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Caro Leitor,

quero convidá-lo a acessar meu novo site leonardopalmeira.com.br. Lá você vai encontrar todo o conteúdo deste blog além de informações de utilidade pública, um manual prático para pacientes e muitas novidades.

O blog continuará no ar, porém novos artigos serão publicados somente no site oficial. Espero que gostem!

20 de dezembro de 2009

Feliz Natal e um 2010 de muita saúde, paz e sucesso a todos!




10 de dezembro de 2009

Campanhas na TV em Portugal combatem o estigma contra as doenças mentais

A Associação Encontrar+se está empenhada em combater o estigma da doença mental em Portugal. Este ano, incomodada com a repetida utilização da palavra autista pelos políticos portugueses, desenvolveu uma campanha contra a utilização do termo através de anúncios na televisão, estimulando um acordo entre os líderes parlamentares para coibir o mau uso da palavra. A associação é conhecida também por outras campanhas, como sobre a esquizofrenia. No Brasil não assistimos na TV anúncios como estes, mas deveríamos, pois não se combate o estigma sem mobilização social. Por aqui, no Congresso e na mídia em geral é comum ouvir o termo esquizofrenia aplicado de forma pejorativa quando se quer dar a conotação de algo ruim ou "sem pé nem cabeça". Vale a pena assistir aos vídeos.


7 de dezembro de 2009

Short-cuts: Solidão pode ser contagiosa como gripe

Essa pesquisa é muito interessante e mostra como a rede social é crucial tanto para manter nossa saúde mental como no desencadeamento de processos mórbidos, como a depressão. Agora, o surpreendente desta pesquisa é a conclusão de que pessoas solitárias transmitem a solidão umas às outras, tornando-se progressivamente mais isoladas. Imaginem isso numa família, num grupo de amigos. Tenho certeza de que todos nós já presenciamos isso e, muitas vezes, nos afastamos para evitar que o ânimo do outro nos "contamine".

Fonte: BBC Brasil
Notícia de: 01/12/2009

A pesquisa da Universidade da Califórnia San Diego, Universidade de Chicago e de Harvard descobriu que as pessoas solitárias tendem a dividir a solidão com outras pessoas. Gradativamente, durante um período de tempo, essas pessoas acabam, em grupo, se afastando dos seus círculos socias.
"Detectamos um padrão extraordinário de contágio, que leva as pessoas à fronteira da rede social quando ficam solitárias", afirmou o psicólogo John Cacioppo, da Universidade de Chicago, um dos pesquisadores que participou do estudo. "Na periferia (da rede social) as pessoas tem menos amigos, e a solidão destas pessoas ainda as leva a perder os poucos laços que ainda tem."No entanto, antes de cortar as relações, as pessoas que já estão na periferia das redes de contato social transmitem os sentimentos de solidão para os amigos que restaram, que também se transformam em pessoas solitárias."Estes efeitos significam que nosso tecido social pode se desgastar nas pontas, como um fio que está solto na ponta de uma blusa de malha", acrescentou Cacioppo.
O artigo foi publicado na revista especializada Journal of Personality and Social Psychology. Os cientistas americanos examinaram os registros de um estudo realizado no Estado de Massachusetts, desde 1948. Esta pesquisa foi realizada originalmente em Framingham para acompanhar um grupo de 5.209 pessoas, para avaliar o risco de doenças cardiovasculares. Desde então o estudo se expandiu para incluir cerca de 12 mil pessoas, filhos e netos do grupo original e outras pessoas, para diversificar a amostra populacional e também para incluir testes com objetivo de medir a solidão e depressão. Os pesquisadores entravam em contato com os voluntários a cada dois a quatro anos e coletavam os nomes de amigos que conheciam os pesquisados. Estes registros se transformaram em uma fonte de informação sobre a rede social dos pesquisados. Os pesquisadores elaboraram gráficos com a história das amizades dos pesquisados e sobre seus relatos de solidão. Com isso, conseguiram estabelecer uma forma de mensurar a solidão. As informações mostravam que os solitários "infectavam" as pessoas à sua volta com a solidão, e que estas pessoas se moviam para as periferias do tecido social. Por exemplo, os pesquisadores descobriram que a solidão se espalhou entre vizinhos que eram amigos próximos. A pesquisa também mostrou que, quando as pessoas ficam solitárias, elas confiam menos nas outras e dão início a um ciclo que torna ainda mais difícil para estas pessoas iniciarem uma amizade.
Segundo Cacioppo, "a sociedade poderá se beneficiar ao cuidar das pessoas que se afastaram dos círculos sociais, para ajudar a reparar suas redes sociais e criar uma barreira protetora contra a solidão, que possa evitar que toda a rede seja prejudicada". Richard Suzman, diretor da Divisão de Pesquisa Comportamental e Social do Instituto Nacional de Envelhecimento dos EUA, um dos que financiou a pesquisa, lembrou que "pesquisas anteriores mostraram que a solidão e a falta de conexão social podem ter um efeito negativo na saúde e bem-estar de pessoas idosas".

5 de dezembro de 2009

Erros e acertos da reforma da assistência psiquiátrica brasileira: para onde vamos?



A reforma psiquiátrica brasileira transformou a assistência à saúde mental no país, fechando leitos em hospitais psiquiátricos e criando dispositivos alternativos na comunidade, como os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) e as residências terapêuticas, com objetivo de aproximar portadores de transtornos mentais graves da sociedade, permitindo maior integração social e resgatando sua cidadania. Inspirado no modelo de reforma italiana por Franco Basaglia, que praticamente acabou com os hospitais psiquiátricos naquele país, a reforma brasileira é hoje motivo de polêmica e de muita discussão acerca de seus erros e acertos.


Em 1941, o Brasil possuía 5,8 leitos para cada 10 mil habitantes. No período da ditadura houve uma grande ampliação do número de leitos com a criação de clínicas privadas e conveniadas ao SUS, chegando a 8,8 leitos para cada 10 mil habitantes. Com a reforma psiquiátrica, iniciada na década de 80, houve redução dramática de leitos para 4,4 por 10 mil habitantes em 1998 e, posteriormente, para 2,5 leitos por 10 mil habitantes em 2005 (pouco mais de 40 mil leitos em todo país). Um programa de avaliação hospitalar criado pelo governo federal (PNASH) avaliou os hospitais psiquiátricos em todo o país e fechou clínicas que não tinham os pré-requisitos necessários ao seu funcionamento e restringiu leitos em outras que precisavam se adequar às novas normas. Paralelamente a isso, foram implantados CAPS e residências terapêuticas, que seriam os serviços substitutivos ao fechamento dos hospitais, porém em velocidade muito inferior. Em 2002 existiam no país apenas 424 CAPS e este ano são 1394, responsáveis por apenas 57% da cobertura populacional, ou seja, quase metade dos brasileiros não tem acesso aos serviços, continuam recorrendo aos hospitais, sendo que há grande carência de profissionais e de leitos.


A redução de leitos psiquiátricos ocorreu também em outros países. Após a Segunda Grande Guerra, com o advento dos medicamentos antipsicóticos e dos movimentos pelos direitos humanos, muitos governos criaram serviços comunitários para substituírem o modelo de assistência centrado nos hospitais. Entretanto, como a internação continuava sendo necessária em muitos casos, como nas crises agudas, em que os recursos para tratamento extra-hospitalar não são suficientes, foram criados novos leitos em hospitais gerais. Em vários países ocorreu reestruturação da rede hospitalar geral para receber alas psiquiátricas, como nos EUA, Canadá, Inglaterra, Alemanha, França e Itália, inclusive. Este processo é mais moroso em países em desenvolvimento, como Brasil, Uruguai e Argentina. No Brasil, o número de leitos psiquiátricos em hospitais gerais não ultrapassa 5% do total de leitos (0,12 leitos/10 mil habitantes). Veja a tabela comparativa com a proporção de leitos para tratamento de transtornos mentais em alguns países.


O que muitos se perguntam é se a reforma psiquiátrica no Brasil tem gerado mais desassistência do que melhorado a atenção à saúde daqueles que sofrem de doenças mentais. A resposta a essa pergunta não é simples. Oferecer serviços abertos, próximos a comunidade e com a participação ativa de seus usuários é um inegável avanço. No caso da esquizofrenia, as internações prolongadas agravam os sintomas negativos e crônicos da doença e dificultam a recuperação do paciente, que para isso depende também da retomada de suas atividades sociais. Porém, no caso de crises agudas, a demora para um tratamento adequado, que inclui a dificuldade em internar alguém quando necessário, pode ser tão ou mais agravante para a sua saúde. A ciência tem demonstrado que numa crise psicótica ocorre liberação de moléculas inflamatórias (semelhante ao que ocorre na sepse – estado infeccioso generalizado), gerando um ambiente tóxico às células nervosas, provocando a perda de conexões sinápticas e a morte de neurônios. Isso torna o quadro mais grave, com muitas recaídas e pior recuperação. Por isso, especialistas do mundo todo têm enfatizado a necessidade de resposta rápida à crise, com providências imediatas que restaurem os tratamentos e possibilitem a recuperação plena.


