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Caro Leitor,

quero convidá-lo a acessar meu novo site leonardopalmeira.com.br. Lá você vai encontrar todo o conteúdo deste blog além de informações de utilidade pública, um manual prático para pacientes e muitas novidades.

O blog continuará no ar, porém novos artigos serão publicados somente no site oficial. Espero que gostem!

26 de janeiro de 2010

Notícia: remédio mais popular para emagrecimento, a sibutramina, tem sua venda proibida na Europa

A notícia saiu no jornal O Globo de hoje (26/01/10) e alerta para riscos de infarto e derrame causados pela sibutramina. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) irá analisar até o final desta semana se também proibe a venda da substância no Brasil, atualmente a lider de vendas para emagrecimento. Nos EUA, o FDA, órgão regulador, restringiu a prescrição de sibutramina e alertou os médicos sobre possíveis riscos à saúde.

Leiam a notícia do site O Globo:

A Agência Europeia de Medicamentos proibiu esta semana a venda da sibutramina, atualmente a droga para emagrecer mais usada no Brasil e nos Estados Unidos, de acordo com informações do British Medical Journal (BMJ). Nos EUA, o medicamento teve sua venda restrita em dezembro após uma avaliação da Food and Drug Administration (FDA), que observou que a droga aumenta o risco de infartos e derrames.

Segundo a agência europeia, os riscos da sibutramina superam seus benefícios. Junto com a proibição, foram divulgados dados do estudo "sibutramine cardiovascular outcomes trial (SCOUT)", que mostrou que o risco de infarto do miocárdio aumenta 16% em pessoas que tomam o medicamento. Em artigo publicado no BMJ, os pesquisadores da Agência Europeia de Medicamentos afirmam que "médicos não devem mais prescrever este medicamento, e farmacêuticos não devem tê-lo em estoque. Pacientes que tomam a sibutramina devem consultar um médico e discutir formas alternativas de perder peso".

Fonte:

http://oglobo.globo.com/vivermelhor/mat/2010/01/25/sibutramina-remedio-de-emagrecimento-mais-popular-no-mundo-tem-venda-proibida-na-europa-915698597.asp

EM TEMPO: A ANVISA DECIDIU NÃO PROIBIR A SIBUTRAMINA NO BRASIL, MAS PROPÔS ALGUMAS RESTRIÇÕES:

A partir da análise do estudo, a Anvisa recomenda a contra indicação do uso de medicamentos à base de sibutramina para pacientes com perfil semelhante aos incluídos no estudo SCOUT:

a) Pacientes que apresentem obesidade associada à existência, ou antecedentes pessoais, de doenças cardio e cerebrovasculares;


b) Pacientes que apresentem Diabetes Mellitus tipo 2, com sobrepeso ou obesidade e associada a mais um fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

A Anvisa, por meio da Câmara Técnica de Medicamentos (Cateme) fará nova avaliação do estudo, com o objetivo de investigar os níveis de segurança do medicamento em pacientes com perfis distintos dos já estudados. Essa avaliação poderá levar a Agência a determinar outras medidas restritivas ao uso da substância.

Fonte: site ANVISA

22 de janeiro de 2010

Leite materno previne problemas mentais em crianças


Sempre é bom lermos estudos que comprovam aquilo que todos já imaginavam. A amamentação é fundamental para a saúde psíquica de uma criança, inclusive com repercussões positivas para a vida adulta. A Organização Mundial de Saúde recomenda a amamentação exclusiva até os 6 meses de idade e depois até os 2 anos de idade.


Bebês amamentados por mais de seis meses apresentam melhor saúde mental

Estudo feito por pesquisadores australianos diz que o leite materno protege as crianças de transtornos mentais, como depressão, ansiedade, problemas de comportamento, entre outros. Eles afirmam que bebês amamentados por mais de seis meses apresentam melhor saúde mental.

Uma hipótese é que o contato com a mãe tem um efeito positivo no desenvolvimento de aspectos neuroendócrinos necessários à resposta ao estresse (fator de risco para danos psiquiátricos). Outra explicação é que o leite materno tem ácidos graxos e componentes bioativos essenciais para o desenvolvimento.

A equipe de Wendy Oddy, do Instituto Telethon de Investigação da Saúde Infantil, iniciou a pesquisa em 1989, acompanhado 2.900 mulheres na metade da gestação. Os autores anotaram todos os dados da família e a forma de alimentação dos bebês (leite materno ou artificial) e período de amamentação. De 2.366, 11% não receberam leite do peito; 28% tomaram leite materno de seis meses a 12 meses, e 24% mais de um ano.

As mães mais jovens, com 12 anos ou menos de estudos, mais estressadas e que fumaram durante a gravidez estão no grupo que deram o peito por menos de seis meses. E, segundo os autores, um curto período de amamentação está relacioanado com aumento da incidência de doenças mentais.


Fonte: O Globo, 19/01/10

18 de janeiro de 2010

Entendendo a Esquizofrenia agora no Twitter


Você pode acompanhar o blog e o Portal Entendendo a Esquizofrenia agora também pelo Twitter. Basta acessar:




12 de janeiro de 2010

Avalie seu temperamento e participe da pesquisa online.

Esta é uma pesquisa séria do grupo do Dr. Diogo Lara, da PUC de Porto Alegre, e que quer avaliar o temperamento dos brasileiros para relacioná-lo aos principais distúrbios mentais.

Foi baseado em um de seus livros, Modelo de Raiva e Medo, que desenvolvi o teste de temperamento deste blog. É muito útil na prática clínica conhecer melhor o temperamento do paciente. Isso ajuda no tratamento, tanto psiquiátrico como psicoterápico, como orienta o paciente quanto aos pontos fortes e fracos que precisam ser melhorados para uma vida mais tranquila e feliz.

A pesquisa está disponível pela internet e recomendo a todos que participem. Basta acessar www.temperamento.com.br

Veja abaixo a reportagem que foi ao ar hoje no Jornal Hoje, da TV Globo.



Médicos brasileiros estão desenvolvendo uma pesquisa que pode ajudar no tratamento de doenças comportamentais, como depressão, ansiedade e estresse. O estudo procura voluntários em todo país. Você pode participar de casa porque as informações são colhidas pela internet. E você recebe, de graça, a avaliação de uma equipe médica.

Os médicos já sabem: de 35% a 50% da população têm algum tipo de transtorno psiquiátrico. O problema é que a maioria não procura ajuda por falta de informação ou preconceito.

“Cada vez mais estão surgindo evidências de que o comportamento da pessoa, seu jeito de ser, está relacionado com as doenças mentais que a pessoa pode vir a manifestar e também com a forma que essa doença se manifesta na pessoa”, esclarece Gustavo Ottini, psiquiatra.

E há vários tipos de transtornos. Por exemplo, 10% da população já teve ou terá depressão ao longo da vida. Mulheres, pessoas com stress provocado por doenças ou que tiveram perdas em geral, como relacionamentos ou trabalho são as mais afetadas. Elas apresentam sintomas como falta de vontade, tristeza e perdem o prazer em atividades que antes gostavam de realizar.

Entre os homens a irritabilidade também chama a atenção e para saber como o temperamento influencia ou é influenciado pelos transtornos psiquiátricos um grupo de pesquisadores da PUC, de Porto Alegre, criou uma pesquisa na internet.

Qualquer pessoa com mais de 18 anos pode participar. Bastar ter um computador ligado à internet e um endereço eletrônico. O voluntário não precisa se identificar. E depois de responder o questionário, ele recebe na hora uma avaliação psicológica.

Uma espécie de mapa comportamental. A pessoa fica sabendo como estão os níveis de medo, sensibilidade, controle, vontade, se está ansioso, apático. Um diagnóstico rápido que pode servir para o início de um tratamento. A ideia é coletar os dados de 50 mil voluntários. Para os médicos, a estatística final pode ajudar nos consultórios.

“A escala de temperamento que a gente desenvolveu pode ser útil depois para consultórios de psicólogos e psiquiatras para antecipar o perfil do paciente e de que maneira aquela pessoa pode ter mais ou menos chances de desenvolver os transtornos psiquiátricos. Então abreviaria e ao mesmo tempo deixaria mais completa a avaliação, em pouco tempo”, diz Diogo Lara, psiquiatra.

