, na Irlanda do Norte. Os pesquisadores examinaram o efeito da THC -a substância ativa da maconha- no esperma e verificaram que, além de dificultar a chegada do sêmen ao óvulo, a maconha prejudica outras funções do esperma, como a habilidade de romper a camada protetora do óvulo.

Hallak também desenvolve pesquisas sobre o impacto da poluição na produção de espermatozoides, principalmente nos do cromossomo Y. Ele afirma que homens que trabalham nas ruas e inalam muita poluição têm uma maior concentração de radicais livres de oxigênio no sangue, o que também prejudica a fabricação de espermatozoides de qualidade.

De acordo com o médico, é possível amenizar os efeitos da maconha e da poluição nos espermatozoides com antioxidantes. "Vitaminas como a E e a C podem melhorar a qualidade do espermatozoide. Mas o tratamento dura em média sete meses", afirma.

1 de novembro de 2009

Internação involuntária no Brasil: proibida quando necessária?



Neste último mês assistimos a notícias e debates na mídia sobre a internação involuntária de pacientes psiquiátricos. O caso mais recente, do rapaz viciado em crack que estrangulou a namorada, ficou nacionalmente conhecido depois que o pai do garoto afirmou em entrevistas que tentou diversas vezes interná-lo, mas que as clínicas alegavam impedimento, porque a internação involuntária seria proibida por lei.


A internação involuntária, contra a vontade do paciente, é comum na psiquiatria quando o paciente não possui consciência de sua doença ou do estado de gravidade, mas precisa ser hospitalizado para sua proteção e tratamento. Esta realidade atinge não só dependentes químicos, como também portadores de doenças psiquiátricas, como a esquizofrenia e o transtorno bipolar.


As famílias procuram emergências psiquiátricas ou hospitais gerais sem saber como lidar com o problema e não raro encontram barreiras para uma internação quando o paciente se recusa a ficar. O que muitos desconhecem é que a lei nº 10.216, de 06 de abril de 2001 (Leia a íntegra da lei), prevê três tipos de internação, dentre elas a involuntária:


Internação voluntária – quando o paciente concorda em ficar internado, devendo assinar um termo de consentimento no ato da admissão.


Internação involuntária – quando uma terceira pessoa solicita a internação à revelia do paciente, devendo o Ministério Público ser comunicado pelo hospital no prazo de 72 horas.


Internação compulsória – contra a vontade do paciente e por determinação da Justiça.


A internação psiquiátrica voluntária ou involuntária só pode ser determinada pelo médico devidamente habilitado e registrado no CRM. O médico avaliará, dentre outras coisas, se o estado mental do paciente oferece risco a si próprio ou a terceiros, a principal prerrogativa para uma internação involuntária. Um dos problemas é que a avaliação do risco é subjetiva e depende do julgamento do profissional, que muitas vezes colide com a opinião da família. Podemos especificar três tipos de risco:


Risco iminente à vida – casos em que o paciente é violento contra si próprio (auto-agressão, suicídio, overdose de drogas) ou contra terceiros, quando não aceita se alimentar ou ingerir líquidos ou quando ameaça o lar (atear fogo na casa, destruir móveis, p.ex.).


Risco social – quando o paciente se expõe a situações que levam a riscos potenciais à vida ou à integridade por falta de autocrítica ou de controle do comportamento, como fugas repetidas de casa, frequentar locais violentos, envolver-se com marginais ou traficantes, promiscuidade, brigas ou discussões na rua, etc.


Risco à saúde – quando protelar o tratamento traz consequências negativas para a saúde mental e física do paciente. Todos os pacientes em crise se enquadram neste tipo de risco, pois o prolongamento de sintomas agudos de qualquer doença mental pode prejudicar a recuperação posterior do paciente, trazer complicações médicas e interferir com o funcionamento social e familiar.


O que vemos acontecer na prática é que o SUS não tem condições de absorver a demanda de internações nos três níveis de risco e acaba atendendo somente os casos mais graves, ainda assim com falhas. Muitas famílias precisam recorrer à Justiça para terem assegurado o direito à internação de seu familiar, tornando-a compulsória.


Por outro lado, os dispositivos criados pelo poder público para serem alternativos aos hospitais psiquiátricos, como os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial), não oferecem estrutura para lidar com toda a complexidade da crise. Como são serviços abertos e facultativos, dependem da aceitação do paciente. Como fazer com que um paciente, que recusa terminantemente o tratamento, frequente o CAPS?