A ênfase em dispositivos comunitários de tratamento, como os CAPS, é correta, pois possibilita a reabilitação social das pessoas em sua comunidade, porém os serviços precisam ser ampliados para uma maior cobertura e estar preparados para lidar com toda a complexidade da crise, o que requer leitos para internações curtas e profissionais qualificados. Por outro lado, é urgente criar novos leitos em hospitais gerais e na comunidade, através das residências terapêuticas, para assistir as pessoas em surto ou que não possam voltar às suas casas pela falta do suporte familiar ou porque se recusam a morar com a família. A saúde mental também não avançará se não forem criados incentivos para que pacientes em condições possam retornar ao mercado de trabalho e ter uma vida mais autônoma e independente. O Brasil não possui uma legislação específica que contemple o trabalho para portadores de transtornos mentais crônicos, com incentivos fiscais às empresas, como o que ocorre na deficiência física e mental.


Tanto se fala em reabilitação psicossocial, mas é necessário criar uma atmosfera social favorável a isso, para combater o estigma e o preconceito. E isto parte do princípio de termos serviços de qualidade e que acolham a totalidade de pacientes que deles necessitam, mostrando que a doença mental pode ser tratada, que as pessoas podem se recuperar e ocupar seus espaços na sociedade. A transformação desta realidade exige um investimento muito maior do que é feito hoje, quando os gastos com saúde mental não ultrapassam 2,5% do total de gastos do Governo com a saúde pública.


Assista ao programa Sem Censura especial sobre a reforma psiquiátrica no Brasil!

3 de dezembro de 2009

Programa Sem Censura Especial (01/12/09) - Esquizofrenia e Assistência Psiquiátrica no Brasil


Fui convidado pela jornalista Leda Nagle para participar de um debate sobre assistência psiquiátrica no Brasil. Ela decidiu dedicar um programa inteiro ao assunto e convidou também o poeta Ferreira Gullar, que tem um filho esquizofrênico e já escreveu diversos artigos sobre o tema em jornais e revistas, o deputado federal Germano Bonow, conhecedor da política de saúde mental e que tem sido uma das poucas vozes a respeito na Câmara dos Deputados, e o artista plástico Vitório Gheno, cuja a filha é esquizofrênica e está internada há vários anos em uma clínica em Porto Alegre com um quadro grave. É um debate de alto nível, enriquecedor para aqueles que querem conhecer melhor a política de saúde mental do Brasil. Assista!



1ª Parte



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2ª Parte



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3ª Parte




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E você, o que pensa sobre a reforma da assistência psiquiátrica no Brasil? Deixe aqui seu comentário e acesse o Portal Entendendo a Esquizofrenia, participando também do nosso Fórum! CLIQUE AQUI

26 de novembro de 2009

Short-cuts: maconha afeta fertilidade masculina


Vejam a matéria que foi publicada na Folha de São Paulo no último dia 19. Mais uma evidência de que a maconha não é uma droga tão inócua como muitos pregam por aí. Já discutimos aqui no blog o papel que a maconha tem na psicose, em particular na esquizofrenia. Este estudo da USP mostra outra consequência danosa à saúde, mesmo para aqueles que usam a droga de forma recreativa. Leiam!


Folha de S Paulo
19/11/2009

A maconha altera a produção de espermatozoides e tem impacto na fertilidade do homem, aponta uma pesquisa da USP (Universidade de São Paulo) que ainda está em andamento. Os dados preliminares, baseados na análise de 32 homens, foram divulgados durante o Congresso Brasileiro de Urologia, que aconteceu na semana passada em Goiânia.

Segundo o urologista Jorge Hallak, coordenador da Unidade de Toxicologia Reprodutiva e de Andrologia da USP, com o consumo de maconha os espermatozoides mudam de formato e perdem a mobilidade, dificultando a fecundação.

"Basta consumir a droga uma vez por semana para ocorrer a alteração dos gametas", alerta o médico, que acompanha um grupo de usuários de maconha há sete anos.

Uma linha de pesquisa parecida tem sido desenvolvida pela Universidade Queen, de Belfast, na Irlanda do Norte. Os pesquisadores examinaram o efeito da THC -a substância ativa da maconha- no esperma e verificaram que, além de dificultar a chegada do sêmen ao óvulo, a maconha prejudica outras funções do esperma, como a habilidade de romper a camada protetora do óvulo.

Hallak também desenvolve pesquisas sobre o impacto da poluição na produção de espermatozoides, principalmente nos do cromossomo Y. Ele afirma que homens que trabalham nas ruas e inalam muita poluição têm uma maior concentração de radicais livres de oxigênio no sangue, o que também prejudica a fabricação de espermatozoides de qualidade.

De acordo com o médico, é possível amenizar os efeitos da maconha e da poluição nos espermatozoides com antioxidantes. "Vitaminas como a E e a C podem melhorar a qualidade do espermatozoide. Mas o tratamento dura em média sete meses", afirma.

1 de novembro de 2009

Internação involuntária no Brasil: proibida quando necessária?



Neste último mês assistimos a notícias e debates na mídia sobre a internação involuntária de pacientes psiquiátricos. O caso mais recente, do rapaz viciado em crack que estrangulou a namorada, ficou nacionalmente conhecido depois que o pai do garoto afirmou em entrevistas que tentou diversas vezes interná-lo, mas que as clínicas alegavam impedimento, porque a internação involuntária seria proibida por lei.


A internação involuntária, contra a vontade do paciente, é comum na psiquiatria quando o paciente não possui consciência de sua doença ou do estado de gravidade, mas precisa ser hospitalizado para sua proteção e tratamento. Esta realidade atinge não só dependentes químicos, como também portadores de doenças psiquiátricas, como a esquizofrenia e o transtorno bipolar.


As famílias procuram emergências psiquiátricas ou hospitais gerais sem saber como lidar com o problema e não raro encontram barreiras para uma internação quando o paciente se recusa a ficar. O que muitos desconhecem é que a lei nº 10.216, de 06 de abril de 2001 (Leia a íntegra da lei), prevê três tipos de internação, dentre elas a involuntária:


Internação voluntária – quando o paciente concorda em ficar internado, devendo assinar um termo de consentimento no ato da admissão.


Internação involuntária – quando uma terceira pessoa solicita a internação à revelia do paciente, devendo o Ministério Público ser comunicado pelo hospital no prazo de 72 horas.


Internação compulsória – contra a vontade do paciente e por determinação da Justiça.


A internação psiquiátrica voluntária ou involuntária só pode ser determinada pelo médico devidamente habilitado e registrado no CRM. O médico avaliará, dentre outras coisas, se o estado mental do paciente oferece risco a si próprio ou a terceiros, a principal prerrogativa para uma internação involuntária. Um dos problemas é que a avaliação do risco é subjetiva e depende do julgamento do profissional, que muitas vezes colide com a opinião da família. Podemos especificar três tipos de risco:


Risco iminente à vida – casos em que o paciente é violento contra si próprio (auto-agressão, suicídio, overdose de drogas) ou contra terceiros, quando não aceita se alimentar ou ingerir líquidos ou quando ameaça o lar (atear fogo na casa, destruir móveis, p.ex.).


Risco social – quando o paciente se expõe a situações que levam a riscos potenciais à vida ou à integridade por falta de autocrítica ou de controle do comportamento, como fugas repetidas de casa, frequentar locais violentos, envolver-se com marginais ou traficantes, promiscuidade, brigas ou discussões na rua, etc.


Risco à saúde – quando protelar o tratamento traz consequências negativas para a saúde mental e física do paciente. Todos os pacientes em crise se enquadram neste tipo de risco, pois o prolongamento de sintomas agudos de qualquer doença mental pode prejudicar a recuperação posterior do paciente, trazer complicações médicas e interferir com o funcionamento social e familiar.


O que vemos acontecer na prática é que o SUS não tem condições de absorver a demanda de internações nos três níveis de risco e acaba atendendo somente os casos mais graves, ainda assim com falhas. Muitas famílias precisam recorrer à Justiça para terem assegurado o direito à internação de seu familiar, tornando-a compulsória.


Por outro lado, os dispositivos criados pelo poder público para serem alternativos aos hospitais psiquiátricos, como os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial), não oferecem estrutura para lidar com toda a complexidade da crise. Como são serviços abertos e facultativos, dependem da aceitação do paciente. Como fazer com que um paciente, que recusa terminantemente o tratamento, frequente o CAPS?