Heloísa comemora os avanços que teve depois que descobriu e começou a tratar a depressão. Para ela, se conhecer é o primeiro e mais importante passo para viver melhor. “Tem coisas que são do temperamento, que de repente é normal. E outras que seriam transtornos psiquiátricos e a pessoa já vai se encaixar nisso e talvez procurar ajuda. Fica muito mais fácil”, comenta Heloísa Galvão, aposentada.

Fonte: Site G1 - Jornal Hoje - 12/01/2010

11 de janeiro de 2010

Nem tudo é depressão.

Vale a pena ler o texto do juiz Afif Simões Neto, publicado no jornal Zero Hora do dia 05/01/10, que aborda como a depressão caiu no senso comum das pessoas.


Tristeza já era. Agora tudo é depressão


Afif Simões Neto, juiz de Direito.

Faleceu a estimada tristeza, uma senhora de gestos comedidos, vestimenta adequada às circunstâncias, exemplo de sobriedade. Não se dá mais o direito ao necessário exílio voluntário, à espera de que o desencanto decorrente de algum infortúnio pessoal vá embora tal como de manso se chegou. Antes, quando os anos transcorriam a passo de boi de canga, a melancolia era encarada como um estado de espírito variável, influenciado inclusive pela mudança da lua, das estações, da chegada esguia do vento norte.

Agora tem sempre por perto um entendido em curto-circuito mental para sentenciar: o que tu tens é um profundo quadro de depressão. Pra quê! Começa aí, caso o veredicto seja aceito sem o esboço da reação, a vagarosa caminhada em direção ao autoaniquilamento, triste fim para quem estava apenas triste com determinado fim.

Nos memoráveis tempos da brilhantina, se um sujeito levava da namorada um bicudo bem dado no traseiro, recolhia-se em copas, tomava de dois a três porres bem tomados e partia pra outra, sem muita encucação ou crises existenciais. Era bola pra frente e zero a zero no placar do jogo temerário do amor. Hoje, a perda da mulher amada exige acompanhamento psicológico e psiquiátrico, como se dor de guampa pudesse ser curada com antidepressivos ou conversa no divã. Virou chiquérrimo estar deprimido. Coisa de gente endinheirada, dos famosos da televisão, de quem tem café no bule. Ou vocês conhecem um único auxiliar de pedreiro – também conhecido nas hostes da construção civil como meia-colher – que padeça desse mal? Pobre tem outras preocupações, incuráveis todas elas sob o ponto de vista da medicina ortodoxa. Pagar a conta da água, da luz, de arrumar comida pra miuçalha que berra de fome, isso quando ainda existe gás no bujão.

Mas é nos velórios que aflora toda a tristeza geneticamente escandalosa daquela gente humilde que o Chico cantou como perito. Grita, sapateia, abraça o morto com caixão e tudo. Na hora de fechar a tampa, acena com a possibilidade de ir junto, ainda que o espaço na condução seja reduzido. Passada a fase do luto fechado, a vida vai adquirindo aos poucos o seu tranco rotineiro, dispensada a ajuda da indústria farmacêutica. Já o esnobe abonado emergente – ou o que se acha como tal – sai direto do cemitério para a sala de espera dos consultórios médicos, devidamente “paleteado” por algum membro da família. E, então, dê-lhe se entupir de remédios de tarja preta, cujos efeitos colaterais transformam-se lentamente na própria depressão que se pretende combater. É a degradação causada pela cura. Troço meio doido, mas é assim mesmo que funciona, embora simplória a comparação.

Sobre isso, a propósito, li um comentário na internet muito interessante. Um cara deu a ideia – coisa de gênio – de que a sociedade politicamente organizada bem que poderia treinar pobres para ajudar ricos deprimidos a ficarem curados! Assim, pelo menos criaria emprego e geraria renda para a penúria dos casebres. Além do bolsa-família e do vale-pílula, haveria o bolsa-banzo!

Sem querer me tornar presunçoso, a figura do violão é capaz de explicar essas diferenças anímicas. Qualquer música pode-se tirar das cordas tangidas, desde a valsa dolente até um limpa-banco, de acordo com a vontade de quem a faz ressoar. Enquanto a corda estiver inteira, haverá ruído, harmonioso ou desagradável ao ouvido, divertido ou tristonho. Mas quando a corda explodir, não adianta nem tentar amarrar a parte rompida, pois a sonoridade foi pro saco. Isso seria a depressão. A corda que se rompe sem conserto. O som que se cala. Antes que tal aconteça, toca a vida como se fosse a corda que ainda vibra. Não esperes que ela arrebente nos teus dedos...

Drogas contra depressão são pouco eficazes em caso leve a moderado

Esta notícia foi publicada no último dia 7 por alguns jornais e na internet. A fonte que cito é o Globo Online. Serve de alerta à população que faz uso indiscriminado de antidepressivos, com certeza não se refere às pessoas que estão se tratando adequadamente com seus médicos. Mas vamos abordar mais este tema aqui no blog este mês. São muitos os pacientes que me procuram após anos de antidepressivos sem uma melhora clara e isto merece mais reflexão de nós profissionais.

Nova investigação é a primeira a analisar as respostas de centenas de pessoas em tratamento de sintomas moderados

Veículo: O Globo Online
Seção: Viver Melhor
Data: 07/01/2010
Estado: RJ

NOVA YORK - Algumas drogas amplamente receitadas para aliviar os sintomas de depressão não são mais eficazes do que placebos na maioria dos casos, segundo uma nova pesquisa publicada na revista da Associação Médica Americana.

Os resultados do estudo, realizado nos EUA, podem ajudar a esclarecer o longo debate sobre o uso de antidepressivos, embora os autores não afirmem que esses medicamentos são inúteis para indivíduos com depressão moderada a grave. Porém, a nova investigação é a primeira a analisar as respostas de centenas de pessoas em tratamento de sintomas moderados.

- O estudo pode diminuir o entusiasmo com relação a antidepressivos, o que pode ser uma coisa boa - diz o psiquiatra Erick H. Turner, da Universidade de Ciência e Saúde do Oregon. - As expectativas das pessoas para as drogas não serão tão elevadas, e os médicos não serão surpreendidos se não conseguirem curar todos os pacientes com medicamentos.

Foram revistos seis grandes estudos sobre o tema
Mas Turner diz que os resultados não devem desestimular pacientes, a ponto de se recusarem a tentar tratamento com esse tipo de droga. A equipe - incluindo psicólogos que defendem a terapia e médicos ligados a fabricantes de medicamentos - avaliou seis grandes estudos clínicos, feitos com 728 homens e mulheres; metade deles com depressão grave e a outra parte com sinais moderados.

Três dos ensaios foram com o Paxil, da GlaxoSmithKline, um inibidor seletivo da recaptação da serotonina (SSRI, sigla em inglês), como o Lexapro e o Prozac etc, e os outros três com imipramina, genérico mais antigo da classe dos triíclicos. O grupo, liderado por Jay C. Fournier e J. Robert DeRubeis, da Universidade da Pensilvânia, descobriu que, comparados com placebos, as drogas causaram alívio mais acentuado nos sintomas de depressão grave, com pontuação de 25 ou mais na escala padrão de gravidade. Pacientes com pontuação inferior a 25 tiveram pouco ou nenhum benefício adicional.

20 de dezembro de 2009

Feliz Natal e um 2010 de muita saúde, paz e sucesso a todos!




10 de dezembro de 2009

Campanhas na TV em Portugal combatem o estigma contra as doenças mentais

A Associação Encontrar+se está empenhada em combater o estigma da doença mental em Portugal. Este ano, incomodada com a repetida utilização da palavra autista pelos políticos portugueses, desenvolveu uma campanha contra a utilização do termo através de anúncios na televisão, estimulando um acordo entre os líderes parlamentares para coibir o mau uso da palavra. A associação é conhecida também por outras campanhas, como sobre a esquizofrenia. No Brasil não assistimos na TV anúncios como estes, mas deveríamos, pois não se combate o estigma sem mobilização social. Por aqui, no Congresso e na mídia em geral é comum ouvir o termo esquizofrenia aplicado de forma pejorativa quando se quer dar a conotação de algo ruim ou "sem pé nem cabeça". Vale a pena assistir aos vídeos.


7 de dezembro de 2009

Short-cuts: Solidão pode ser contagiosa como gripe

Essa pesquisa é muito interessante e mostra como a rede social é crucial tanto para manter nossa saúde mental como no desencadeamento de processos mórbidos, como a depressão. Agora, o surpreendente desta pesquisa é a conclusão de que pessoas solitárias transmitem a solidão umas às outras, tornando-se progressivamente mais isoladas. Imaginem isso numa família, num grupo de amigos. Tenho certeza de que todos nós já presenciamos isso e, muitas vezes, nos afastamos para evitar que o ânimo do outro nos "contamine".