As famílias sentem-se abandonadas nesses momentos, pois não têm o preparo adequado para lidar com o paciente em crise e não encontram orientação, apoio e tratamento nos serviços especializados. A reforma psiquiátrica trouxe avanços, porém o fechamento de leitos em asilos e manicômios sem a criação de novos leitos em hospitais gerais e psiquiátricos habilitados expõe a vida de pacientes em crise e de sua família e reverbera em falsos mitos como este: de que não é permitido internar alguém contra vontade.


E você, o que pensa a respeito? Participe, deixe aqui seu comentário!

11 de outubro de 2009

"Entendendo a Esquizofrenia" na Bienal do Livro 2009

No sábado, 19 de outubro de 2009, estivemos presentes na Bienal do Rio para um bate papo com os leitores do livro "Entendendo a Esquizofrenia - Como a família pode ajudar no tratamento?", lançado em abril deste ano. O encontro aconteceu no stand da editora Interciência. Na foto os autores Leonardo Palmeira e Maria Thereza Geraldes com o diretor da editora Rodrigo Nascimento (ao centro).

Os autores do livro, Ana Beatriz Bezerra, Maria Thereza Geraldes e Leonardo Palmeira, têm muitos motivos para comemorar. O livro aparece como o mais vendido sobre o tema e o Portal Entendendo a Esquizofrenia acumula mais de 10 mil acessos por mês. Estamos conseguindo atingir nosso objetivo de levar informação acessível e de qualidade a um maior número de famílias e pessoas envolvidas com a esquizofrenia.


Os autores com os funcionários da editora Interciência.


E mais funcionários, que sempre nos receberam com muito carinho. Nosso muito obrigado!


5 de outubro de 2009

Por que pacientes negam a doença e se recusam a fazer o tratamento?


Você sabe o que é insight?


A palavra insight pode ter vários significados. Na teoria psicanalítica ela corresponde ao nível de autoconhecimento da pessoa, de seus desejos e motivações inconscientes. Pessoas com bom insight compreendem melhor seus sentimentos, conhecem melhor as causas de seus problemas e têm maior consciência de como são percebidas pelas outras pessoas. Porém, utilizaremos o significado mais restrito da palavra insight, que é o reconhecimento pelo indivíduo de sua patologia. Pacientes com algum distúrbio psiquiátrico frequentemente negam a sua doença, subestimam a importância dos sintomas e o impacto que eles têm na sua vida e não tomam medidas para sua proteção, recusando o tratamento.


A falta de insight é particularmente comum na esquizofrenia e os motivos para isso ainda não são bem conhecidos. Insight não é uma característica dicotômica (ter ou não ter), mas uma dimensão em que podem existir diferentes graus de insight, entre a negação completa de uma doença até sua total aceitação. Podemos descrever os seguintes estágios:


I. Negação completa da doença, de seus sintomas e da necessidade de tratamento.


II. Negação da doença, mas aceitação de alguns sintomas vagos ou inespecíficos, como nervosismo, mal estar, insônia, com concordância parcial em fazer o tratamento (com o objetivo de aliviar os sintomas reconhecidos).


III. Aceitação da doença e do tratamento, mas subestimando sua importância, o impacto na sua vida e a necessidade de medidas que previnam recaídas e melhorem a qualidade de vida.


IV. Aceitação completa da doença e da necessidade de tratamento, compreendendo suas conseqüências e assumindo posturas coerentes para sua recuperação e melhora da qualidade de vida.


Esta visão dimensional permite separar alguns aspectos do insight que têm comportamento independente, como, por exemplo, o insight relacionado ao tratamento, à consciência da doença e à natureza dos sintomas. Muitos pacientes negam o diagnóstico, não reconhecem a natureza patológica dos sintomas, mas aceitam tomar os medicamentos e fazer a terapia. Um paciente pode, por exemplo, negar a doença, mas aceitar as dificuldades pessoais que ela traz para seus relacionamentos e atividades.


As causas para a falta de insight não são totalmente conhecidas, mas sabe-se que ela sofre influência de diversos fatores envolvidos na sua etiologia:


A. Defesa inconsciente – alguns autores sugerem que a falta de insight seja proveniente de um mecanismo psicológico de defesa e apóiam sua tese em estudos que mostram que a maior consciência de doença está relacionada à maior ocorrência de depressão.