As famílias sentem-se abandonadas nesses momentos, pois não têm o preparo adequado para lidar com o paciente em crise e não encontram orientação, apoio e tratamento nos serviços especializados. A reforma psiquiátrica trouxe avanços, porém o fechamento de leitos em asilos e manicômios sem a criação de novos leitos em hospitais gerais e psiquiátricos habilitados expõe a vida de pacientes em crise e de sua família e reverbera em falsos mitos como este: de que não é permitido internar alguém contra vontade.


E você, o que pensa a respeito? Participe, deixe aqui seu comentário!

11 de outubro de 2009

"Entendendo a Esquizofrenia" na Bienal do Livro 2009

No sábado, 19 de outubro de 2009, estivemos presentes na Bienal do Rio para um bate papo com os leitores do livro "Entendendo a Esquizofrenia - Como a família pode ajudar no tratamento?", lançado em abril deste ano. O encontro aconteceu no stand da editora Interciência. Na foto os autores Leonardo Palmeira e Maria Thereza Geraldes com o diretor da editora Rodrigo Nascimento (ao centro).

Os autores do livro, Ana Beatriz Bezerra, Maria Thereza Geraldes e Leonardo Palmeira, têm muitos motivos para comemorar. O livro aparece como o mais vendido sobre o tema e o Portal Entendendo a Esquizofrenia acumula mais de 10 mil acessos por mês. Estamos conseguindo atingir nosso objetivo de levar informação acessível e de qualidade a um maior número de famílias e pessoas envolvidas com a esquizofrenia.


Os autores com os funcionários da editora Interciência.


E mais funcionários, que sempre nos receberam com muito carinho. Nosso muito obrigado!


5 de outubro de 2009

Por que pacientes negam a doença e se recusam a fazer o tratamento?


Você sabe o que é insight?


A palavra insight pode ter vários significados. Na teoria psicanalítica ela corresponde ao nível de autoconhecimento da pessoa, de seus desejos e motivações inconscientes. Pessoas com bom insight compreendem melhor seus sentimentos, conhecem melhor as causas de seus problemas e têm maior consciência de como são percebidas pelas outras pessoas. Porém, utilizaremos o significado mais restrito da palavra insight, que é o reconhecimento pelo indivíduo de sua patologia. Pacientes com algum distúrbio psiquiátrico frequentemente negam a sua doença, subestimam a importância dos sintomas e o impacto que eles têm na sua vida e não tomam medidas para sua proteção, recusando o tratamento.


A falta de insight é particularmente comum na esquizofrenia e os motivos para isso ainda não são bem conhecidos. Insight não é uma característica dicotômica (ter ou não ter), mas uma dimensão em que podem existir diferentes graus de insight, entre a negação completa de uma doença até sua total aceitação. Podemos descrever os seguintes estágios:


I. Negação completa da doença, de seus sintomas e da necessidade de tratamento.


II. Negação da doença, mas aceitação de alguns sintomas vagos ou inespecíficos, como nervosismo, mal estar, insônia, com concordância parcial em fazer o tratamento (com o objetivo de aliviar os sintomas reconhecidos).


III. Aceitação da doença e do tratamento, mas subestimando sua importância, o impacto na sua vida e a necessidade de medidas que previnam recaídas e melhorem a qualidade de vida.


IV. Aceitação completa da doença e da necessidade de tratamento, compreendendo suas conseqüências e assumindo posturas coerentes para sua recuperação e melhora da qualidade de vida.


Esta visão dimensional permite separar alguns aspectos do insight que têm comportamento independente, como, por exemplo, o insight relacionado ao tratamento, à consciência da doença e à natureza dos sintomas. Muitos pacientes negam o diagnóstico, não reconhecem a natureza patológica dos sintomas, mas aceitam tomar os medicamentos e fazer a terapia. Um paciente pode, por exemplo, negar a doença, mas aceitar as dificuldades pessoais que ela traz para seus relacionamentos e atividades.


As causas para a falta de insight não são totalmente conhecidas, mas sabe-se que ela sofre influência de diversos fatores envolvidos na sua etiologia:


A. Defesa inconsciente – alguns autores sugerem que a falta de insight seja proveniente de um mecanismo psicológico de defesa e apóiam sua tese em estudos que mostram que a maior consciência de doença está relacionada à maior ocorrência de depressão.


B. Sintomas positivos – a falta de insight seria provocada pelos delírios e alucinações e por um pensamento grandioso de estar em boa saúde (delírio de saúde) e isso corresponderia aos pacientes que aceitam a doença após redução dos sintomas positivos com o tratamento.


C. Sintomas negativos – a falta de insight seria decorrente de um retraimento emocional global, em que o indivíduo não se empenharia para compreender suas experiências de vida, colocando-se indiferente a elas.


D. Desorganização mental – a desorganização dos pensamentos e do psiquismo impediria o raciocínio abstrato necessário para comparar seu funcionamento atual com o anterior à doença ou com o comportamento de alguém saudável, fazendo-o perder o conceito de normalidade.


E. Déficit neurológico ou neuropsicológico – alguns autores comparam a falta de insight na esquizofrenia com a negação da doença em alguns distúrbios neurológicos (chamada de anosognosia). Achados de disfunção da região frontal e parietal do cérebro se correlacionam com a falta de insight na esquizofrenia.


F. Prejuízos da metacognição ou “teoria da mente” – parte de algumas observações de que pacientes demonstram falta de insight quando são entrevistados sobre seus próprios sintomas, mas ganham insight quando a perspectiva é mudada da primeira para a terceira pessoa, mostrando que a consciência da doença do outro ocorre independentemente da sua.


G. Fatores sociais e interpessoais – fatores como educação e classe social parecem influenciar o insight e pesquisadores se apóiam também na evidência de que a terapia pode melhorar o insight, embora isto não explique a causa.


Como se deve agir nestas situações?


Reunimos algumas dicas sobre o assunto:

1) É importante que a família compreenda que a falta de insight é parte da doença e que, portanto, deve ser alvo de tratamento. Atitudes como forçar a aceitação do diagnóstico aumentam o estresse, afastam o paciente da convivência familiar e podem reforçar a negação. Familiares não detêm o conhecimento técnico de como proceder nestes casos e devem, portanto, buscar apoio e orientação junto à equipe terapêutica.


2) Existe tratamento capaz de melhorar o insight, através das próprias medicações antipsicóticas, da psicoterapia e da psicoeducação. A família deve contar também com um apoio (grupos ou terapia de família) para rever atitudes que possam interferir no processo de recuperação, do qual a consciência de doença também faz parte.



3) Na maioria das vezes a família se sente perdida, sem saber como agir diante da falta de insight do paciente, e toma atitudes como, por exemplo, dar a medicação escondida na comida ou no suco. É importante compreender que atitudes como esta geram conseqüências negativas adiante, como aumento da desconfiança por parte do paciente, que pode passar a recusar alimentos e líquidos. Ademais, agir desta forma é uma maneira de não trabalhar a consciência de doença, já que o paciente pode melhorar dos sintomas e não perceber que isto se deve aos efeitos do medicamento. A família deve obter orientações com a equipe terapêutica de como pode contribuir no resgate do insight.



4) O insight nem sempre deve ser um objetivo imediato do tratamento. O insight pleno para pacientes que ainda não estão preparados pode levar à maior desorganização e desestruturação psíquica ou à depressão (lembre-se que a negação é uma forma de defesa). Facilitar o insight através da terapia e da psicoeducação, aliadas ao uso da medicação e do suporte à família, pode e deve levar tempo. O principal no início é garantir a adesão ao tratamento, através da aceitação da medicação, que como vimos não requer a consciência plena da doença.



5) O resgate apropriado do insight no momento certo pode fazer com que pacientes sejam capazes de compreender e lidar melhor com seus sintomas, de desenvolver estratégias ou comportamentos adaptativos às suas dificuldades, reduzindo recaídas e melhorando sua qualidade de vida.

Portal Entendendo a Esquizofrenia

14 de setembro de 2009

Notícias sobre Esquizofrenia - Agosto/09

19/08/09 – Novo antipsicótico é aprovado pelo FDA para uso na esquizofrenia – O FDA, órgão norte-americano que regula medicamentos, aprovou uma nova substância desenvolvida pela Schering-Plough para o tratamento da esquizofrenia e do transtorno bipolar. A substância é Asenapina e será comercializada nos EUA com o nome de Saphris. O medicamento mostrou eficácia superior ao placebo e os efeitos colaterais mais comuns foram incapacidade de permanecer sentado ou imóvel (acatisia), diminuição da sensibilidade oral e sonolência. Será mais um medicamento de nova geração a ser incorporado ao concorrido grupo dos antipsicóticos...Leia Mais

03/08/09 – FDA aprova Invega injetável de ação prolongada para o tratamento da esquizofrenia - O órgão responsável pela aprovação de medicamentos nos EUA, o FDA, aprovou o medicamento Invega Sustenna, forma injetável de ação prolongada do Invega, para o tratamento da esquizofrenia. A versão contém o mesmo princípio ativo, a paliperidona, e será útil a pacientes com dificuldade para aderir a tratamentos com medicações orais. Invega Sustenna é o primeiro antipsicótico de segunda geração com tomada em intervalos de uma vez por mês.