Fonte: BBC Brasil
Notícia de: 01/12/2009

A pesquisa da Universidade da Califórnia San Diego, Universidade de Chicago e de Harvard descobriu que as pessoas solitárias tendem a dividir a solidão com outras pessoas. Gradativamente, durante um período de tempo, essas pessoas acabam, em grupo, se afastando dos seus círculos socias.
"Detectamos um padrão extraordinário de contágio, que leva as pessoas à fronteira da rede social quando ficam solitárias", afirmou o psicólogo John Cacioppo, da Universidade de Chicago, um dos pesquisadores que participou do estudo. "Na periferia (da rede social) as pessoas tem menos amigos, e a solidão destas pessoas ainda as leva a perder os poucos laços que ainda tem."No entanto, antes de cortar as relações, as pessoas que já estão na periferia das redes de contato social transmitem os sentimentos de solidão para os amigos que restaram, que também se transformam em pessoas solitárias."Estes efeitos significam que nosso tecido social pode se desgastar nas pontas, como um fio que está solto na ponta de uma blusa de malha", acrescentou Cacioppo.
O artigo foi publicado na revista especializada Journal of Personality and Social Psychology. Os cientistas americanos examinaram os registros de um estudo realizado no Estado de Massachusetts, desde 1948. Esta pesquisa foi realizada originalmente em Framingham para acompanhar um grupo de 5.209 pessoas, para avaliar o risco de doenças cardiovasculares. Desde então o estudo se expandiu para incluir cerca de 12 mil pessoas, filhos e netos do grupo original e outras pessoas, para diversificar a amostra populacional e também para incluir testes com objetivo de medir a solidão e depressão. Os pesquisadores entravam em contato com os voluntários a cada dois a quatro anos e coletavam os nomes de amigos que conheciam os pesquisados. Estes registros se transformaram em uma fonte de informação sobre a rede social dos pesquisados. Os pesquisadores elaboraram gráficos com a história das amizades dos pesquisados e sobre seus relatos de solidão. Com isso, conseguiram estabelecer uma forma de mensurar a solidão. As informações mostravam que os solitários "infectavam" as pessoas à sua volta com a solidão, e que estas pessoas se moviam para as periferias do tecido social. Por exemplo, os pesquisadores descobriram que a solidão se espalhou entre vizinhos que eram amigos próximos. A pesquisa também mostrou que, quando as pessoas ficam solitárias, elas confiam menos nas outras e dão início a um ciclo que torna ainda mais difícil para estas pessoas iniciarem uma amizade.
Segundo Cacioppo, "a sociedade poderá se beneficiar ao cuidar das pessoas que se afastaram dos círculos sociais, para ajudar a reparar suas redes sociais e criar uma barreira protetora contra a solidão, que possa evitar que toda a rede seja prejudicada". Richard Suzman, diretor da Divisão de Pesquisa Comportamental e Social do Instituto Nacional de Envelhecimento dos EUA, um dos que financiou a pesquisa, lembrou que "pesquisas anteriores mostraram que a solidão e a falta de conexão social podem ter um efeito negativo na saúde e bem-estar de pessoas idosas".

5 de dezembro de 2009

Erros e acertos da reforma da assistência psiquiátrica brasileira: para onde vamos?



A reforma psiquiátrica brasileira transformou a assistência à saúde mental no país, fechando leitos em hospitais psiquiátricos e criando dispositivos alternativos na comunidade, como os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) e as residências terapêuticas, com objetivo de aproximar portadores de transtornos mentais graves da sociedade, permitindo maior integração social e resgatando sua cidadania. Inspirado no modelo de reforma italiana por Franco Basaglia, que praticamente acabou com os hospitais psiquiátricos naquele país, a reforma brasileira é hoje motivo de polêmica e de muita discussão acerca de seus erros e acertos.


Em 1941, o Brasil possuía 5,8 leitos para cada 10 mil habitantes. No período da ditadura houve uma grande ampliação do número de leitos com a criação de clínicas privadas e conveniadas ao SUS, chegando a 8,8 leitos para cada 10 mil habitantes. Com a reforma psiquiátrica, iniciada na década de 80, houve redução dramática de leitos para 4,4 por 10 mil habitantes em 1998 e, posteriormente, para 2,5 leitos por 10 mil habitantes em 2005 (pouco mais de 40 mil leitos em todo país). Um programa de avaliação hospitalar criado pelo governo federal (PNASH) avaliou os hospitais psiquiátricos em todo o país e fechou clínicas que não tinham os pré-requisitos necessários ao seu funcionamento e restringiu leitos em outras que precisavam se adequar às novas normas. Paralelamente a isso, foram implantados CAPS e residências terapêuticas, que seriam os serviços substitutivos ao fechamento dos hospitais, porém em velocidade muito inferior. Em 2002 existiam no país apenas 424 CAPS e este ano são 1394, responsáveis por apenas 57% da cobertura populacional, ou seja, quase metade dos brasileiros não tem acesso aos serviços, continuam recorrendo aos hospitais, sendo que há grande carência de profissionais e de leitos.


A redução de leitos psiquiátricos ocorreu também em outros países. Após a Segunda Grande Guerra, com o advento dos medicamentos antipsicóticos e dos movimentos pelos direitos humanos, muitos governos criaram serviços comunitários para substituírem o modelo de assistência centrado nos hospitais. Entretanto, como a internação continuava sendo necessária em muitos casos, como nas crises agudas, em que os recursos para tratamento extra-hospitalar não são suficientes, foram criados novos leitos em hospitais gerais. Em vários países ocorreu reestruturação da rede hospitalar geral para receber alas psiquiátricas, como nos EUA, Canadá, Inglaterra, Alemanha, França e Itália, inclusive. Este processo é mais moroso em países em desenvolvimento, como Brasil, Uruguai e Argentina. No Brasil, o número de leitos psiquiátricos em hospitais gerais não ultrapassa 5% do total de leitos (0,12 leitos/10 mil habitantes). Veja a tabela comparativa com a proporção de leitos para tratamento de transtornos mentais em alguns países.


O que muitos se perguntam é se a reforma psiquiátrica no Brasil tem gerado mais desassistência do que melhorado a atenção à saúde daqueles que sofrem de doenças mentais. A resposta a essa pergunta não é simples. Oferecer serviços abertos, próximos a comunidade e com a participação ativa de seus usuários é um inegável avanço. No caso da esquizofrenia, as internações prolongadas agravam os sintomas negativos e crônicos da doença e dificultam a recuperação do paciente, que para isso depende também da retomada de suas atividades sociais. Porém, no caso de crises agudas, a demora para um tratamento adequado, que inclui a dificuldade em internar alguém quando necessário, pode ser tão ou mais agravante para a sua saúde. A ciência tem demonstrado que numa crise psicótica ocorre liberação de moléculas inflamatórias (semelhante ao que ocorre na sepse – estado infeccioso generalizado), gerando um ambiente tóxico às células nervosas, provocando a perda de conexões sinápticas e a morte de neurônios. Isso torna o quadro mais grave, com muitas recaídas e pior recuperação. Por isso, especialistas do mundo todo têm enfatizado a necessidade de resposta rápida à crise, com providências imediatas que restaurem os tratamentos e possibilitem a recuperação plena.


A ênfase em dispositivos comunitários de tratamento, como os CAPS, é correta, pois possibilita a reabilitação social das pessoas em sua comunidade, porém os serviços precisam ser ampliados para uma maior cobertura e estar preparados para lidar com toda a complexidade da crise, o que requer leitos para internações curtas e profissionais qualificados. Por outro lado, é urgente criar novos leitos em hospitais gerais e na comunidade, através das residências terapêuticas, para assistir as pessoas em surto ou que não possam voltar às suas casas pela falta do suporte familiar ou porque se recusam a morar com a família. A saúde mental também não avançará se não forem criados incentivos para que pacientes em condições possam retornar ao mercado de trabalho e ter uma vida mais autônoma e independente. O Brasil não possui uma legislação específica que contemple o trabalho para portadores de transtornos mentais crônicos, com incentivos fiscais às empresas, como o que ocorre na deficiência física e mental.