B. Sintomas positivos – a falta de insight seria provocada pelos delírios e alucinações e por um pensamento grandioso de estar em boa saúde (delírio de saúde) e isso corresponderia aos pacientes que aceitam a doença após redução dos sintomas positivos com o tratamento.


C. Sintomas negativos – a falta de insight seria decorrente de um retraimento emocional global, em que o indivíduo não se empenharia para compreender suas experiências de vida, colocando-se indiferente a elas.


D. Desorganização mental – a desorganização dos pensamentos e do psiquismo impediria o raciocínio abstrato necessário para comparar seu funcionamento atual com o anterior à doença ou com o comportamento de alguém saudável, fazendo-o perder o conceito de normalidade.


E. Déficit neurológico ou neuropsicológico – alguns autores comparam a falta de insight na esquizofrenia com a negação da doença em alguns distúrbios neurológicos (chamada de anosognosia). Achados de disfunção da região frontal e parietal do cérebro se correlacionam com a falta de insight na esquizofrenia.


F. Prejuízos da metacognição ou “teoria da mente” – parte de algumas observações de que pacientes demonstram falta de insight quando são entrevistados sobre seus próprios sintomas, mas ganham insight quando a perspectiva é mudada da primeira para a terceira pessoa, mostrando que a consciência da doença do outro ocorre independentemente da sua.


G. Fatores sociais e interpessoais – fatores como educação e classe social parecem influenciar o insight e pesquisadores se apóiam também na evidência de que a terapia pode melhorar o insight, embora isto não explique a causa.


Como se deve agir nestas situações?


Reunimos algumas dicas sobre o assunto:

1) É importante que a família compreenda que a falta de insight é parte da doença e que, portanto, deve ser alvo de tratamento. Atitudes como forçar a aceitação do diagnóstico aumentam o estresse, afastam o paciente da convivência familiar e podem reforçar a negação. Familiares não detêm o conhecimento técnico de como proceder nestes casos e devem, portanto, buscar apoio e orientação junto à equipe terapêutica.


2) Existe tratamento capaz de melhorar o insight, através das próprias medicações antipsicóticas, da psicoterapia e da psicoeducação. A família deve contar também com um apoio (grupos ou terapia de família) para rever atitudes que possam interferir no processo de recuperação, do qual a consciência de doença também faz parte.



3) Na maioria das vezes a família se sente perdida, sem saber como agir diante da falta de insight do paciente, e toma atitudes como, por exemplo, dar a medicação escondida na comida ou no suco. É importante compreender que atitudes como esta geram conseqüências negativas adiante, como aumento da desconfiança por parte do paciente, que pode passar a recusar alimentos e líquidos. Ademais, agir desta forma é uma maneira de não trabalhar a consciência de doença, já que o paciente pode melhorar dos sintomas e não perceber que isto se deve aos efeitos do medicamento. A família deve obter orientações com a equipe terapêutica de como pode contribuir no resgate do insight.



4) O insight nem sempre deve ser um objetivo imediato do tratamento. O insight pleno para pacientes que ainda não estão preparados pode levar à maior desorganização e desestruturação psíquica ou à depressão (lembre-se que a negação é uma forma de defesa). Facilitar o insight através da terapia e da psicoeducação, aliadas ao uso da medicação e do suporte à família, pode e deve levar tempo. O principal no início é garantir a adesão ao tratamento, através da aceitação da medicação, que como vimos não requer a consciência plena da doença.



5) O resgate apropriado do insight no momento certo pode fazer com que pacientes sejam capazes de compreender e lidar melhor com seus sintomas, de desenvolver estratégias ou comportamentos adaptativos às suas dificuldades, reduzindo recaídas e melhorando sua qualidade de vida.