1 de setembro de 2009

Vídeo-conferência: "Esquizofrenia: como a família pode ajudar no tratamento" apresentada no Fórum do CREMERJ em 15/08/09

O CREMERJ realizou em 15 de agosto de 2009 um Fórum sobre Saúde Mental, onde foi abordado o papel da família na esquizofrenia. O psiquiatra Leonardo Palmeira, autor do livro "Entendendo a Esquizofrenia - Como a família pode ajudar no tratamento?", falou do papel da sobrecarga familiar na prevenção de recaídas e na promoção da recuperação dos pacientes com esquizofrenia. Assista à palestra na íntegra clicando nas setas abaixo.

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Assista à segunda parte da palestra:



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21 de agosto de 2009

Gliose: você sabe o que é?



Tenho recebido muitos e-mails com perguntas sobre o significado de gliose e microangiopatia ateroesclerótica. Isto porque é comum este achado em exames de ressonância magnética cerebral em pessoas acima de 50 anos de idade. Já respondi inclusive a um depoimento deixado no blog a respeito, mas como é um assunto recorrente, resolvi abordá-lo melhor aqui.

Gliose é uma alteração da substância branca do cérebro evidenciada na ressonância magnética por lesões hiperintensas (esbranquiçadas) nas sequências FLAIR, geralmente proveniente de microangiopatia cerebral (doença de pequenos vasos do cérebro). Ela é decorrente de doença ateroesclerótica (formação de placas de ateroma na parede das artérias) de pequenos vasos.

Alguns fatores de risco são bem conhecidos, como tabagismo, alcoolismo, colesterol alto, obesidade, sedentarismo, hipertensão, diabetes e outras doenças que acometem vasos (vasculites, doenças reumáticas como Lupus). Existem outras doenças que podem cursar com gliose no SNC: Cadasil, p.ex., é uma doença hereditária (familiar) que cursa com essas alterações em pessoas em idade mais jovem. Estudos têm demonstrado que essas lesões também podem ocorrer com maior freqüência em pessoas portadoras de transtornos psiquiátricos, dentre eles o transtorno bipolar, a esquizofrenia, as depressões crônicas e a dependência química. Outros estudos já associaram também esses achados à enxaqueca.

A maior parte dos casos são assintomáticos, ou seja, a pessoa não sente nada ou o que sente não pode ser relacionado às glioses. Mas a simples presença delas indica a necessidade de algumas medidas preventivas, como combater o sedentarismo, controlar o colesterol, reduzir o uso de substâncias químicas como tabaco e álcool, controlar bem a pressão e os níveis de glicose no sangue, evitar o estresse, dentre outras medidas, como hábitos saudáveis de vida. Isto porque, com o avançar da idade, as glioses podem se transformar em um problema maior.

O número de lesões, sua localização, a idade do paciente e outros fatores relacionados ao envelhecimento cerebral podem predispor o paciente com glioses a uma doença degenerativa cerebral, como a demência vascular. É importante frisar que nem todo o paciente desenvolverá demência e que o diagnóstico de demência deve ser, antes de tudo, clínico. É preciso avaliar as funções cognitivas, como memória e atenção, para saber se aquela pessoa tem ou não demência.

O mais comum, porém, é o paciente com gliose ter alguma perturbação do humor, seja ela pre-existente ou consequência das glioses. Já atendi pacientes que não tinham os fatores de risco que citei, que não tinham doenças clínicas que justificassem as glioses, mas que possuíam uma história de depressão e transtono de humor ao longo da vida.

O termo “depressão vascular” tem sido utilizado para esses casos. Os pacientes podem evoluir com sintomas depressivos e ansiosos (crônicos), irritabilidade, intolerância, com algum grau de impulsividade. Em geral esses pacientes têm glioses na substância branca do lobo frontal em quantidade moderada a alta. O quadro é mais exuberante quando existem glioses nos núcleos da base, como o núcleo caudado. Outros sintomas que podem ocorrer são tremores, perda de equilíbrio e dores de cabeça.

É importante que o paciente procure um psiquiatra para uma avaliação e tratamento. A depressão vascular tem algumas peculiaridades, uma delas o fato de não responder bem a antidepressivos, mas existem outros medicamentos capazes de controlar os sintomas e devolver a qualidade de vida aos pacientes.

Outro aspecto crucial e de caráter preventivo é a preocupação com a neuroproteção, ou seja, estar atento para os riscos de um envelhecimento cerebral mais acelerado e para a ocorrência de demência. O paciente deve ser acompanhado evolutivamente quanto às suas funções cognitivas, como memória e atenção, para iniciar precocemente uso de medicamentos neuroprotetores e anti-oxidantes que o protejam melhor de uma doença degenerativa.

Glioses possuem alguns sinônimos como: microangiopatia isquêmica, ateroesclerose cerebral, doença ateroesclerótica cerebral.

19 de agosto de 2009

Você sabe o que é psicopatia? Assista a entrevista na WTN

Dr. Leonardo Palmeira fala sobre psicopatia para o jornalista Luiz Santoro no programa WTN Entrevista, da Web TV WTN.

Clique no link e assista: http://www.wtn.com.br/entrevista/index.php?id=1602

7 de agosto de 2009

Notícias sobre Esquizofrenia - Julho/09

Do Portal Entendendo a Esquizofrenia
20/07/09 - Esquizofrenia está associada à maior mortalidade por câncer - Pesquisadores da França publicaram um estudo na revista Cancer que alerta sobre um maior risco de mortalidade de câncer entre esquizofrênicos, especialmente de mama nas mulheres e de pulmão nos homens. O estudo avaliou 3470 pacientes desde 1993 e o câncer foi a segunda causa de morte entre esquizofrênicos, com uma taxa de mortalidade quatro vezes maior do que na população geral (14%). Os pesquisadores atribuem a maior mortalidade devido à demora no diagnóstico e, consequentemente, ao tratamento em estágios mais avançados. O estudo deve servir de alerta para a importância de exames periódicos nesta população e derruba o mito de que esquizofrênicos tinham menos câncer do que a população geral. Isto parece ser verdade apenas no caso do câncer de pele, devido à menor exposição solar (CancerConsultants.com)...Leia Mais.

02/07/09 – Estudo mapea variações genéticas da esquizofrenia - Quase meio milhar de pequenas variações genéticas seriam responsáveis por ao menos um terço do risco de desenvolvimento de esquizofrenia. É a conclusão de três estudos publicados ontem pela revista científica britânica "Nature". Uma parte da pesquisa, realizada com cerca de mil pacientes, sugere também a existência de raízes genéticas comuns entre a esquizofrenia e o transtorno maníaco-depressivo, também conhecido como transtorno bipolar. A análise dos resultados dos três trabalhos, que utilizaram conjuntamente uma amostra de 8.014 pessoas com esquizofrenia e outras 19.090 pessoas não acometidas pela doença, ressalta em particular uma área do cromossomo 6 conhecida por ter genes vinculados à imunidade e às infecções. Também foram analisados genes que intervêm no controle da ativação ou desativação dos outros genes. Essa associação poderia explicar como fatores do contexto em que a pessoa vive afetam os riscos de desenvolvimento de esquizofrenia, segundo o Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos (NIMH). Mais de 450 variações na zona suspeita do cromossomo 6 e uma área do cromossomo 22 figuram entre os locais genéticos que mostram vínculos mais intensos com a esquizofrenia. O grupo SGENE, que também investiga a esquizofrenia, apontou ainda uma associação entre variações em cromossomos para a elucidação científica do déficit de atenção (TDAH) e das falhas de memória (Jornal Estado de São Paulo)...Leia Mais

Órgão norte-americano inicia projeto pioneiro para mudar o curso da esquizofrenia e acabar com as formas crônicas da doença.


Apesar da disponibilidade de tratamentos efetivos, como medicações antipsicóticas e intervenções psicossociais, as pessoas com esquizofrenia muitas vezes não recebem o tratamento adequado até que a doença se instale completamente, com episódios recorrentes de psicose, resultando em muitas hospitalizações e em desajustes que duram por décadas. Desemprego, problemas familiares, falta de moradia e hospitalizações prolongadas fazem da esquizofrenia uma doença custosa para a pessoa, sua família e para a comunidade como um todo.