Tanto se fala em reabilitação psicossocial, mas é necessário criar uma atmosfera social favorável a isso, para combater o estigma e o preconceito. E isto parte do princípio de termos serviços de qualidade e que acolham a totalidade de pacientes que deles necessitam, mostrando que a doença mental pode ser tratada, que as pessoas podem se recuperar e ocupar seus espaços na sociedade. A transformação desta realidade exige um investimento muito maior do que é feito hoje, quando os gastos com saúde mental não ultrapassam 2,5% do total de gastos do Governo com a saúde pública.


Assista ao programa Sem Censura especial sobre a reforma psiquiátrica no Brasil!

3 de dezembro de 2009

Programa Sem Censura Especial (01/12/09) - Esquizofrenia e Assistência Psiquiátrica no Brasil


Fui convidado pela jornalista Leda Nagle para participar de um debate sobre assistência psiquiátrica no Brasil. Ela decidiu dedicar um programa inteiro ao assunto e convidou também o poeta Ferreira Gullar, que tem um filho esquizofrênico e já escreveu diversos artigos sobre o tema em jornais e revistas, o deputado federal Germano Bonow, conhecedor da política de saúde mental e que tem sido uma das poucas vozes a respeito na Câmara dos Deputados, e o artista plástico Vitório Gheno, cuja a filha é esquizofrênica e está internada há vários anos em uma clínica em Porto Alegre com um quadro grave. É um debate de alto nível, enriquecedor para aqueles que querem conhecer melhor a política de saúde mental do Brasil. Assista!



1ª Parte






2ª Parte






3ª Parte





E você, o que pensa sobre a reforma da assistência psiquiátrica no Brasil? Deixe aqui seu comentário e acesse o Portal Entendendo a Esquizofrenia, participando também do nosso Fórum! CLIQUE AQUI

26 de novembro de 2009

Short-cuts: maconha afeta fertilidade masculina


Vejam a matéria que foi publicada na Folha de São Paulo no último dia 19. Mais uma evidência de que a maconha não é uma droga tão inócua como muitos pregam por aí. Já discutimos aqui no blog o papel que a maconha tem na psicose, em particular na esquizofrenia. Este estudo da USP mostra outra consequência danosa à saúde, mesmo para aqueles que usam a droga de forma recreativa. Leiam!


Folha de S Paulo
19/11/2009

A maconha altera a produção de espermatozoides e tem impacto na fertilidade do homem, aponta uma pesquisa da USP (Universidade de São Paulo) que ainda está em andamento. Os dados preliminares, baseados na análise de 32 homens, foram divulgados durante o Congresso Brasileiro de Urologia, que aconteceu na semana passada em Goiânia.

Segundo o urologista Jorge Hallak, coordenador da Unidade de Toxicologia Reprodutiva e de Andrologia da USP, com o consumo de maconha os espermatozoides mudam de formato e perdem a mobilidade, dificultando a fecundação.

"Basta consumir a droga uma vez por semana para ocorrer a alteração dos gametas", alerta o médico, que acompanha um grupo de usuários de maconha há sete anos.

Uma linha de pesquisa parecida tem sido desenvolvida pela Universidade Queen, de Belfast, na Irlanda do Norte. Os pesquisadores examinaram o efeito da THC -a substância ativa da maconha- no esperma e verificaram que, além de dificultar a chegada do sêmen ao óvulo, a maconha prejudica outras funções do esperma, como a habilidade de romper a camada protetora do óvulo.

Hallak também desenvolve pesquisas sobre o impacto da poluição na produção de espermatozoides, principalmente nos do cromossomo Y. Ele afirma que homens que trabalham nas ruas e inalam muita poluição têm uma maior concentração de radicais livres de oxigênio no sangue, o que também prejudica a fabricação de espermatozoides de qualidade.

De acordo com o médico, é possível amenizar os efeitos da maconha e da poluição nos espermatozoides com antioxidantes. "Vitaminas como a E e a C podem melhorar a qualidade do espermatozoide. Mas o tratamento dura em média sete meses", afirma.

1 de novembro de 2009

Internação involuntária no Brasil: proibida quando necessária?



Neste último mês assistimos a notícias e debates na mídia sobre a internação involuntária de pacientes psiquiátricos. O caso mais recente, do rapaz viciado em crack que estrangulou a namorada, ficou nacionalmente conhecido depois que o pai do garoto afirmou em entrevistas que tentou diversas vezes interná-lo, mas que as clínicas alegavam impedimento, porque a internação involuntária seria proibida por lei.


A internação involuntária, contra a vontade do paciente, é comum na psiquiatria quando o paciente não possui consciência de sua doença ou do estado de gravidade, mas precisa ser hospitalizado para sua proteção e tratamento. Esta realidade atinge não só dependentes químicos, como também portadores de doenças psiquiátricas, como a esquizofrenia e o transtorno bipolar.


As famílias procuram emergências psiquiátricas ou hospitais gerais sem saber como lidar com o problema e não raro encontram barreiras para uma internação quando o paciente se recusa a ficar. O que muitos desconhecem é que a lei nº 10.216, de 06 de abril de 2001 (Leia a íntegra da lei), prevê três tipos de internação, dentre elas a involuntária:


Internação voluntária – quando o paciente concorda em ficar internado, devendo assinar um termo de consentimento no ato da admissão.


Internação involuntária – quando uma terceira pessoa solicita a internação à revelia do paciente, devendo o Ministério Público ser comunicado pelo hospital no prazo de 72 horas.


Internação compulsória – contra a vontade do paciente e por determinação da Justiça.


A internação psiquiátrica voluntária ou involuntária só pode ser determinada pelo médico devidamente habilitado e registrado no CRM. O médico avaliará, dentre outras coisas, se o estado mental do paciente oferece risco a si próprio ou a terceiros, a principal prerrogativa para uma internação involuntária. Um dos problemas é que a avaliação do risco é subjetiva e depende do julgamento do profissional, que muitas vezes colide com a opinião da família. Podemos especificar três tipos de risco:


Risco iminente à vida – casos em que o paciente é violento contra si próprio (auto-agressão, suicídio, overdose de drogas) ou contra terceiros, quando não aceita se alimentar ou ingerir líquidos ou quando ameaça o lar (atear fogo na casa, destruir móveis, p.ex.).


Risco social – quando o paciente se expõe a situações que levam a riscos potenciais à vida ou à integridade por falta de autocrítica ou de controle do comportamento, como fugas repetidas de casa, frequentar locais violentos, envolver-se com marginais ou traficantes, promiscuidade, brigas ou discussões na rua, etc.


Risco à saúde – quando protelar o tratamento traz consequências negativas para a saúde mental e física do paciente. Todos os pacientes em crise se enquadram neste tipo de risco, pois o prolongamento de sintomas agudos de qualquer doença mental pode prejudicar a recuperação posterior do paciente, trazer complicações médicas e interferir com o funcionamento social e familiar.


O que vemos acontecer na prática é que o SUS não tem condições de absorver a demanda de internações nos três níveis de risco e acaba atendendo somente os casos mais graves, ainda assim com falhas. Muitas famílias precisam recorrer à Justiça para terem assegurado o direito à internação de seu familiar, tornando-a compulsória.


Por outro lado, os dispositivos criados pelo poder público para serem alternativos aos hospitais psiquiátricos, como os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial), não oferecem estrutura para lidar com toda a complexidade da crise. Como são serviços abertos e facultativos, dependem da aceitação do paciente. Como fazer com que um paciente, que recusa terminantemente o tratamento, frequente o CAPS?


As famílias sentem-se abandonadas nesses momentos, pois não têm o preparo adequado para lidar com o paciente em crise e não encontram orientação, apoio e tratamento nos serviços especializados. A reforma psiquiátrica trouxe avanços, porém o fechamento de leitos em asilos e manicômios sem a criação de novos leitos em hospitais gerais e psiquiátricos habilitados expõe a vida de pacientes em crise e de sua família e reverbera em falsos mitos como este: de que não é permitido internar alguém contra vontade.


E você, o que pensa a respeito? Participe, deixe aqui seu comentário!

11 de outubro de 2009

"Entendendo a Esquizofrenia" na Bienal do Livro 2009

No sábado, 19 de outubro de 2009, estivemos presentes na Bienal do Rio para um bate papo com os leitores do livro "Entendendo a Esquizofrenia - Como a família pode ajudar no tratamento?", lançado em abril deste ano. O encontro aconteceu no stand da editora Interciência. Na foto os autores Leonardo Palmeira e Maria Thereza Geraldes com o diretor da editora Rodrigo Nascimento (ao centro).