Portal Entendendo a Esquizofrenia

14 de setembro de 2009

Notícias sobre Esquizofrenia - Agosto/09

19/08/09 – Novo antipsicótico é aprovado pelo FDA para uso na esquizofrenia – O FDA, órgão norte-americano que regula medicamentos, aprovou uma nova substância desenvolvida pela Schering-Plough para o tratamento da esquizofrenia e do transtorno bipolar. A substância é Asenapina e será comercializada nos EUA com o nome de Saphris. O medicamento mostrou eficácia superior ao placebo e os efeitos colaterais mais comuns foram incapacidade de permanecer sentado ou imóvel (acatisia), diminuição da sensibilidade oral e sonolência. Será mais um medicamento de nova geração a ser incorporado ao concorrido grupo dos antipsicóticos...Leia Mais

03/08/09 – FDA aprova Invega injetável de ação prolongada para o tratamento da esquizofrenia - O órgão responsável pela aprovação de medicamentos nos EUA, o FDA, aprovou o medicamento Invega Sustenna, forma injetável de ação prolongada do Invega, para o tratamento da esquizofrenia. A versão contém o mesmo princípio ativo, a paliperidona, e será útil a pacientes com dificuldade para aderir a tratamentos com medicações orais. Invega Sustenna é o primeiro antipsicótico de segunda geração com tomada em intervalos de uma vez por mês.

1 de setembro de 2009

Vídeo-conferência: "Esquizofrenia: como a família pode ajudar no tratamento" apresentada no Fórum do CREMERJ em 15/08/09

O CREMERJ realizou em 15 de agosto de 2009 um Fórum sobre Saúde Mental, onde foi abordado o papel da família na esquizofrenia. O psiquiatra Leonardo Palmeira, autor do livro "Entendendo a Esquizofrenia - Como a família pode ajudar no tratamento?", falou do papel da sobrecarga familiar na prevenção de recaídas e na promoção da recuperação dos pacientes com esquizofrenia. Assista à palestra na íntegra clicando nas setas abaixo.


Assista à segunda parte da palestra:



Deixe seu comentário aqui em baixo!

21 de agosto de 2009

Gliose: você sabe o que é?



Tenho recebido muitos e-mails com perguntas sobre o significado de gliose e microangiopatia ateroesclerótica. Isto porque é comum este achado em exames de ressonância magnética cerebral em pessoas acima de 50 anos de idade. Já respondi inclusive a um depoimento deixado no blog a respeito, mas como é um assunto recorrente, resolvi abordá-lo melhor aqui.

Gliose é uma alteração da substância branca do cérebro evidenciada na ressonância magnética por lesões hiperintensas (esbranquiçadas) nas sequências FLAIR, geralmente proveniente de microangiopatia cerebral (doença de pequenos vasos do cérebro). Ela é decorrente de doença ateroesclerótica (formação de placas de ateroma na parede das artérias) de pequenos vasos.

Alguns fatores de risco são bem conhecidos, como tabagismo, alcoolismo, colesterol alto, obesidade, sedentarismo, hipertensão, diabetes e outras doenças que acometem vasos (vasculites, doenças reumáticas como Lupus). Existem outras doenças que podem cursar com gliose no SNC: Cadasil, p.ex., é uma doença hereditária (familiar) que cursa com essas alterações em pessoas em idade mais jovem. Estudos têm demonstrado que essas lesões também podem ocorrer com maior freqüência em pessoas portadoras de transtornos psiquiátricos, dentre eles o transtorno bipolar, a esquizofrenia, as depressões crônicas e a dependência química. Outros estudos já associaram também esses achados à enxaqueca.

A maior parte dos casos são assintomáticos, ou seja, a pessoa não sente nada ou o que sente não pode ser relacionado às glioses. Mas a simples presença delas indica a necessidade de algumas medidas preventivas, como combater o sedentarismo, controlar o colesterol, reduzir o uso de substâncias químicas como tabaco e álcool, controlar bem a pressão e os níveis de glicose no sangue, evitar o estresse, dentre outras medidas, como hábitos saudáveis de vida. Isto porque, com o avançar da idade, as glioses podem se transformar em um problema maior.

O número de lesões, sua localização, a idade do paciente e outros fatores relacionados ao envelhecimento cerebral podem predispor o paciente com glioses a uma doença degenerativa cerebral, como a demência vascular. É importante frisar que nem todo o paciente desenvolverá demência e que o diagnóstico de demência deve ser, antes de tudo, clínico. É preciso avaliar as funções cognitivas, como memória e atenção, para saber se aquela pessoa tem ou não demência.

O mais comum, porém, é o paciente com gliose ter alguma perturbação do humor, seja ela pre-existente ou consequência das glioses. Já atendi pacientes que não tinham os fatores de risco que citei, que não tinham doenças clínicas que justificassem as glioses, mas que possuíam uma história de depressão e transtono de humor ao longo da vida.