O início do tratamento parece influenciar muito o prognóstico da esquizofrenia, tanto que estudos de intervenção precoce, preferencialmente antes de um primeiro surto, têm ganhado espaço cada vez maior na comunidade científica. Além de ser importante um diagnóstico rápido, é fundamental que o tratamento inicial seja o mais abrangente e eficaz possível, tendo como alvo a recuperação plena da pessoa, com combate efetivo dos sintomas psicóticos, reabilitação para as atividades sociais e abordagem à família.

Por isso, o Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA (NIMH*) criou o projeto RAISE (“Recovery After na Initial Schizophrenia Episode” – Recuperação após um episódio inicial de esquizofrenia), focado na recuperação após um primeiro episódio. “Esta nova iniciativa ajudará a determinar se intervenções que começam precocemente e são mantidas ao longo do tempo tornam possível que a pessoa com esquizofrenia retorne ao trabalho e à escola”, afirma Dr. Thomas Insel, diretor do NIMH.

O projeto RAISE testará diversas abordagens terapêuticas que envolvem intervenção imediata num primeiro diagnóstico, incorporando sistematicamente as opções hoje disponíveis, como medicamentos, tratamentos psicossociais e reabilitação, incluindo ensinar a pacientes e familiares como manejar a doença. A esperança é que terapias coordenadas façam uma grande diferença na aceitação do tratamento por parte do paciente e na sua eficácia a longo prazo.

Diversas agências e organizações norte-americanas envolvidas no cuidado de pacientes esquizofrênicos, como organizações governamentais, privadas e não-governamentais, participarão da elaboração das intervenções a serem avaliadas pelo projeto. Dois grandes grupos de pesquisa, liderados pelo Dr. John M. Kane, do Feinstein Institute for Medical Research, e pelo Dr. Jeffrey Lieberman, do New York State Psychiatric Institute e da Universidade de Columbia, se encarregarão de desenvolver e testar as potenciais intervenções, que serão aplicadas inicialmente em mais de 30 clínicas espalhadas por todo os EUA.

“Dependendo dos resultados, o projeto RAISE pode representar uma mudança de paradigma na maneira como a esquizofrenia é tratada. Nosso objetivo principal é acabar com a forma crônica, tão custosa e devastadora para a pessoa, para seus familiares e para toda a sociedade”, disse o Dr. Robert Heinssen, um dos diretores do projeto. Está previsto um gasto inicial de 40 milhões de dólares, que será custeado pelo Instituto Nacional de Saúde Mental com o fundo do American Recovery and Reinvestment Act (ARRA).

Sabemos que a recuperação plena da esquizofrenia é hoje uma realidade e que muitos pacientes, que antes desenvolveriam formas crônicas e incapacitantes, conseguem retomar suas vidas graças aos tratamentos existentes. Entretanto, a forma de tratar varia muito caso a caso, nem todos os recursos são utilizados e alguns são pouco disponíveis à população.

Ademais, é imprescindível para a evolução de nossa prática que a concepção da esquizofrenia acompanhe o avanço das pesquisas e que deixemos de lado a idéia de doença degenerativa ou que caminha inexoravelmente para a deterioração psíquica, como se postulou há um século. A mudança de atitude por parte de terapeutas, familiares e pacientes é um primeiro passo para reunir forças visando a recuperação. Iniciativas como a norte-americana são muito bem vindas, pois podem mostrar ao resto do mundo a forma de se organizar um tratamento complexo e multidisciplinar a fim de se absorver o máximo de eficácia e retorno para nossos pacientes.

Enquanto os resultados do projeto RAISE não chegam, reunimos alguns tópicos para reflexão de como o tratamento tem sido conduzido nos dias de hoje:

1) Início do tratamento – ainda se protela muito a busca por um diagnóstico e um tratamento adequado. O ideal seria procurar uma avaliação psiquiátrica logo que surgirem os primeiros sintomas, como isolamento, desinteresse, idéias estranhas, desconfiança, comportamentos bizarros ou não-habituais para a pessoa.

2) Sintomas negativos – são pouco reconhecidos como parte da doença, mas deveriam ser alvo de tratamento tanto quanto os sintomas positivos. Para eles a medicação pode ter pouco efeito, sendo importante terapia de reabilitação e psicoterapia.

3) Família – a família tem pouco apoio e se sente perdida, sem saber como agir ou como resolver os conflitos do dia-a-dia, aumentando a sobrecarga e o estresse no ambiente familiar, fato que se associa muito a recaídas e internações. Há poucos programas de apoio e informação e não existe ainda a cultura de que esta forma de tratamento é tão importante quanto a medicação.

4) Medicação – os medicamentos devem combater com eficácia os sintomas e estabilizar o paciente para que seja possível a retomada de suas atividades. Muitos melhoram apenas parcialmente e permanecem com algum grau de sintoma e disfunção. É necessário avaliar se existe resistência ao medicamento e prosseguir com o objetivo de recuperação plena, utilizando antipsicóticos mais potentes e indicados em caso de refratariedade, se for o caso.

5) Cognição – outro tipo de tratamento pouco difundido entre nós, porém útil a pacientes com déficits cognitivos que interferem no funcionamento da pessoa, é a reabilitação cognitiva, para melhorar funções como atenção, memória, planejamento executivo e raciocínio.

6) Recaída – treinar pacientes e familiares para identificar sinais de recaída, orientando-os a como agir para evitar um novo surto. Pouco se fala de recaída e muitos são pegos desprevenidos.

*O NIMH faz parte do National Institutes of Health (NIH), que inclui 27 institutos e centros e é subordinado ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos do governo federal dos EUA (equivalente ao Ministério da Saúde no Brasil).

15 de julho de 2009

Notícias sobre Esquizofrenia - Junho/2009


Do Portal Entendendo a Esquizofrenia


18/06/09 - É possível prevenir a esquizofrenia e outras doenças mentais? – Reportagem publicada no site Time.com pergunta a especialistas se é possível prevenir doenças mentais como a esquizofrenia e a depressão. O psiquiatra William McFarlane, da Escola de Medicina de Maine, em Portland, estudioso do assunto desde meados da década de 70 e autor de diversos artigos sobre o tema, afirma que, no caso da esquizofrenia, indivíduos predispostos à doença têm maior chance de surtarem quando há na família dificuldade de comunicação, altos níveis de críticas e de sobrecarga emocional e quando familiares não conseguem lidar bem com os conflitos e problemas do dia-a-dia. “A prevenção começa em identificar casos que apresentam sintomas iniciais da esquizofrenia, o que já é possível predizer com certa segurança a partir dos 16 anos, e em iniciar uma abordagem com a família, reduzindo os níveis de estresse que serão cruciais para um primeiro surto. Não são necessários medicamentos na maioria dos casos, a menos que alguns sintomas típicos da esquizofrenia já estejam ocorrendo, como alucinações, por exemplo”. Segundo o médico, é possível retardar ou mesmo prevenir um primeiro surto, contribuindo para que a pessoa possa estudar, se formar e conseguir um trabalho (Time.com)... Leia Mais.


11/06/09 – Virose durante a gravidez é fator de risco para a esquizofrenia em pessoas predispostas - A infecção pelo vírus influenza em gestantes é um dos fatores de risco conhecidos para a esquizofrenia em seus filhos. Como o vírus é muito comum, existe grande preocupação dos especialistas com essa associação. Em um estudo publicado este mês na revista Biological Psychiatry, o grupo do Dr. Lauren Ellman verificou que, em crianças que a partir da adolescência desenvolveram a esquizofrenia, a infecção pelo influenza durante a gravidez foi associada a problemas cognitivos aos 7 anos de idade. A cognição não foi afetada em crianças expostas ao vírus durante a gestação, mas que não adoeceram mais tarde. Os resultados da pesquisa foram associados somente à exposição ao influenza do tipo B e não ao tipo A. O estudo faz parte do Projeto Perinatal, que acompanhou mulheres grávidas na década de 50 e 60, coletando sangue durante a gravidez para análise, e que seguiu acompanhando seus filhos até o desfecho ou não do quadro psicótico na fase adulta. Os achados da pesquisa confirmam a existência da ligação entre a genética e fatores ambientais, no caso a infecção pelo influenza B, na esquizofrenia. “A boa notícia é que a maioria dos filhos expostos ao vírus durante a gravidez não desenvolverão a esquizofrenia pela falta da predisposição genética. A má notícia é que esta associação ficou confirmada para quem tem a predisposição”, afirma Dr. John Krystal, editor da revista (ScienceDaily)... Leia Mais.


08/06/09 - Artigo publicado no jornal O DIA aborda os principais tabus da esquizofrenia - O psiquiatra Leonardo Palmeira aborda estigmas como o da violência, da culpa, das internações prolongadas e da impossibilidade de recuperação que rondam a doença. Para ler o artigo na íntegra CLIQUE AQUI.