Os autores do livro, Ana Beatriz Bezerra, Maria Thereza Geraldes e Leonardo Palmeira, têm muitos motivos para comemorar. O livro aparece como o mais vendido sobre o tema e o Portal Entendendo a Esquizofrenia acumula mais de 10 mil acessos por mês. Estamos conseguindo atingir nosso objetivo de levar informação acessível e de qualidade a um maior número de famílias e pessoas envolvidas com a esquizofrenia.


Os autores com os funcionários da editora Interciência.


E mais funcionários, que sempre nos receberam com muito carinho. Nosso muito obrigado!


5 de outubro de 2009

Por que pacientes negam a doença e se recusam a fazer o tratamento?


Você sabe o que é insight?


A palavra insight pode ter vários significados. Na teoria psicanalítica ela corresponde ao nível de autoconhecimento da pessoa, de seus desejos e motivações inconscientes. Pessoas com bom insight compreendem melhor seus sentimentos, conhecem melhor as causas de seus problemas e têm maior consciência de como são percebidas pelas outras pessoas. Porém, utilizaremos o significado mais restrito da palavra insight, que é o reconhecimento pelo indivíduo de sua patologia. Pacientes com algum distúrbio psiquiátrico frequentemente negam a sua doença, subestimam a importância dos sintomas e o impacto que eles têm na sua vida e não tomam medidas para sua proteção, recusando o tratamento.


A falta de insight é particularmente comum na esquizofrenia e os motivos para isso ainda não são bem conhecidos. Insight não é uma característica dicotômica (ter ou não ter), mas uma dimensão em que podem existir diferentes graus de insight, entre a negação completa de uma doença até sua total aceitação. Podemos descrever os seguintes estágios:


I. Negação completa da doença, de seus sintomas e da necessidade de tratamento.


II. Negação da doença, mas aceitação de alguns sintomas vagos ou inespecíficos, como nervosismo, mal estar, insônia, com concordância parcial em fazer o tratamento (com o objetivo de aliviar os sintomas reconhecidos).


III. Aceitação da doença e do tratamento, mas subestimando sua importância, o impacto na sua vida e a necessidade de medidas que previnam recaídas e melhorem a qualidade de vida.


IV. Aceitação completa da doença e da necessidade de tratamento, compreendendo suas conseqüências e assumindo posturas coerentes para sua recuperação e melhora da qualidade de vida.


Esta visão dimensional permite separar alguns aspectos do insight que têm comportamento independente, como, por exemplo, o insight relacionado ao tratamento, à consciência da doença e à natureza dos sintomas. Muitos pacientes negam o diagnóstico, não reconhecem a natureza patológica dos sintomas, mas aceitam tomar os medicamentos e fazer a terapia. Um paciente pode, por exemplo, negar a doença, mas aceitar as dificuldades pessoais que ela traz para seus relacionamentos e atividades.


As causas para a falta de insight não são totalmente conhecidas, mas sabe-se que ela sofre influência de diversos fatores envolvidos na sua etiologia:


A. Defesa inconsciente – alguns autores sugerem que a falta de insight seja proveniente de um mecanismo psicológico de defesa e apóiam sua tese em estudos que mostram que a maior consciência de doença está relacionada à maior ocorrência de depressão.


B. Sintomas positivos – a falta de insight seria provocada pelos delírios e alucinações e por um pensamento grandioso de estar em boa saúde (delírio de saúde) e isso corresponderia aos pacientes que aceitam a doença após redução dos sintomas positivos com o tratamento.


C. Sintomas negativos – a falta de insight seria decorrente de um retraimento emocional global, em que o indivíduo não se empenharia para compreender suas experiências de vida, colocando-se indiferente a elas.


D. Desorganização mental – a desorganização dos pensamentos e do psiquismo impediria o raciocínio abstrato necessário para comparar seu funcionamento atual com o anterior à doença ou com o comportamento de alguém saudável, fazendo-o perder o conceito de normalidade.


E. Déficit neurológico ou neuropsicológico – alguns autores comparam a falta de insight na esquizofrenia com a negação da doença em alguns distúrbios neurológicos (chamada de anosognosia). Achados de disfunção da região frontal e parietal do cérebro se correlacionam com a falta de insight na esquizofrenia.


F. Prejuízos da metacognição ou “teoria da mente” – parte de algumas observações de que pacientes demonstram falta de insight quando são entrevistados sobre seus próprios sintomas, mas ganham insight quando a perspectiva é mudada da primeira para a terceira pessoa, mostrando que a consciência da doença do outro ocorre independentemente da sua.


G. Fatores sociais e interpessoais – fatores como educação e classe social parecem influenciar o insight e pesquisadores se apóiam também na evidência de que a terapia pode melhorar o insight, embora isto não explique a causa.


Como se deve agir nestas situações?


Reunimos algumas dicas sobre o assunto:

1) É importante que a família compreenda que a falta de insight é parte da doença e que, portanto, deve ser alvo de tratamento. Atitudes como forçar a aceitação do diagnóstico aumentam o estresse, afastam o paciente da convivência familiar e podem reforçar a negação. Familiares não detêm o conhecimento técnico de como proceder nestes casos e devem, portanto, buscar apoio e orientação junto à equipe terapêutica.


2) Existe tratamento capaz de melhorar o insight, através das próprias medicações antipsicóticas, da psicoterapia e da psicoeducação. A família deve contar também com um apoio (grupos ou terapia de família) para rever atitudes que possam interferir no processo de recuperação, do qual a consciência de doença também faz parte.



3) Na maioria das vezes a família se sente perdida, sem saber como agir diante da falta de insight do paciente, e toma atitudes como, por exemplo, dar a medicação escondida na comida ou no suco. É importante compreender que atitudes como esta geram conseqüências negativas adiante, como aumento da desconfiança por parte do paciente, que pode passar a recusar alimentos e líquidos. Ademais, agir desta forma é uma maneira de não trabalhar a consciência de doença, já que o paciente pode melhorar dos sintomas e não perceber que isto se deve aos efeitos do medicamento. A família deve obter orientações com a equipe terapêutica de como pode contribuir no resgate do insight.



4) O insight nem sempre deve ser um objetivo imediato do tratamento. O insight pleno para pacientes que ainda não estão preparados pode levar à maior desorganização e desestruturação psíquica ou à depressão (lembre-se que a negação é uma forma de defesa). Facilitar o insight através da terapia e da psicoeducação, aliadas ao uso da medicação e do suporte à família, pode e deve levar tempo. O principal no início é garantir a adesão ao tratamento, através da aceitação da medicação, que como vimos não requer a consciência plena da doença.



5) O resgate apropriado do insight no momento certo pode fazer com que pacientes sejam capazes de compreender e lidar melhor com seus sintomas, de desenvolver estratégias ou comportamentos adaptativos às suas dificuldades, reduzindo recaídas e melhorando sua qualidade de vida.

Portal Entendendo a Esquizofrenia

14 de setembro de 2009

Notícias sobre Esquizofrenia - Agosto/09

19/08/09 – Novo antipsicótico é aprovado pelo FDA para uso na esquizofrenia – O FDA, órgão norte-americano que regula medicamentos, aprovou uma nova substância desenvolvida pela Schering-Plough para o tratamento da esquizofrenia e do transtorno bipolar. A substância é Asenapina e será comercializada nos EUA com o nome de Saphris. O medicamento mostrou eficácia superior ao placebo e os efeitos colaterais mais comuns foram incapacidade de permanecer sentado ou imóvel (acatisia), diminuição da sensibilidade oral e sonolência. Será mais um medicamento de nova geração a ser incorporado ao concorrido grupo dos antipsicóticos...Leia Mais

03/08/09 – FDA aprova Invega injetável de ação prolongada para o tratamento da esquizofrenia - O órgão responsável pela aprovação de medicamentos nos EUA, o FDA, aprovou o medicamento Invega Sustenna, forma injetável de ação prolongada do Invega, para o tratamento da esquizofrenia. A versão contém o mesmo princípio ativo, a paliperidona, e será útil a pacientes com dificuldade para aderir a tratamentos com medicações orais. Invega Sustenna é o primeiro antipsicótico de segunda geração com tomada em intervalos de uma vez por mês.