O termo “depressão vascular” tem sido utilizado para esses casos. Os pacientes podem evoluir com sintomas depressivos e ansiosos (crônicos), irritabilidade, intolerância, com algum grau de impulsividade. Em geral esses pacientes têm glioses na substância branca do lobo frontal em quantidade moderada a alta. O quadro é mais exuberante quando existem glioses nos núcleos da base, como o núcleo caudado. Outros sintomas que podem ocorrer são tremores, perda de equilíbrio e dores de cabeça.

É importante que o paciente procure um psiquiatra para uma avaliação e tratamento. A depressão vascular tem algumas peculiaridades, uma delas o fato de não responder bem a antidepressivos, mas existem outros medicamentos capazes de controlar os sintomas e devolver a qualidade de vida aos pacientes.

Outro aspecto crucial e de caráter preventivo é a preocupação com a neuroproteção, ou seja, estar atento para os riscos de um envelhecimento cerebral mais acelerado e para a ocorrência de demência. O paciente deve ser acompanhado evolutivamente quanto às suas funções cognitivas, como memória e atenção, para iniciar precocemente uso de medicamentos neuroprotetores e anti-oxidantes que o protejam melhor de uma doença degenerativa.

Glioses possuem alguns sinônimos como: microangiopatia isquêmica, ateroesclerose cerebral, doença ateroesclerótica cerebral.

19 de agosto de 2009

Você sabe o que é psicopatia? Assista a entrevista na WTN

Dr. Leonardo Palmeira fala sobre psicopatia para o jornalista Luiz Santoro no programa WTN Entrevista, da Web TV WTN.

Clique no link e assista: http://www.wtn.com.br/entrevista/index.php?id=1602

7 de agosto de 2009

Notícias sobre Esquizofrenia - Julho/09

Do Portal Entendendo a Esquizofrenia
20/07/09 - Esquizofrenia está associada à maior mortalidade por câncer - Pesquisadores da França publicaram um estudo na revista Cancer que alerta sobre um maior risco de mortalidade de câncer entre esquizofrênicos, especialmente de mama nas mulheres e de pulmão nos homens. O estudo avaliou 3470 pacientes desde 1993 e o câncer foi a segunda causa de morte entre esquizofrênicos, com uma taxa de mortalidade quatro vezes maior do que na população geral (14%). Os pesquisadores atribuem a maior mortalidade devido à demora no diagnóstico e, consequentemente, ao tratamento em estágios mais avançados. O estudo deve servir de alerta para a importância de exames periódicos nesta população e derruba o mito de que esquizofrênicos tinham menos câncer do que a população geral. Isto parece ser verdade apenas no caso do câncer de pele, devido à menor exposição solar (CancerConsultants.com)...Leia Mais.

02/07/09 – Estudo mapea variações genéticas da esquizofrenia - Quase meio milhar de pequenas variações genéticas seriam responsáveis por ao menos um terço do risco de desenvolvimento de esquizofrenia. É a conclusão de três estudos publicados ontem pela revista científica britânica "Nature". Uma parte da pesquisa, realizada com cerca de mil pacientes, sugere também a existência de raízes genéticas comuns entre a esquizofrenia e o transtorno maníaco-depressivo, também conhecido como transtorno bipolar. A análise dos resultados dos três trabalhos, que utilizaram conjuntamente uma amostra de 8.014 pessoas com esquizofrenia e outras 19.090 pessoas não acometidas pela doença, ressalta em particular uma área do cromossomo 6 conhecida por ter genes vinculados à imunidade e às infecções. Também foram analisados genes que intervêm no controle da ativação ou desativação dos outros genes. Essa associação poderia explicar como fatores do contexto em que a pessoa vive afetam os riscos de desenvolvimento de esquizofrenia, segundo o Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos (NIMH). Mais de 450 variações na zona suspeita do cromossomo 6 e uma área do cromossomo 22 figuram entre os locais genéticos que mostram vínculos mais intensos com a esquizofrenia. O grupo SGENE, que também investiga a esquizofrenia, apontou ainda uma associação entre variações em cromossomos para a elucidação científica do déficit de atenção (TDAH) e das falhas de memória (Jornal Estado de São Paulo)...Leia Mais