10 de julho de 2009

Programa na Rádio Bandeirantes

Dr Leonardo Palmeira participa do programa dos âncoras Átila Nunes e Átila Nunes Neto na Rádio Bandeirantes e responde a perguntas sobre saúde mental, abordando as principais doenças psiquiátricas e esclarecendo dúvidas dos ouvintes. Escute a entrevista:

Diferenças e semelhanças entre a esquizofrenia e o transtorno bipolar


Do Portal Entendendo a Esquizofrenia


As descrições da esquizofrenia e do transtorno bipolar (TBH) enquanto doenças mentais datam da mesma época. No final do século XIX, o psiquiatra alemão Emil Kraepelin observou que pacientes até então tratados sob a mesma condição tinham sintomas e evoluções diferentes, permitindo que fossem separados em dois grupos. O primeiro ele chamou de doença maníaco-depressiva (atualmente chamada de transtorno bipolar) e o outro de demência precoce (depois denominada por Bleuler de esquizofrenia). Para Kraepelin, a diferença fundamental entre os dois diagnósticos era que os pacientes com TBH apresentavam uma melhor evolução, com a remissão total dos sintomas e a retomada de suas atividades entre as crises, enquanto que esquizofrênicos mantinham sintomas residuais mesmo nos intervalos das crises, caracterizados principalmente por sintomas negativos, como a perda do interesse, a desmotivação, a apatia e as dificuldades de socialização e relacionamento. Esta diferença era mais marcante naquela época, em que tratamentos medicamentosos ainda não estavam disponíveis.


Com o advento do lítio e dos primeiros antipsicóticos na década de 50, a distância entre o TBH e a esquizofrenia diminuiu substancialmente, a ponto de casos de TBH serem confundidos com esquizofrenia e vice-versa. A resposta à medicação passou a influenciar o diagnóstico, com uma tendência a diagnosticar como bipolares aqueles pacientes que melhor respondessem e que se recuperassem com o tratamento.


A crise aguda do bipolar pode ser semelhante ao surto psicótico de um esquizofrênico, principalmente se também ocorrerem delírios e alucinações, sendo difícil a diferenciação de ambos os diagnósticos nesta fase, o que se torna mais fácil após o período de crise. O bipolar costuma ter uma recuperação melhor e voltar às suas atividades de vida mais rapidamente do que o esquizofrênico, além de não apresentar os sintomas negativos característicos deste último. Os sintomas cognitivos também são menos impactantes no bipolar do que no esquizofrênico.


Embora sintomas de humor, como depressão, euforia, exaltação, raiva e irritabilidade sejam comuns na esquizofrenia, eles são a alteração fundamental do TBH. São as variações do humor que provocam as crises de depressão ou mania e que explicam os principais problemas de comportamento, os delírios e as alucinações dos pacientes bipolares, enquanto o humor, apesar de influenciar o comportamento do esquizofrênico, não é o causador dos principais sintomas da esquizofrenia. Isto fica mais evidente ao final da crise, quando bipolares melhoram dos sintomas com a estabilização do humor e esquizofrênicos permanecem com delírios, alucinações e sintomas negativos, apesar do humor aparentemente melhor.


No TBH, portanto, ocorrem episódios mais claros de humor, como a depressão, a mania (euforia) ou os episódios mistos (mistura de características depressivas com exaltação do humor), enquanto que na esquizofrenia, apesar das alterações de humor, o fio condutor continua sendo as alterações do pensamento e da percepção.


Mas as coincidências entre o TBH e a esquizofrenia não param por aí. Estudos genéticos têm demonstrado que as duas doenças podem ter uma origem comum. Alguns genes de predisposição à esquizofrenia também estão envolvidos na causa do TBH. Já se sabe, há algum tempo, que o TBH é mais comum em familiares de esquizofrênicos. Existiria então uma ligação biológica entre os dois diagnósticos? Estaríamos falando de duas expressões diferentes de uma mesma doença? Os pesquisadores ainda não conseguiram responder a essas questões, mas é possível que haja uma ligação causal comum, com modelos de predisposição semelhantes. Mas as diferenças clínicas e prognósticas (de evolução) são significativas para mantê-los como dois diagnósticos distintos.


Recentemente antipsicóticos de segunda geração, medicações até então específicas para a esquizofrenia, ganharam aprovação para o uso também em pacientes bipolares. As alterações neuroquímicas da esquizofrenia, como o aumento da dopamina e a desregulação da serotonina e do glutamato, também acontecem no TBH. Mas estabilizadores de humor, como o lítio, o ácido valpróico e a carbamazepina, por exemplo, que são eficazes no TBH, não possuem isoladamente efeito na esquizofrenia. Portanto, ainda há muito a ser pesquisado e descoberto nesta área.


Um terceiro diagnóstico, um pouco controverso entre os psiquiatras, aponta para outro transtorno, com características da esquizofrenia e episódios de humor semelhantes ao TBH, como se houvesse uma sobreposição das duas doenças. Estamos falando do transtorno esquizoafetivo, considerado por muitos pesquisadores como parte de um espectro das doenças psicóticas (espectro esquizofrênico), mas que pode representar um continuum entre dois pólos diagnósticos, a esquizofrenia e o TBH. O esquizoafetivo tem um prognóstico melhor do que o esquizofrênico, com menos sintomas negativos, porém pior do que o bipolar. Contudo, na prática, vemos que as possibilidades de recuperação são muito variáveis, independentes do diagnóstico e muito mais pautadas nas qualidades individuais e no ambiente sócio-familiar.

Para ler mais sobre Transtorno Bipolar CLIQUE AQUI

5 de julho de 2009

Entrevista no Programa Sem Censura

Entrevista do Dr. Leonardo Palmeira à jornalista Leda Nagle no Programa Sem Censura da TV Brasil, em 03/07/09, falando sobre a esquizofrenia e o papel da família.


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1 de julho de 2009

Entrevista na Web TV - WTN

Assistam à entrevista do Dr. Leonardo Palmeira sobre esquizofrenia ao jornalista Luiz Santoro, clicando no link abaixo:

http://www.wtn.com.br/entrevista/index.php?id=1556

25 de junho de 2009

Entrevista no Programa do Jô - 22/06

Programa do Jô – Entrevista sobre Esquizofrenia

Primeira Parte:



Segunda Parte:

22 de junho de 2009

Programa do Jô


Ser entrevistado pelo Jô foi, além de uma honra, uma grande celebração do nosso trabalho. Quando recebi o convite, foi difícil acreditar que aquele projeto que surgiu em 2000 em uma pequena sala do Centro Psiquiátrico Rio de Janeiro (CPRJ), com apenas cinco famílias, se tornasse tão frutífero e bem sucedido. O livro já era em si uma grande realização, com a possibilidade de ampliar nosso trabalho, que atendeu dezenas de famílias durante sete anos no CPRJ, para um maior número de pessoas em todo país. O Portal Entendendo a Esquizofrenia, inspirado no livro e no programa de psicoeducação, também foi um projeto ousado, já que não existia um site sobre a doença com esse nível de informação na internet. No segundo mês o portal teve mais de mil acessos e, no terceiro, bateu 5 mil visitantes! É muito gratificante saber que a informação está chegando a um número crescente de pessoas, ajudando as famílias e os portadores de esquizofrenia a conviver melhor.

Mas a entrevista no Programa do Jô teve um sabor especial. Pelo seu prestígio, seriedade e alcance público foi para mim a consagração do nosso trabalho. Um grande presente e reconhecimento pelos anos de trabalho e dedicação. Não posso deixar de agradecer a todos os familiares com quem tivemos a sorte de dividir histórias e experiências e que muito nos ensinaram. Sem eles nada disso seria possível. Sou muito grato ao Dr. Alexandre Keusen, diretor do CPRJ até 2008, grande incentivador e orientador de nosso programa, que me presenteou com o trabalho mais gratificante em meus dez anos de psiquiatria. Agradeço também à Dra. Marcia Rozenthal, com quem muito aprendi sobre a esquizofrenia nos sete anos de pesquisa no programa de Esquizofrenia e Cognição do Instituto de Psiquiatria da UFRJ.

Tenho a cada dia a convicção de estarmos prestando um serviço de grande interesse público e social. Meu foco sempre foi o bem estar do paciente e de sua família e, além do que posso fazer como médico, minha missão também é levar o conhecimento e aconselhar as pessoas que hoje se sentem perdidas, sem saber como lidar com a doença. Como diz uma irmã de um paciente, “a família precisa de um pouco de luz para não lidar às cegas com a doença”.