1 de setembro de 2009

Vídeo-conferência: "Esquizofrenia: como a família pode ajudar no tratamento" apresentada no Fórum do CREMERJ em 15/08/09

O CREMERJ realizou em 15 de agosto de 2009 um Fórum sobre Saúde Mental, onde foi abordado o papel da família na esquizofrenia. O psiquiatra Leonardo Palmeira, autor do livro "Entendendo a Esquizofrenia - Como a família pode ajudar no tratamento?", falou do papel da sobrecarga familiar na prevenção de recaídas e na promoção da recuperação dos pacientes com esquizofrenia. Assista à palestra na íntegra clicando nas setas abaixo.


Assista à segunda parte da palestra:



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21 de agosto de 2009

Gliose: você sabe o que é?



Tenho recebido muitos e-mails com perguntas sobre o significado de gliose e microangiopatia ateroesclerótica. Isto porque é comum este achado em exames de ressonância magnética cerebral em pessoas acima de 50 anos de idade. Já respondi inclusive a um depoimento deixado no blog a respeito, mas como é um assunto recorrente, resolvi abordá-lo melhor aqui.

Gliose é uma alteração da substância branca do cérebro evidenciada na ressonância magnética por lesões hiperintensas (esbranquiçadas) nas sequências FLAIR, geralmente proveniente de microangiopatia cerebral (doença de pequenos vasos do cérebro). Ela é decorrente de doença ateroesclerótica (formação de placas de ateroma na parede das artérias) de pequenos vasos.

Alguns fatores de risco são bem conhecidos, como tabagismo, alcoolismo, colesterol alto, obesidade, sedentarismo, hipertensão, diabetes e outras doenças que acometem vasos (vasculites, doenças reumáticas como Lupus). Existem outras doenças que podem cursar com gliose no SNC: Cadasil, p.ex., é uma doença hereditária (familiar) que cursa com essas alterações em pessoas em idade mais jovem. Estudos têm demonstrado que essas lesões também podem ocorrer com maior freqüência em pessoas portadoras de transtornos psiquiátricos, dentre eles o transtorno bipolar, a esquizofrenia, as depressões crônicas e a dependência química. Outros estudos já associaram também esses achados à enxaqueca.

A maior parte dos casos são assintomáticos, ou seja, a pessoa não sente nada ou o que sente não pode ser relacionado às glioses. Mas a simples presença delas indica a necessidade de algumas medidas preventivas, como combater o sedentarismo, controlar o colesterol, reduzir o uso de substâncias químicas como tabaco e álcool, controlar bem a pressão e os níveis de glicose no sangue, evitar o estresse, dentre outras medidas, como hábitos saudáveis de vida. Isto porque, com o avançar da idade, as glioses podem se transformar em um problema maior.

O número de lesões, sua localização, a idade do paciente e outros fatores relacionados ao envelhecimento cerebral podem predispor o paciente com glioses a uma doença degenerativa cerebral, como a demência vascular. É importante frisar que nem todo o paciente desenvolverá demência e que o diagnóstico de demência deve ser, antes de tudo, clínico. É preciso avaliar as funções cognitivas, como memória e atenção, para saber se aquela pessoa tem ou não demência.

O mais comum, porém, é o paciente com gliose ter alguma perturbação do humor, seja ela pre-existente ou consequência das glioses. Já atendi pacientes que não tinham os fatores de risco que citei, que não tinham doenças clínicas que justificassem as glioses, mas que possuíam uma história de depressão e transtono de humor ao longo da vida.

O termo “depressão vascular” tem sido utilizado para esses casos. Os pacientes podem evoluir com sintomas depressivos e ansiosos (crônicos), irritabilidade, intolerância, com algum grau de impulsividade. Em geral esses pacientes têm glioses na substância branca do lobo frontal em quantidade moderada a alta. O quadro é mais exuberante quando existem glioses nos núcleos da base, como o núcleo caudado. Outros sintomas que podem ocorrer são tremores, perda de equilíbrio e dores de cabeça.

É importante que o paciente procure um psiquiatra para uma avaliação e tratamento. A depressão vascular tem algumas peculiaridades, uma delas o fato de não responder bem a antidepressivos, mas existem outros medicamentos capazes de controlar os sintomas e devolver a qualidade de vida aos pacientes.

Outro aspecto crucial e de caráter preventivo é a preocupação com a neuroproteção, ou seja, estar atento para os riscos de um envelhecimento cerebral mais acelerado e para a ocorrência de demência. O paciente deve ser acompanhado evolutivamente quanto às suas funções cognitivas, como memória e atenção, para iniciar precocemente uso de medicamentos neuroprotetores e anti-oxidantes que o protejam melhor de uma doença degenerativa.

Glioses possuem alguns sinônimos como: microangiopatia isquêmica, ateroesclerose cerebral, doença ateroesclerótica cerebral.

19 de agosto de 2009

Você sabe o que é psicopatia? Assista a entrevista na WTN

Dr. Leonardo Palmeira fala sobre psicopatia para o jornalista Luiz Santoro no programa WTN Entrevista, da Web TV WTN.

Clique no link e assista: http://www.wtn.com.br/entrevista/index.php?id=1602

7 de agosto de 2009

Notícias sobre Esquizofrenia - Julho/09

Do Portal Entendendo a Esquizofrenia
20/07/09 - Esquizofrenia está associada à maior mortalidade por câncer - Pesquisadores da França publicaram um estudo na revista Cancer que alerta sobre um maior risco de mortalidade de câncer entre esquizofrênicos, especialmente de mama nas mulheres e de pulmão nos homens. O estudo avaliou 3470 pacientes desde 1993 e o câncer foi a segunda causa de morte entre esquizofrênicos, com uma taxa de mortalidade quatro vezes maior do que na população geral (14%). Os pesquisadores atribuem a maior mortalidade devido à demora no diagnóstico e, consequentemente, ao tratamento em estágios mais avançados. O estudo deve servir de alerta para a importância de exames periódicos nesta população e derruba o mito de que esquizofrênicos tinham menos câncer do que a população geral. Isto parece ser verdade apenas no caso do câncer de pele, devido à menor exposição solar (CancerConsultants.com)...Leia Mais.

02/07/09 – Estudo mapea variações genéticas da esquizofrenia - Quase meio milhar de pequenas variações genéticas seriam responsáveis por ao menos um terço do risco de desenvolvimento de esquizofrenia. É a conclusão de três estudos publicados ontem pela revista científica britânica "Nature". Uma parte da pesquisa, realizada com cerca de mil pacientes, sugere também a existência de raízes genéticas comuns entre a esquizofrenia e o transtorno maníaco-depressivo, também conhecido como transtorno bipolar. A análise dos resultados dos três trabalhos, que utilizaram conjuntamente uma amostra de 8.014 pessoas com esquizofrenia e outras 19.090 pessoas não acometidas pela doença, ressalta em particular uma área do cromossomo 6 conhecida por ter genes vinculados à imunidade e às infecções. Também foram analisados genes que intervêm no controle da ativação ou desativação dos outros genes. Essa associação poderia explicar como fatores do contexto em que a pessoa vive afetam os riscos de desenvolvimento de esquizofrenia, segundo o Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos (NIMH). Mais de 450 variações na zona suspeita do cromossomo 6 e uma área do cromossomo 22 figuram entre os locais genéticos que mostram vínculos mais intensos com a esquizofrenia. O grupo SGENE, que também investiga a esquizofrenia, apontou ainda uma associação entre variações em cromossomos para a elucidação científica do déficit de atenção (TDAH) e das falhas de memória (Jornal Estado de São Paulo)...Leia Mais

Órgão norte-americano inicia projeto pioneiro para mudar o curso da esquizofrenia e acabar com as formas crônicas da doença.


Apesar da disponibilidade de tratamentos efetivos, como medicações antipsicóticas e intervenções psicossociais, as pessoas com esquizofrenia muitas vezes não recebem o tratamento adequado até que a doença se instale completamente, com episódios recorrentes de psicose, resultando em muitas hospitalizações e em desajustes que duram por décadas. Desemprego, problemas familiares, falta de moradia e hospitalizações prolongadas fazem da esquizofrenia uma doença custosa para a pessoa, sua família e para a comunidade como um todo.

O início do tratamento parece influenciar muito o prognóstico da esquizofrenia, tanto que estudos de intervenção precoce, preferencialmente antes de um primeiro surto, têm ganhado espaço cada vez maior na comunidade científica. Além de ser importante um diagnóstico rápido, é fundamental que o tratamento inicial seja o mais abrangente e eficaz possível, tendo como alvo a recuperação plena da pessoa, com combate efetivo dos sintomas psicóticos, reabilitação para as atividades sociais e abordagem à família.

Por isso, o Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA (NIMH*) criou o projeto RAISE (“Recovery After na Initial Schizophrenia Episode” – Recuperação após um episódio inicial de esquizofrenia), focado na recuperação após um primeiro episódio. “Esta nova iniciativa ajudará a determinar se intervenções que começam precocemente e são mantidas ao longo do tempo tornam possível que a pessoa com esquizofrenia retorne ao trabalho e à escola”, afirma Dr. Thomas Insel, diretor do NIMH.

O projeto RAISE testará diversas abordagens terapêuticas que envolvem intervenção imediata num primeiro diagnóstico, incorporando sistematicamente as opções hoje disponíveis, como medicamentos, tratamentos psicossociais e reabilitação, incluindo ensinar a pacientes e familiares como manejar a doença. A esperança é que terapias coordenadas façam uma grande diferença na aceitação do tratamento por parte do paciente e na sua eficácia a longo prazo.

Diversas agências e organizações norte-americanas envolvidas no cuidado de pacientes esquizofrênicos, como organizações governamentais, privadas e não-governamentais, participarão da elaboração das intervenções a serem avaliadas pelo projeto. Dois grandes grupos de pesquisa, liderados pelo Dr. John M. Kane, do Feinstein Institute for Medical Research, e pelo Dr. Jeffrey Lieberman, do New York State Psychiatric Institute e da Universidade de Columbia, se encarregarão de desenvolver e testar as potenciais intervenções, que serão aplicadas inicialmente em mais de 30 clínicas espalhadas por todo os EUA.

“Dependendo dos resultados, o projeto RAISE pode representar uma mudança de paradigma na maneira como a esquizofrenia é tratada. Nosso objetivo principal é acabar com a forma crônica, tão custosa e devastadora para a pessoa, para seus familiares e para toda a sociedade”, disse o Dr. Robert Heinssen, um dos diretores do projeto. Está previsto um gasto inicial de 40 milhões de dólares, que será custeado pelo Instituto Nacional de Saúde Mental com o fundo do American Recovery and Reinvestment Act (ARRA).

Sabemos que a recuperação plena da esquizofrenia é hoje uma realidade e que muitos pacientes, que antes desenvolveriam formas crônicas e incapacitantes, conseguem retomar suas vidas graças aos tratamentos existentes. Entretanto, a forma de tratar varia muito caso a caso, nem todos os recursos são utilizados e alguns são pouco disponíveis à população.

Ademais, é imprescindível para a evolução de nossa prática que a concepção da esquizofrenia acompanhe o avanço das pesquisas e que deixemos de lado a idéia de doença degenerativa ou que caminha inexoravelmente para a deterioração psíquica, como se postulou há um século. A mudança de atitude por parte de terapeutas, familiares e pacientes é um primeiro passo para reunir forças visando a recuperação. Iniciativas como a norte-americana são muito bem vindas, pois podem mostrar ao resto do mundo a forma de se organizar um tratamento complexo e multidisciplinar a fim de se absorver o máximo de eficácia e retorno para nossos pacientes.

Enquanto os resultados do projeto RAISE não chegam, reunimos alguns tópicos para reflexão de como o tratamento tem sido conduzido nos dias de hoje:

1) Início do tratamento – ainda se protela muito a busca por um diagnóstico e um tratamento adequado. O ideal seria procurar uma avaliação psiquiátrica logo que surgirem os primeiros sintomas, como isolamento, desinteresse, idéias estranhas, desconfiança, comportamentos bizarros ou não-habituais para a pessoa.

2) Sintomas negativos – são pouco reconhecidos como parte da doença, mas deveriam ser alvo de tratamento tanto quanto os sintomas positivos. Para eles a medicação pode ter pouco efeito, sendo importante terapia de reabilitação e psicoterapia.

3) Família – a família tem pouco apoio e se sente perdida, sem saber como agir ou como resolver os conflitos do dia-a-dia, aumentando a sobrecarga e o estresse no ambiente familiar, fato que se associa muito a recaídas e internações. Há poucos programas de apoio e informação e não existe ainda a cultura de que esta forma de tratamento é tão importante quanto a medicação.

4) Medicação – os medicamentos devem combater com eficácia os sintomas e estabilizar o paciente para que seja possível a retomada de suas atividades. Muitos melhoram apenas parcialmente e permanecem com algum grau de sintoma e disfunção. É necessário avaliar se existe resistência ao medicamento e prosseguir com o objetivo de recuperação plena, utilizando antipsicóticos mais potentes e indicados em caso de refratariedade, se for o caso.

5) Cognição – outro tipo de tratamento pouco difundido entre nós, porém útil a pacientes com déficits cognitivos que interferem no funcionamento da pessoa, é a reabilitação cognitiva, para melhorar funções como atenção, memória, planejamento executivo e raciocínio.

6) Recaída – treinar pacientes e familiares para identificar sinais de recaída, orientando-os a como agir para evitar um novo surto. Pouco se fala de recaída e muitos são pegos desprevenidos.

*O NIMH faz parte do National Institutes of Health (NIH), que inclui 27 institutos e centros e é subordinado ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos do governo federal dos EUA (equivalente ao Ministério da Saúde no Brasil).

15 de julho de 2009

Notícias sobre Esquizofrenia - Junho/2009


Do Portal Entendendo a Esquizofrenia


18/06/09 - É possível prevenir a esquizofrenia e outras doenças mentais? – Reportagem publicada no site Time.com pergunta a especialistas se é possível prevenir doenças mentais como a esquizofrenia e a depressão. O psiquiatra William McFarlane, da Escola de Medicina de Maine, em Portland, estudioso do assunto desde meados da década de 70 e autor de diversos artigos sobre o tema, afirma que, no caso da esquizofrenia, indivíduos predispostos à doença têm maior chance de surtarem quando há na família dificuldade de comunicação, altos níveis de críticas e de sobrecarga emocional e quando familiares não conseguem lidar bem com os conflitos e problemas do dia-a-dia. “A prevenção começa em identificar casos que apresentam sintomas iniciais da esquizofrenia, o que já é possível predizer com certa segurança a partir dos 16 anos, e em iniciar uma abordagem com a família, reduzindo os níveis de estresse que serão cruciais para um primeiro surto. Não são necessários medicamentos na maioria dos casos, a menos que alguns sintomas típicos da esquizofrenia já estejam ocorrendo, como alucinações, por exemplo”. Segundo o médico, é possível retardar ou mesmo prevenir um primeiro surto, contribuindo para que a pessoa possa estudar, se formar e conseguir um trabalho (Time.com)... Leia Mais.


11/06/09 – Virose durante a gravidez é fator de risco para a esquizofrenia em pessoas predispostas - A infecção pelo vírus influenza em gestantes é um dos fatores de risco conhecidos para a esquizofrenia em seus filhos. Como o vírus é muito comum, existe grande preocupação dos especialistas com essa associação. Em um estudo publicado este mês na revista Biological Psychiatry, o grupo do Dr. Lauren Ellman verificou que, em crianças que a partir da adolescência desenvolveram a esquizofrenia, a infecção pelo influenza durante a gravidez foi associada a problemas cognitivos aos 7 anos de idade. A cognição não foi afetada em crianças expostas ao vírus durante a gestação, mas que não adoeceram mais tarde. Os resultados da pesquisa foram associados somente à exposição ao influenza do tipo B e não ao tipo A. O estudo faz parte do Projeto Perinatal, que acompanhou mulheres grávidas na década de 50 e 60, coletando sangue durante a gravidez para análise, e que seguiu acompanhando seus filhos até o desfecho ou não do quadro psicótico na fase adulta. Os achados da pesquisa confirmam a existência da ligação entre a genética e fatores ambientais, no caso a infecção pelo influenza B, na esquizofrenia. “A boa notícia é que a maioria dos filhos expostos ao vírus durante a gravidez não desenvolverão a esquizofrenia pela falta da predisposição genética. A má notícia é que esta associação ficou confirmada para quem tem a predisposição”, afirma Dr. John Krystal, editor da revista (ScienceDaily)... Leia Mais.


08/06/09 - Artigo publicado no jornal O DIA aborda os principais tabus da esquizofrenia - O psiquiatra Leonardo Palmeira aborda estigmas como o da violência, da culpa, das internações prolongadas e da impossibilidade de recuperação que rondam a doença. Para ler o artigo na íntegra CLIQUE AQUI.