14 de junho de 2009

Abuso de drogas e substâncias psicoativas na Esquizofrenia




Do portal Entendendo a Esquizofrenia



Um artigo da psiquiatra Nora Volkow, diretora do Instituto Nacional para Abuso de Drogas dos EUA, publicado na edição de maio de 2009 da revista Schizophrenia Bulletin, chama a atenção para a crescente comorbidade (i.é. associação de duas doenças) entre Dependência Química e Esquizofrenia. Um levantamento nacional a respeito do uso de drogas nos EUA em 2007 revelou o aumento da prevalência de abuso de substâncias, como álcool, nicotina, maconha e cocaína, entre esquizofrênicos em até 100 vezes superior à população geral (veja a tabela).

Quase metade dos esquizofrênicos apresenta em algum momento de sua vida história de uso ou abuso de substâncias, índice bem superior à população geral, o que sugere que esquizofrênicos estejam expostos a outros fatores de risco além daqueles presentes na população. Os mecanismos por trás dessa comorbidade ainda não são bem conhecidos, mas acredita-se que envolvam distúrbios químicos cerebrais, como os relacionados à dopamina, glutamato, aos receptores nicotínicos e canabinóides (da maconha).


Uma das explicações para o abuso de substâncias em esquizofrênicos é a busca de alívio para efeitos colaterais dos antipsicóticos, como a falta de prazer, em função do bloqueio de dopamina em regiões cerebrais envolvidas com mecanismos de recompensa ou para compensar déficits cognitivos. O problema é que o uso crônico da droga exacerba os sintomas negativos e cognitivos, prejudicando ainda mais a recuperação da pessoa no sentido de uma vida produtiva e plena.


A nicotina é a droga mais prevalente entre esquizofrênicos, em parte por ser legal e pela facilidade de acesso, mas também porque o efeito da nicotina no cérebro pode aliviar alguns déficits cognitivos. Há estudos que sugerem que esquizofrênicos têm receptores nicotínicos menos funcionais e em menor número do que pessoas saudáveis e isso explicaria a melhora da cognição provocada pela nicotina (o que não ocorre com os demais fumantes).


O uso da maconha também é freqüente e ela possui o pior efeito dentre todas as demais. Estudos com ressonância magnética mostraram que com o uso de maconha a perda de substância cinzenta cerebral é até duas vezes maior do que o habitual num período avaliado de 5 anos. Uma das explicações para o uso da maconha é melhorar o controle emocional em situações de estresse, devido ao seu efeito nos receptores canabinóides cerebrais.


Os fatores genéticos e ambientais que contribuem para a esquizofrenia também estão envolvidos na dependência de substâncias. Genes que regulam a neuroplasticidade e o desenvolvimento cerebral, como o gene Neuroregulina 1, podem estar implicados nas duas patologias. Fatores psicossociais como educação e desemprego podem aumentar a comorbidade e ambas as doenças estão relacionadas a uma maior exposição e menor tolerância ao estresse, o que agrava as duas condições.


Algumas pesquisas sugerem que antipsicóticos de segunda geração podem ser mais eficazes no tratamento da dependência química associada à esquizofrenia, assim como terapias comportamentais que aliem abordagens às duas doenças. Mas existe uma grande carência de profissionais e serviços especializados no tratamento das duas condições em conjunto.

8 de junho de 2009

Artigo no Jornal O DIA


Leiam o artigo que escrevi e que foi publicado hoje na coluna de opinião do jornal O DIA, "Esquizofrenia e Tabus", e depois deixem seus comentários!

6 de junho de 2009

Notícias sobre Esquizofrenia - Maio/09


Do Portal Entendendo a Esquizofrenia


22/05/2009 – Promessa de um novo antipsicótico para 2010 - Um medicamento antipsicótico ainda em fase experimental chamado lurasidona mostrou-se eficaz em estudos de fase III (para aprovação é necessário passar da fase IV) em pacientes com esquizofrenia aguda. A medicação teve perfil de tolerabilidade favorável, com pouco impacto no ganho de peso e aumento de lipídios do sangue. A lurasidona parece se diferenciar dos demais antipsicóticos por ter uma afinidade maior sobre receptores de serotonina e, por isso, maior eficácia nos sintomas negativos, cognitivos e de humor. Existe a expectativa da substância ser aprovada para uso comercial já em 2010 (MedPageToday)... Leia Mais.

11/05/09 – A genética desafia o pensamento psiquiátrico tradicional - “O pensamento do século XIX sobre a esquizofrenia e o transtorno bipolar (TBH) precisa ser abandonado se a psiquiatria quiser progredir.” A afirmação é do psiquiatra e professor da Universidade de Cardiff, Inglaterra, Dr. Nick Craddock, em encontro da Sociedade de Bioquímica. “Durante mais de 100 anos o entendimento geral era de que esquizofrenia e transtorno bipolar eram doenças completamente separadas. Evidências recentes, particularmente da genética molecular, mostram que esta situação não é tão simples e que existem genes comuns às duas doenças”, complementa. As duas doenças têm forte associação genética e os genes até agora encontrados não são específicos a uma ou outra categoria diagnóstica. Um exemplo é a variação genética ZNF804A, que está associada a um risco aumentado tanto para o TBH como para a esquizofrenia, e outras variações mais raras que estariam associadas ao risco de autismo, epilepsia e esquizofrenia. Isso explicaria, em parte, a confusão diagnóstica em alguns pacientes, que recebem os dois diagnósticos (TBH e esquizofrenia) em momentos distintos de suas doenças ou então diagnósticos intermediários como o Transtorno Esquizoafetivo, por exemplo. “É necessário pensar além dos critérios diagnósticos e considerar como variações da biologia e das funções cerebrais levam a uma enorme diversidade clínica em pacientes com doenças psiquiátricas.”, conclui o professor Craddock. Os estudos genéticos ainda estão em fase inicial. Além de se descobrir as variações genéticas associadas aos diferentes diagnósticos, é fundamental compreender em que processos esses genes interferem e que conseqüências existem para o funcionamento cerebral (MedialNewsToday)... Leia Mais.

07/05/09 - FDA aprova nova substância para o tratamento da esquizofrenia - O FDA (Food and Drug Administration), órgão regulador de medicamentos nos EUA, aprovou a substância Iloperidona (Fanapt) para uso na esquizofrenia. O medicamento é considerado um antipsicótico de segunda geração, com ação em receptores de dopamina e serotonina, com boa tolerabilidade, baixos índices de efeitos extrapiramidais (impregnação) e de ganho de peso (Forbes)...Leia Mais

06/05/09 - Caminhada pela Esperança na Esquizofrenia - Uma caminhada pela esperança na esquizofrenia está sendo organizada pela Sociedade de Esquizofrenia de Ontário, Canadá, para o próximo dia 24 de maio. Trata-se de um dia para a comunidade celebrar a esperança e receber informações sobre a esquizofrenia. Estão sendo aguardadas mais de 200 pessoas para a caminhada que, ao final, terá churrasco, gincanas e distribuição de prêmios. “Junte-se a nós nesta caminhada para ajudar no combate ao estigma e para educar nossa comunidade sobre a esquizofrenia. Através de um gesto simples você fará uma enorme diferença na vida de outras pessoas!”, diz a convocação (ChatamDailyNews.ca)... Leia Mais.

04/05/09 – Bullying pode desencadear problemas mentais na adolescência - Um estudo da Universidade de Warwick, Inglaterra, revela que crianças vítimas de bullying aos 8 ou 10 anos estão duas vezes mais propensas a desenvolver sintomas psicóticos na adolescência. O risco é maior nos casos de bullying crônico ou grave. O estudo publicado neste mês na revista Archives of General Psychiatry acompanhou mais de 6400 crianças, dos 7 aos 13 anos de idade. Bullying, termo que não tem tradução em português, caracteriza-se por atitudes negativas praticadas por estudantes a uma criança, como humilhações, hostilidades, ofensas à imagem e à honra, praticadas geralmente no ambiente escolar, mas podendo acontecer em outros espaços e na internet. Os resultados mostraram que 46% das crianças sofreram bullying entre 8 e 10 anos de idade, destes 5,6% tinham um ou mais sintomas psicóticos aos 13 anos. Os pesquisadores alertam para o fato de que bullying crônico ou grave alteram a forma como o cérebro processa e responde ao estresse, podendo desencadear transtornos mentais, entre eles a esquizofrenia, em crianças geneticamente predispostas (WebMD)... Leia Mais.

21 de maio de 2009

Reflita sobre como tratamos os mais velhos!

Todos devem assistir e refletir sobre esse vídeo que tem circulado na internet e que já teve mais de 1 milhão de acessos no YouTube. Como estamos tratando nossos velhos, em especial aqueles que adoecem ao final da vida com algum transtorno que acomete sua capacidade cognitiva, como as demências. É triste a constatação de que os jovens não estão sabendo dar o devido valor àquilo que as gerações passadas fizeram por eles. E você, como trata seus pais, tios, avós? Pare por 1 minuto e pense a respeito...