10 de julho de 2009

Programa na Rádio Bandeirantes

Dr Leonardo Palmeira participa do programa dos âncoras Átila Nunes e Átila Nunes Neto na Rádio Bandeirantes e responde a perguntas sobre saúde mental, abordando as principais doenças psiquiátricas e esclarecendo dúvidas dos ouvintes. Escute a entrevista:

Diferenças e semelhanças entre a esquizofrenia e o transtorno bipolar


Do Portal Entendendo a Esquizofrenia


As descrições da esquizofrenia e do transtorno bipolar (TBH) enquanto doenças mentais datam da mesma época. No final do século XIX, o psiquiatra alemão Emil Kraepelin observou que pacientes até então tratados sob a mesma condição tinham sintomas e evoluções diferentes, permitindo que fossem separados em dois grupos. O primeiro ele chamou de doença maníaco-depressiva (atualmente chamada de transtorno bipolar) e o outro de demência precoce (depois denominada por Bleuler de esquizofrenia). Para Kraepelin, a diferença fundamental entre os dois diagnósticos era que os pacientes com TBH apresentavam uma melhor evolução, com a remissão total dos sintomas e a retomada de suas atividades entre as crises, enquanto que esquizofrênicos mantinham sintomas residuais mesmo nos intervalos das crises, caracterizados principalmente por sintomas negativos, como a perda do interesse, a desmotivação, a apatia e as dificuldades de socialização e relacionamento. Esta diferença era mais marcante naquela época, em que tratamentos medicamentosos ainda não estavam disponíveis.


Com o advento do lítio e dos primeiros antipsicóticos na década de 50, a distância entre o TBH e a esquizofrenia diminuiu substancialmente, a ponto de casos de TBH serem confundidos com esquizofrenia e vice-versa. A resposta à medicação passou a influenciar o diagnóstico, com uma tendência a diagnosticar como bipolares aqueles pacientes que melhor respondessem e que se recuperassem com o tratamento.


A crise aguda do bipolar pode ser semelhante ao surto psicótico de um esquizofrênico, principalmente se também ocorrerem delírios e alucinações, sendo difícil a diferenciação de ambos os diagnósticos nesta fase, o que se torna mais fácil após o período de crise. O bipolar costuma ter uma recuperação melhor e voltar às suas atividades de vida mais rapidamente do que o esquizofrênico, além de não apresentar os sintomas negativos característicos deste último. Os sintomas cognitivos também são menos impactantes no bipolar do que no esquizofrênico.


Embora sintomas de humor, como depressão, euforia, exaltação, raiva e irritabilidade sejam comuns na esquizofrenia, eles são a alteração fundamental do TBH. São as variações do humor que provocam as crises de depressão ou mania e que explicam os principais problemas de comportamento, os delírios e as alucinações dos pacientes bipolares, enquanto o humor, apesar de influenciar o comportamento do esquizofrênico, não é o causador dos principais sintomas da esquizofrenia. Isto fica mais evidente ao final da crise, quando bipolares melhoram dos sintomas com a estabilização do humor e esquizofrênicos permanecem com delírios, alucinações e sintomas negativos, apesar do humor aparentemente melhor.


No TBH, portanto, ocorrem episódios mais claros de humor, como a depressão, a mania (euforia) ou os episódios mistos (mistura de características depressivas com exaltação do humor), enquanto que na esquizofrenia, apesar das alterações de humor, o fio condutor continua sendo as alterações do pensamento e da percepção.


Mas as coincidências entre o TBH e a esquizofrenia não param por aí. Estudos genéticos têm demonstrado que as duas doenças podem ter uma origem comum. Alguns genes de predisposição à esquizofrenia também estão envolvidos na causa do TBH. Já se sabe, há algum tempo, que o TBH é mais comum em familiares de esquizofrênicos. Existiria então uma ligação biológica entre os dois diagnósticos? Estaríamos falando de duas expressões diferentes de uma mesma doença? Os pesquisadores ainda não conseguiram responder a essas questões, mas é possível que haja uma ligação causal comum, com modelos de predisposição semelhantes. Mas as diferenças clínicas e prognósticas (de evolução) são significativas para mantê-los como dois diagnósticos distintos.


Recentemente antipsicóticos de segunda geração, medicações até então específicas para a esquizofrenia, ganharam aprovação para o uso também em pacientes bipolares. As alterações neuroquímicas da esquizofrenia, como o aumento da dopamina e a desregulação da serotonina e do glutamato, também acontecem no TBH. Mas estabilizadores de humor, como o lítio, o ácido valpróico e a carbamazepina, por exemplo, que são eficazes no TBH, não possuem isoladamente efeito na esquizofrenia. Portanto, ainda há muito a ser pesquisado e descoberto nesta área.


Um terceiro diagnóstico, um pouco controverso entre os psiquiatras, aponta para outro transtorno, com características da esquizofrenia e episódios de humor semelhantes ao TBH, como se houvesse uma sobreposição das duas doenças. Estamos falando do transtorno esquizoafetivo, considerado por muitos pesquisadores como parte de um espectro das doenças psicóticas (espectro esquizofrênico), mas que pode representar um continuum entre dois pólos diagnósticos, a esquizofrenia e o TBH. O esquizoafetivo tem um prognóstico melhor do que o esquizofrênico, com menos sintomas negativos, porém pior do que o bipolar. Contudo, na prática, vemos que as possibilidades de recuperação são muito variáveis, independentes do diagnóstico e muito mais pautadas nas qualidades individuais e no ambiente sócio-familiar.

Para ler mais sobre Transtorno Bipolar CLIQUE AQUI

5 de julho de 2009

Entrevista no Programa Sem Censura

Entrevista do Dr. Leonardo Palmeira à jornalista Leda Nagle no Programa Sem Censura da TV Brasil, em 03/07/09, falando sobre a esquizofrenia e o papel da família.


1 de julho de 2009

Entrevista na Web TV - WTN

Assistam à entrevista do Dr. Leonardo Palmeira sobre esquizofrenia ao jornalista Luiz Santoro, clicando no link abaixo:

http://www.wtn.com.br/entrevista/index.php?id=1556

25 de junho de 2009

Entrevista no Programa do Jô - 22/06

Programa do Jô – Entrevista sobre Esquizofrenia

Primeira Parte:



Segunda Parte:

22 de junho de 2009

Programa do Jô


Ser entrevistado pelo Jô foi, além de uma honra, uma grande celebração do nosso trabalho. Quando recebi o convite, foi difícil acreditar que aquele projeto que surgiu em 2000 em uma pequena sala do Centro Psiquiátrico Rio de Janeiro (CPRJ), com apenas cinco famílias, se tornasse tão frutífero e bem sucedido. O livro já era em si uma grande realização, com a possibilidade de ampliar nosso trabalho, que atendeu dezenas de famílias durante sete anos no CPRJ, para um maior número de pessoas em todo país. O Portal Entendendo a Esquizofrenia, inspirado no livro e no programa de psicoeducação, também foi um projeto ousado, já que não existia um site sobre a doença com esse nível de informação na internet. No segundo mês o portal teve mais de mil acessos e, no terceiro, bateu 5 mil visitantes! É muito gratificante saber que a informação está chegando a um número crescente de pessoas, ajudando as famílias e os portadores de esquizofrenia a conviver melhor.

Mas a entrevista no Programa do Jô teve um sabor especial. Pelo seu prestígio, seriedade e alcance público foi para mim a consagração do nosso trabalho. Um grande presente e reconhecimento pelos anos de trabalho e dedicação. Não posso deixar de agradecer a todos os familiares com quem tivemos a sorte de dividir histórias e experiências e que muito nos ensinaram. Sem eles nada disso seria possível. Sou muito grato ao Dr. Alexandre Keusen, diretor do CPRJ até 2008, grande incentivador e orientador de nosso programa, que me presenteou com o trabalho mais gratificante em meus dez anos de psiquiatria. Agradeço também à Dra. Marcia Rozenthal, com quem muito aprendi sobre a esquizofrenia nos sete anos de pesquisa no programa de Esquizofrenia e Cognição do Instituto de Psiquiatria da UFRJ.

Tenho a cada dia a convicção de estarmos prestando um serviço de grande interesse público e social. Meu foco sempre foi o bem estar do paciente e de sua família e, além do que posso fazer como médico, minha missão também é levar o conhecimento e aconselhar as pessoas que hoje se sentem perdidas, sem saber como lidar com a doença. Como diz uma irmã de um paciente, “a família precisa de um pouco de luz para não lidar às cegas com a doença”.