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18 de maio de 2009

Reportagem sobre Esquizofrenia no Site da Revista Contigo

Vale a pena ler a reportagem "Esquizofrenia - Realidade na ficção; ficção na realidade", da jornalista Roberta Viganó. Ela traça um paralelo interessante entre a novela Caminho das Índias e a vida real e abrange os principais temas da doença.
Acesse pelos links:

4 de maio de 2009

Notícias sobre Esquizofrenia - Abril/2009

24/04/09 – Estudo americano surpreende pelos baixos índices de compreensão do que é esquizofrenia pela população geral - Segundo pesquisa da National Alliance on Mental Ilness, quase 80% dos americanos sabem que a esquizofrenia é uma doença e que com o tratamento a maioria das pessoas pode ter uma vida independente e produtiva. Contudo, apenas 24% admitiram de fato conhecer o transtorno e 64% confundem esquizofrenia com múltiplas personalidades e 60% com violência. Entre os esquizofrênicos consultados, 95% consideraram que os serviços de psiquiatria e as medicações ajudam, mas apenas 1/3 faz algum tipo de tratamento (Ozarksfirst.com)...Leia Mais.

23/04/09 – Estudo acaba de vez com o estigma da violência entre portadores de esquizofrenia - A esquizofrenia é erroneamente relacionada à violência. Um estudo conduzido pela Universidade de Oxford na Inglaterra e publicado este mês na revista especializada Clinical Psychiatry acaba de vez com esta relação. Analisando 13800 pacientes esquizofrênicos através de dados disponíveis no registro nacional sueco, o grupo do Dr. Seena Fazel, coordenador da pesquisa, verificou que pacientes com história familiar de crimes violentos eram de 65 a 83% mais propensos a atos de violência do que pacientes sem histórico familiar de violência. Este resultado se manteve independentemente de fatores como renda familiar, nível de escolaridade e abuso de drogas e álcool. “Os achados da pesquisa deslocam da esquizofrenia para a história familiar da pessoa a razão para suas atitudes violentas, que podem estar relacionadas mais a uma predisposição genética para o comportamento violento ou à influência da criação por um pai ou uma mãe violenta do que à própria doença”, afirma Dr. Fazel (Reuters)...Leia Mais

14/04/09 - Jamie Foxx fala sobre seu novo filme "The Soloist", uma história real sobre um músico esquizofrênico que vivia nas ruas de Los Angeles - Jamie Foxx estrela seu novo filme “The Soloist”, uma história real sobre a vida de Nathaniel Ayers, músico prodígio portador de esquizofrenia que vivia nas ruas de Los Angeles, previsto para estrear próximo mês nos EUA. Foxx revelou, em entrevista, como foi difícil encarnar esse papel no cinema, pois percebeu como a mente humana é frágil e que durante as filmagens teve medo de surtar, procurando um psiquiatra e uma terapia, pelo medo de também desenvolver a doença e para que as suas dificuldades pessoais não interferissem na sua performance. O vencedor do Oscar de Melhor ator pelo papel em “Ray” contou que aos 18 anos passou 11 meses com sua mente muito perturbada, depois que alguém colocou drogas em sua bebida. Chegou a ficar hospitalizado, só conseguia dormir com alguém por perto conversando com ele e tinha pensamentos aterrorizantes que invadiam sua consciência. “Eu ficava tocando piano sem parar por horas para manter minha mente longe daqueles pensamentos”, lembra-se. Durante as filmagens do novo filme, Foxx revelou que teve flashbacks daqueles momentos de sua adolescência e que chegou a ter ataques de pânico e surtos de paranóia. “Eu cheguei a pensar em desistir do filme, tinha medo e vontade de sair correndo do set, mas aceitei o desafio”, afirma (ContactMusic.com)... Leia Mais.
Assista ao trailer do filme aqui.

13/04/09 - Estudo comprova efeito de treinamento cognitivo computadorizado em pacientes com esquizofrenia - Um estudo conduzido em São Francisco pelo Veterans Affairs Medical Center avaliou 55 voluntários com esquizofrenia num programa de treinamento das habilidades mentais conhecido por Brain Fittness. Através de programas de computador para melhorar o desempenho cognitivo, os voluntários eram submetidos a tarefas que envolviam da capacidade de discernir vários tons musicais à compreensão de uma narrativa, por um período de 50 horas divididas em 10 semanas de treinamento. Depois foram aplicados testes neuropsicológicos que avaliam funções como atenção, aprendizado e memória. O grupo que fez o treinamento teve um desempenho duas vezes superior ao grupo que, ao invés do treinamento, passou o tempo jogando vídeo-game. “Este não é o primeiro estudo que usa programas de computador para melhorar a performance cognitiva na esquizofrenia, mas é o pioneiro em iniciar com tarefas que melhorem a capacidade de processamento de informações sensoriais para depois treinar habilidades que requerem um processamento cognitivo mais elaborado”, diz Susan McGurk, pesquisadora do Dartmouth Medical School, de Hanover. O estudo traz mais esperança para o tratamento dos sintomas cognitivos da esquizofrenia e para a recuperação das capacidades de trabalho e vida social, considerados os maiores desafios do tratamento da esquizofrenia na atualidade (AktuelPsikoloji.com)... Leia Mais.

10/04/09 - Estudo liga gene NOS1AP à esquizofrenia. Pacientes teriam uma variação nesse gene com frequência maior do que a população geral - Um estudo analisou genes de 24 famílias canadenses com histórico de vários casos de esquizofrenia e encontrou uma alteração funcional num gene chamado de NOS1AP que aumenta a expressão genética. O achado publicado em abril na revista American Journal of Psychiatry confirma um estudo anterior que demonstrou o aumento da expressão do gene NOS1AP no cérebro de pessoas com esquizofrenia. Este é um passo importante para conhecer mais sobre a doença, mas são necessárias mais pesquisas. “Isto não significa que se você tem esse gene alterado, você terá a esquizofrenia. Mais de 40% das pessoas tem essa variação genética, mas somente 1% adoece e nem todos que adoecem têm essa variação”, diz Dra Linda Brzustowicz, geneticista da Rutgers University, em Nova Jersey. Ela frisa que a esquizofrenia não é uma doença de um gene só e que fatores ambientais são igualmente importantes. “A freqüência do gene NOS1AP alterado é maior entre as pessoas com esquizofrenia do que na população geral. Neste estudo, por exemplo, 55% dos pacientes com esquizofrenia tinham essa variação genética”, conclui (Forbes.com)... Leia Mais.

07/04/09 - "Ilusão da máscara oca" pode ser uma chave para a descoberta da causa da esquizofrenia, segundo estudo - Dizer qual a frente e qual as costas de uma máscara pode ser mais difícil do que parece, graças a um efeito chamado “ilusão da máscara oca” (hollow-mask illusion). Nosso cérebro tem dificuldade de decidir se a imagem é convexa ou côncava. Nova pesquisa publicada na Revista Neuroimage mostrou que na esquizofrenia esta ilusão pode não ocorrer. No estudo, voluntários foram submetidos a exames de ressonância magnética funcional enquanto olhavam fotos, algumas delas fotos de faces normais e outras de faces invertidas (como na ilusão da máscara oca). Todos os participantes com esquizofrenia conseguiram distinguir entre as duas fotos, enquanto os voluntários saudáveis foram enganados em 99% do tempo. O resultado sugere que o processo de coletar as informações visuais que chegam e o processo de interpretação dessas informações são diferentes na esquizofrenia. Isso pode remeter à questão fundamental da doença, que seria a dissociação ou desconexão entre diferentes áreas cerebrais (NewScientist)... Leia Mais.

Veja a mesma ilusão provocada por esse vídeo com a máscara de Chaplin.



04/04/09 - Cientistas ingleses descobrem 49 genes que funcionam de maneira diferente em pessoas com esquizofrenia - No maior estudo deste tipo, publicado na Revista Molecular Psychiatry, cientistas do Imperial College de Londres identificaram 49 genes que funcionam de forma diferente no cérebro de pessoas portadoras de esquizofrenia. Muitos desses genes estão envolvidos na sinalização entre neurônios, o que fortalece a idéia de que na esquizofrenia ocorra algum problema de comunicação entre as células nervosas. Um dos pesquisadores, o Professor Jackie de Belleroche, disse que esse é o primeiro passo para se chegar a tratamentos mais efetivos. “Precisamos entender o que de fato está acontecendo no cérebro, descobrir os genes envolvidos e o que eles estão fazendo para desenvolvermos tratamentos mais específicos. Nosso estudo estreitou os caminhos para possíveis alvos de tratamento”, afirma. Eles analisaram o tecido cerebral de 28 esquizofrênicos que doaram seus cérebros para estudo (News Medical Net)... Leia Mais.